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quinta-feira, 28 de abril de 2011

PINDORAMA 10° 0' 0" S / 55° 0' 0" W.

VIAGEM A FOZ DO IGUAÇU- FINAL


E, como todas as viagens acabam, como acontece com a vida, amores, o curso primário, as dores, essa acabou também.
De modo inesperado.
Pois não é que estávamos , novamente, tomando café da manhã numa das cidades fronteiras do Brasil, na Argentina quando o carro, sim o carro da Regina, o Berlingo novinho em folha, com poucos kms rodados, pegou fogo?
Pois pegou. Não de sair labaredas. Primeiro foi um cheiro de queimado, na ida. No retorno para foz nada funcionava. Até que o carro parou de vez.
Aí, só concessionária.
E onde tