quarta-feira, 4 de maio de 2011

CORRESPONDÊNCIA URBANA



HOMEOPATIA EVITA E CURA A DENGUE


Esta entrevista com a Dra. Ana Teresa Dreux, sobre dengue, foi publicada no dia 11 de janeiro deste ano neste jornal. No entanto, a epidemia de dengue continua no Rio de Janeiro. Ontem soube que meu sobrinho, Pedro Mesquita, de 31 anos está com dengue e, após o resultado do exame de sangue que faz diariamente foi constatado que suas plaquetas continuam descendo. Ontem estavam em 60 mil.
Enviei um email para a Dra. Ana Teresa Dreux, Vice Presidente do Instituto Hahnemanniano do Brasil relatando o fato e ela me respondeu, como sempre o faz, com extrema atenção. Para quem está com dengue e na mesma situação do Pedro, segue abaixo a matéria feita com a dra. e o email em que ela prescreve o tratamento:







Prezada Esther,
diga a seu sobrinho para tomar a formula dengue hemorrágico ( Phosphorus 30 CH / Crotalus 30 CH / aã / )5 glóbulos 5 vezes ao dia  alem da outra fórmula, 5 glóbulos de 2 em 2 horas.  Quando as plaquetas chegarem em 100 mil tomar a dengue hemorrágica 3 vezes ao dia e assim continuar até chegarem em 150 mil. Depois tomar por mais 3 dias apenas duas vezes ao dia. A outra formula manter 4 vezes ao dia. Quando tiver alta, continuar a tomar diariamente uma vez por dia a formula dengue , e a dengue hemorrágica de 15 em 15 dias até o final da epidemia para não contrair de novo a doença. Se quiser um resultado ainda melhor mande fazer o seguinte floraL DE BACH : RESCUE REMEDY / GORSE/ CRAB APPLE / OLIVE / AÃ / 60ML E TOME 3 GOTAS SUB LINGUAL  6 vezes ao dia. Por favor me dêem noticias. Se as plaquetas subiram e depois desceram é porque o dengue hemorrágico é forte e a imunidade dele não esta boa  mas com o meu tratamento ele vai se curar. Vc não me disse a idade dele mas de qualquer maneira o tratamento é o mesmo. 

HOMEOPATIA EVITA E CURA A DENGUE




Por Esther Lucio Bittencourt


Há 9 anos, a então Presidente do Instituto Hahnemanniano do Brasil (IHB), Ana Teresa Doria Dreux, CRM no. 52.33019-0, e outros colegas homeopatas, foram chamados à Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, por uma médica que lá trabalhava no setor de Homeopatia, que pediu para que criassem uma fórmula ou sugerir um medicamento que pudesse ajudar no tratamento da dengue.

Ana Teresa Dreux criou então uma fórmula  homeopática, “que durante este tempo tem sido usada por mim e outros colegas homeopatas para prevenção e tratamento da dengue. 

Sua composição é:

RHUS TOX. / EUPATORIUM PERF./ CHINA OFF./ LEDUM PALUSTRE/
GELSEMIUM/ 5CH/ aã.

Basta levar esta fórmula a qualquer farmácia homeopática. Pode ser feita em glóbulos (sacarose), tabletes (lactose) ou gotas (alcoolatura a 30 %).”

Com a ameaça eminente de surto da dengue em vários estados do Brasil, o  alerta foi dado pelo Ministério e Secretarias de Saúde dos Estados, principalmente dos que vem sendo castigados pela chuva e pelo mormaço do verão, está na hora de colocar em ação a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS, que foi aprovada por portarias em  maio e junho de 2006, sendo ministro da Saúde José Gomes Temporão. Essas práticas incluem acupuntura, fitoterapia, medicina antroposófica e homeopatia, que é uma especialidade médica desde 1980.

MEDICAMENTOS À BAIXO CUSTO

Afirma Ana Teresa que esta “foi uma decisão importantíssima para a saúde da população e está sendo cada vez mais praticada em vários pontos do território nacional. Aqui no Rio, um exemplo é o Hospital Universitário Gaffrée e Guinle, Unirio, em convênio científico com o Instituto Hahnemanniano do Brasil .

A Unirio foi pioneira em instituir a obrigatoriedade da Homeopatia no currículo da faculdade de Medicina e em criar a primeira residência médica em homeopatia em 2004. Essas práticas não só são de baixo custo e de comprovada eficiência, como atendem à demanda da população por uma medicina mais humanizada e dentro do conceito do médico de família.

Os pacientes que usam a homeopatia já têm em suas casas medicamentos formulados por seus homeopatas para compor uma pequena farmácia de emergência para eventos corriqueiros na vida cotidiana, tais como picadas de insetos, acidentes domésticos, gripes, resfriados, cólicas, dores de dente ou garganta, prevenção e tratamento da dengue.

A ansiedade e mesmo situações como a que vivemos de pânico e pesar, como as das enchentes e os deslizamentos de terra na região serrana do Rio de Janeiro, no Sul de Minas Gerais, em São Paulo, e demais estados e municípios, registrando muitos óbitos, podem ser tratados com homeopatia e Florais de Bach; uma vez que já foram aprovados como prática integrativa para os cirurgiões dentistas.
  
COMO TOMAR O PREVENTIVO DA DENGUE

O preventivo da dengue deve ser usado assim:

  • Tomar 3 glóbulos ou tabletes ou gotas, UMA VEZ AO DIA, enquanto durar a temporada da epidemia. Isto tanto para adultos como para crianças de qualquer idade, sendo que no caso de crianças não se usa a forma alcoólica. 
  • medicamento deve ser dissolvido lentamente na boca. Para bebês, a mãe pode dissolver 2 glóbulos com uma colher de chá de água para facilitar a administração.
  • Se o bebê estiver com MENOS de 3 meses e estiver sendo amamentado, a mãe pode tomar 6 glóbulos antes de uma mamada, que o efeito passará para o leite materno. Grávidas podem e DEVEM utilizar a fórmula.

PODE SER DADO PARA BEBÊS QUE NÃO ESTÃO SENDO AMAMENTADOS, DE QUALQUER IDADE. DEVE SER USADA COMO TRATAMENTO, no caso de dengue ou  mesmo suspeita de dengue, desta forma: 

  • Tomar 3 glóbulos (ou gotas ou tabletes) de 2/2 horas, ESPAÇANDO PARA 3/3 HORAS E 4/4 HORAS, etc, à medida que os sintomas melhorarem, ATÉ A REMISSÃO COMPLETA DOS SINTOMAS .

Afirma a professora que "estou apenas cumprindo meu trabalho de médica. Não tenho mais consultório particular, só atendo como médica voluntária no Ambulatório Escola do Instituto, que é de utilidade pública, onde todos, ricos e pobres, podem ir. Desejo que a Homeopatia saia valorizada desta epidemia e que os brasileiros saibam que existe uma especialidade eficaz e de baixo custo para a nossa população."

Primeira Fonte - A partir de que pesquisa a senhora concluiu que rhus tox., eupatorium perf., china off, ledum palustre e gelsemium, todos 5ch, faziam a prevenção contra a dengue?


Ana Tereza - Verificando na matéria médica homeopática, os sintomas destas 5 plantas, uma das quais é Quina usada para febre amarela e malária (QUININO), que surgem na dengue e que se manifestam nos pacientes e experimentando durante 9 anos em pacientes e funcionários do IHB.


Para o dengue hemorrágico uso um mineral, o Phosphorus que age no sangue e no fígado entre outras muitas coisas e o Crotalus, veneno da cascavel americana, que causa um quadro semelhante ao da dengue hemorrágica. Só uso em caso de confirmação da baixa de plaquetas, sendo PERIGOSO tomá-los sem estar com o quadro da doença, ou indicação do médico homeopata. Não se pode tomá-los todos os dias para prevenção. Quando existe a necessidade eles CURAM. 


Isto que fiz não é nada demais. Todo médico homeopata tem conhecimento destes medicamentos muitíssimos usados. Deixo claro que esta é a minha experiência pessoal como médica homeopata. 


PF - O que é a homeopatia ?

AT - Uma especialidade médica do setor da terapêutica que usa a lei da semelhança: O semelhante curará o semelhante.

"Nos inúmeros casos que tenho tratado, a doença evolui de maneira branda, e resolve sem agravar ou deixar sequelas. Para os pacientes que a usam como preventivo, até hoje não houve um caso de contaminação, pelo menos a mim relatado. Passei a distribui-la todos os anos para todos os funcionários do IHB, nas épocas de epidemia, e desde então nenhum funcionário (cerca de 22) contraiu a doença, mesmo os que moravam em locais endêmicos.

Em caso de DENGUE HEMORRÁGICA, ou mesmo suspeita (isto é, plaquetas
abaixo de 150 000), principalmente em crianças, ACRESCENTA-SE ao tratamento acima, dois medicamentos: PHOSPHORUS, 12 CH ,4 glóbulos ou tabletes ou gotas, tomar pela manhã e CROTALUS, 12 CH, 4 glóbulos ou tabletes ou gotas, tomar à tarde, até as plaquetas normalizarem  (150 000). NÃO PARAR COM A OUTRA FÓRMULA. AGIR COM RAPIDEZ.

Nos casos que tenho acompanhado, as plaquetas SOBEM rapidamente de
maneira surpreendente.

Alcoolatura a 30% é indicada para pacientes que não podem tomar açucar
(diabéticos). Tomar com um pouco de água.

Óbvio que para crianças é mais indicado os tabletes. Para quem tem alergia
a leite, use-se os glóbulos.

Pode-se usar externamente a pomada de Ledum palustre como repelente, que
funciona de modo bastante eficaz e não traz alergias. Mas só para quem NÃO
PODE de jeito nenhum usar repelente.

QUALQUER FARMÁCIA HOMEOPÁTICA pode veicular estes medicamentos", avisa a médica.

COMPLEXO B

Previne ainda Ana Teresa que "uma boa medida é tomar vitaminas do complexo B, que eram usadas no Vietnã pelos soldados americanos pois deixam um odor na pele que afasta o mosquito, e a vitamina C, que reforça o colágeno e a imunidade. Existe o Teragran Jr., uma fórmula que reúne estas duas vitaminas, para crianças.

Como todos nós, profundamente emocionada e chocada com o que tem acontecido ultimamente, principalmente em relação às crianças e grávidas, resolvi divulgar a minha modesta experiência.

Claro que a homeopatia não DISPENSA nem INTERFERE nos cuidados médicos
obrigatórios nestes casos, nem deve-se desleixar na erradicação do vetor (mosquito) combatendo seus focos de proliferação."

DENGUE

"A dengue foi relatada primeiramente em 1779/80, na Ásia, na África e na América do Norte simultaneamente. A forma hemorrágica, no sudeste da Ásia nos anos 50. Em 1975 foi a principal causa de morte e hospitalização nesta região. É uma virose transmitida pela picada da fêmea do mosquito Aedes Aegypti (que também transmite a febre amarela), hospedeira do virus. Este  pode ser de 4 tipos. A pessoa fica imunizada apenas pelo tipo de que foi contagiada sendo que pode contrair a dengue dos outros 3 tipos, ficando mais suscetível à virose. O tratamento é sintomático, com hidratação, antialgicos e transfusão de hemácias quando o quadro hemorrágico é grave. A toxina do vírus ataca o fígado causando uma hepatite que pode ser agravada e fatal se é administrado paracetamol (tilenol) pois este medicamento tem sua dose terapêutica muito próxima da dose tóxica a qual acarreta hepatite medicamentosa.  Assim, vários casos de morte fulminante foram provocadas  pelo somatório das duas causas. Não se deve também administrar aspirina (ácido acetil salicílico) pois esta fluidifica o sangue piorando as hemorragias. A prevenção e o tratamento pela homeopatia tem alcançado uma enorme eficácia", informou Ana Teresa.

TRAGÉDIAS HUMANAS, LIÇÕES DE VIDA

"Nestes horríveis acontecimentos dos útimos dias e nas suas consequências que se prolongarão ainda por muito tempo devemos, como em tudo que acontece, ver a oportunidade de aprender, de exercer o amor e a solidariedade,  que é o que faz com que evolua a humanidade, não deixando o desespero e o pessimismo toldar a visão maior. Quanto àqueles que tudo perderam, além dos  seus entes queridos, que essa enorme dor não se perca. Que se transmute numa alavanca de potência gigantesca capaz de realmente transformar, mobilizar, agregar forças capazes de evitar que no futuro se repitam tragédias causadas pela inconsequência da política habitacional e outros fatores  climáticos e ambientais. Os desaparecidos pelas enchentes são os mestres que nos darão forças para continuar a luta por um mundo harmônico e seguro para todos", finalizou a professora Ana Teresa Dreux.




terça-feira, 3 de maio de 2011

QUITANDA DA VIDA XXV

Por Telinha Cavalcanti

Gente! 25 colunas! São as bodas papel alumínio: 25 semanas com vocês :D

Prá comemorar, um sucesso de audiência aqui em casa: 100% de aprovação do público (eu, amado marido e gatinhos que ganham pedacinhos de carne crua sempre que eu faço este prato)

Carne com talharim e molho de creme de leite

A gente começa chique, com dois ou três bifinhos de filé mignon. Gente, é pouquinho, não vai abalar o orçamento não :D
Manteiga
Alho
Cebola
Sal
Pimenta do reino moída
Talharim


Primeiro, ferva água para o macarrão. Quando levantar fervura, salgue, coloque um fio de óleo (não gosto de azeite nessa hora, se vc gostar, beleza) e adicione o macarrão. É loucura explicar como se faz macarrão? É não, fio. Amado Marido já botou o macarrão na água fria e deixou até ferver. Isso foi antes, claro, dele casar comigo.

Concomitantemente (êee, falei difícil), corte a carne em tirinhas, tempere com sal e pimenta
Corte a cebola em rodelas finiiiinhas e refogue na manteiga. Quando a cebola estiver quase pronta, acrescente o alho. Aí você junta delicadamente a carne, deixa ela fazer TSSSSS! de felicidade, mexe um pouco e tampa. É importante tampar para que junte um molhinho, senão evapora tudo. Vá olhando, quando achar que a carne já tá no ponto que você gosta, acrescente o creme de leite e mexa bem. Experimente e veja se falta mais sal ou mais pimenta. Desligue o fogo e vá cuidar do macarrão, quejá deve estar bem encaminhado.

Macarrão pronto? Beleza. Aí é juntar os dois e ser feliz :)

ABSTINÊNCIA

Por Ana Manssour

Foto: Google Images
Eu fumo há 26 anos. Nunca fumei demais, jamais cheguei a fumar uma carteira por dia, por exemplo. Mas certamente cheguei a uns dez cigarros por dia. Eventualmente, em época de festejos, passo disso. Fazia tempo que eu queria parar de fumar. Arremedei tentativas várias vezes. Mas é difícil e solitário parar quando há outras pessoas em volta fumando. Resolvi mais uma vez tentar parar, há dois dias, e convidei meu marido para fazer o mesmo. Ele aderiu, acho até que um pouco a contragosto, mas isso está ajudando para que eu me mantenha na linha, pelo menos por enquanto, afinal, desta vez tenho companhia.

Há duas noites não consigo dormir direito. Durmo cinco minutos e acordo, fico mais uns quinze tentando dormir, durmo mais cinco minutos. Minhas pernas doem mais do que o normal, doem os joelhos, as panturrilhas, as canelas, os tornozelos e os pés. Fico procurando posições mais confortáveis e menos doloridas e não encontro. Levanto, tomo um remédio para dor e até um relaxante muscular, deito de novo. O calor parece mais abafado que nunca, mas de vez em quando sinto frio, meu corpo fica gelado (será por causa do ventilador?) e me enrolo no lençol até sentir calor novamente. De manhã cedo, por volta das 5 e meia, estou exausta e acabo dormindo mais pesado. Acordo às 8 e meia assustada. Dormi demais.

Sei que as noites também não têm sido fáceis para o meu marido. Revira-se a noite toda, levanta, deita, levanta outra vez. Algumas das muitas vezes em que eu estive acordada nossos olhares se cruzaram no escuro. Sei que estávamos ambos cansados, incomodados, sofrendo em silêncio, mas, ao mesmo tempo, sendo cúmplices e solidários.

A gente sabe, teoricamente, que parar de consumir uma droga traz efeitos desagradáveis, como insônia, irritabilidade, nervosismo, etc. Mas quando pensamos nisso, geralmente pensamos em drogas pesadas, como o álcool, cocaína, heroína... Esta noite, no meio da minha tentativa de voltar a dormir, fiquei imaginando o sofrimento de quem esteve envolvido com drogas piores que o cigarro comum e que resolveu enfrentar a luta de deixar o vício. Pode parecer estranho o que vou dizer, mas essas são pessoas fortes. Dizem que quem entra no vício é um fraco. Talvez, sim, ou talvez seja apenas alguém que não se dá conta do que está fazendo. Mas quando ele decide enfrentar um tratamento para abandonar o vício, ele tem consciência da decisão que está tomando. E só um forte é capaz de vencer o período crítico de abstinência. Quem supera um vício é um verdadeiro vencedor.

Particularmente, não dou garantias da minha vitória. Não sei quanto tempo sou capaz de aguentar. Neste caso, cada minuto é único. Mas um dia tem 1.440 minutos. São 1.440 unidades únicas e exclusivas de tempo, portanto, impossíveis de prever e ter certeza sobre eles. Espero conseguir. Caso eu não consiga, não me julguem mal e, por favor, me perdoem. Sou apenas normal.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

UM PRIMOR DE AMARGURA

Por Adelaide Amorim

Georges Simenon. O gato. 4 ed. Trad. Raul de Sá Barbosa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1981. 156 p.

Para quem conhece o Simenon dos romances policiais, O gato é um presente e tanto.

O inspetor Maigret, criado em 1930, está bem situado no ranking dos detetives mais queridos pelos leitores do gênero, e suas histórias têm o atrativo do bom vinho – nunca perdem o sabor – apesar de quase sempre terem sido criadas e escritas em no máximo duas semanas, muitas delas por encomenda. Sem a violência de algumas obras desse tipo, o autor talvez possa ser alinhado junto com Agatha Christie no quesito inteligência, mas ganha longe dela quanto à sensibilidade e à qualidade literária: foi qualificado por André Gide como o maior romancista da França atual, e comparado a Balzac por alguns críticos. Seus livros estão traduzido para mais de cem idiomas.

Portanto não é muito de admirar que ele fosse capaz de um livro como esse – que não é o único no gênero do romance psicológico. Acima de um livro sensível, consegue expressar em seu texto um ressentimento antológico, numa história dolorosa, capaz de fazer refletir o mais entusiástico ideólogo do casamento tradicional. Entende-se que esse belga, de quem se diz ter transado com 10 mil mulheres e cuja experiência conjugal teria sido um fracasso completo, fizesse tal idéia da vida em comum. Mas a abordagem do tema e a linguagem que põe a seu serviço; a perfeição do estilo; o modo como consegue situar o leitor dentro do universo doentio, de tortura mental, em que vivem Emil Bouin e sua mulher, Marguerite, não é façanha para qualquer um.

O gato
 serviu de roteiro, em 1970, para o filme do mesmo nome e densidade à altura, com Simone Signoret e Jean Gabin nos papéis principais. Andei procurando por ele nos “museus” de locadoras e sebos, mas não achei. Se alguém descobrir, favor avisar, obrigada.

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CRÔNICA – BANDEIRA SABOROSO

Eduardo Coelho (org.). Manuel Bandeira.Eduardo Coelho (org.). Manuel Bandeira. São Paulo: Global, 2003. 226 p. (Coleção Melhores Crônicas.)

Falar em Manuel Bandeira lembra logo poema, sextilhas, redondilhas, forma perfeita, verso livre, estrelas, morte, amor, sexo, amizade, pneumotórax. Quando se lêem as crônicas desse volume, entendem-se algumas coisas que ficam obscurecidas pelo encantamento dos poemas. O poema é uma manifestação, a tradução em palavras de uma epifania. Um poema é a iluminação de um momento.

A prosa, especialmente assim, em forma de crônica, dá a conhecer uma dimensão que pertence à conformação subjetiva de seu autor e a um dia-a-dia diferente daquele que se depreende de um diário, mas fala de preocupações que vão além do trivial e têm muito a ver com o que motiva sua curiosidade, o que foi capaz de impressioná-lo ou suscitou uma emoção, um sentimento ou um desejo de conhecer.
Bandeira revela nessa coletânea o ecletismo de seus interesses e a competência para falar sobre eles.
Grande contador de casos, de linguagem refinada e gostosa de ler, pode também usar expressões bem pouco ortodoxas, ou uma escrita descontraída, de linguagem coloquial. Maneja tudo com distinção e louvor, e ainda com originalidades encantadoras, quando fala sobre cidades (deliciosamente sobre o Rio), episódios da história ou política. Impregna de ternura as narrativas sobre a gente do povo, tipos de rua, as crianças, as mulheres. Fala dos amigos, da doença que o afligiu, e também de arquitetura, estilos, artes, sem nunca perder a lucidez que no entanto não torna sua escrita fria, regida pela razão, mas sustenta sua liberdade e leveza, porque é uma lucidez soprada pelo coração de poeta. 

domingo, 1 de maio de 2011

SENHORA DO TEMPO. OS LAMBE LAMBE DO JARDIM DE SÃO JOÃO

Por Esther Lucio Bittencourt

Foto do Google
Jardim de São João, no centro de Niterói, no tempo em a cidade ainda era a capital do Estado do Rio, foi um grande cemitério indígena que pertencia à sesmaria concedida em 1568 aos temiminós. Mais tarde o jardim virou o centro da cidade, o Rossio.

Quando já não era mais o centro da cidade, não era de bom tom andar pelos lados do Jardim de São João , onde havia a igreja, de arquitetura belíssima, do mesmo nome e do santo padroeiro da cidade: São João Batista que começou a ser construída em 1842 e foi concluída em 1854 e por D. Pedro II, passando a Catedral em 1908.

Lugar de malandros, prostitutas e lambe lambe. E qual família tradicional permitiria que suas filhas fossem fotografadas por aqueles homens estranhos que vestiam um saco na cabeça para olhar dentro de uma caixa quadrada sobre um tripé, que fixaria o momento que em breve desbotaria e, do preto e branco esmaecido das fotos, ficaria um tom sépia, onde as feições mal eram reconhecidas?

Mas ir à missa todos precisávamos. No domingo silencioso da praça o canto das passarinhos nos pés de fícus só eram atordoados pelo pisar nas bolotinhas que caíam das árvores, pelo farfalhar dos vestidos exibidos pelas anáguas armadas de goma e murmúrios suaves, como se já estivéssemos dentro da igreja.

Os carros não podiam estacionar em frente à ela  a não ser pela rua onde passavam ônibus, parcos ônibus. Acredito que , se não me falha a memória, e nem ônibus como os de hoje eram, e sim lotações, e pelo local passavam sim, mais os troleibus, importados dos estados unidos, onde não deram certo, para substituir os nossos bondes, a maravilha do mundo, onde nunca fazia calor, visto que eram abertos de todos os lados. Só havia neles o teto, o piso e os bancos, além de poucos balaustres e o estribo onde se equilibrava o cobrador.

Os lambe-lambe, parados na praça, atarefados com seus baldes cheios de água, fotografavam algum casal vindo de longe, de traje domingueiro ou noivas, com seu véu e grinalda seguros pela família para não esbarrar na terra. Mas tudo era feito em muito silencio, exceto pela algazarra de algumas crianças que corriam em torno umas das outras levantando poeira com risadas abafadas sob os psiuuus dos parentes.

O sino da igreja badalava chamando para a missa das dez quando chegamos. Não era a Igreja onde íamos a missa dos domingos. As tradicionais eram a de Nossa Senhora do Viterbo e a do Salesianos. Domingo sim, domingo não íamos numa delas.

Mas haveria o batizado do amigo de alguém da família e, como ela andava junta para todos os cantos, talvez em memória dos que precisaram se desgarrar na Europa para fugir da perseguição nazista, durante a Segunda guerra Mundial, no Brasil costumavam não se desgrudar. Tanto que a casa da mãe de meu pai ficava ao lado da casa dos pais de minha mãe. Os filhos que casavam moravam na casa ao lado e a rua era povoada pela antiga família Speth, judia de nascimento, atualmente cristã nova, Lucio Bittencourt e Maia Duarte, por parte de mãe.
Nave da catedral de São João
Foto Google, Ney Niterói

Vida estranha; Vovó Martha, nascera em Berlim, Tia Hulda na Polônia e tia Helena na Rússia onde tia Hulda contava que uma vez os cossacos bateram nos casacos de frio delas com suas bolas de ferro , quando iam para a escola. Por isto, nunca mais saíram de casa. Dali foi só o tempo de chegarem ao Amazonas  e depois desembarcar no Rio de Janeiro. Somente as duas irmãs e algum filho, Vovó Martha e tia Hulda. Quem conseguiu fugir morreu com a espanhola.

Por parte de mãe, foram direto para Santa Catarina e depois, Niterói. Quando meu pai conheceu minha mãe, e olha que para a época os dois não eram tão jovens assim, mamãe já estava com 26 anos de idade, a família dele veio morar ao lado da de minha avó e eu fui a primeira a nascer nesta família desfalcada.

Por isto, por ser a primeira, gozava de certas benesses, como a de trazer na bolsinha sempre alguns trocados.

Jardim de São João
Foto do Google (Comunidade Lusa)
Nisto entram os lambe lambe que estavam no Jardim São João fazendo mistério, mistério este que eu queria desvendar. Queria aquele tempo detido para sempre na memória, nossos vestidos de laise, os de poá dos adultos, o cheiro dos perfumes soltos no ar, as jóias , o canto dos pássaros e o perfume cítrico das sementes de fícus amassadas na poeira do jardim que, na verdade, era uma passagem.

Pé ante pé saí da Igreja, somente minha irmã reparou, mas guardou segredo e fui com meus trocados contratar os serviços do lambe lambe mais próximo. Ele preparou minha pose, eu tremia, foi para detrás do pano encardido que pendia da caixa, que iria me registrar para sempre; mandou que eu segurasse a respiração e pronto. Lava daqui, lava dali e restei para sempre com um segredo entre as mãos. Uma foto com meu laço preso por milagre nos cabelos lambidos, sem cor definida, assim como meus olhos até hoje, mais claros num momento, em outros amarelos como os de gato.

Mas conseguia respirar: pela primeira vez eu possuía entre as mãos um segredo que não devia compartilhar com a família. A primeira a ver a foto foi Vera, minha irmã. Depois, quando saíamos da Igreja mostrei-a a mamãe, que fez ar de aborrecida e dividiu o acontecido com meu pai.

Em pouco tempo a família toda sabia e, por nobreza de espírito de minha avó Martha que considerava o cúmulo da  desonra a família não ser fotografada por fotógrafo famoso com estúdio particular,  estávamos todos ali em frente ao lambe lambe para imortalizar a ida ao Jardim de São João. Perdoou a neta e participou da alegria dela.

Catedral de São João Batista
Foto do Google
Não sei onde foi parar esta foto mas Jorginho, que guarda os álbuns da família, deve tê-la esmaecida ou quase transparente longe dos olhos, pois tudo está guardado num arquivo de metal perto do coração.

Mas juro que ainda nos vejo alinhados, prendendo o fôlego, com os passarinhos cantando à nossa volta e crianças com suas vozes alegres levantando poeira, resistindo à luz brilhante que saía do flash que o fotógrafo segurava para nos lembrar para sempre da família que éramos.

"De todos os meios de expressão, a fotografia é o único que fixa para sempre o instante preciso e transitório. Nós, fotógrafos, lidamos com coisas que estão continuamente desaparecendo e, uma vez desaparecidas, não há mecanismo no mundo capaz de fazê-las voltar outra vez. Não podemos revelar ou copiar uma memória". Henri Cartier-Bresson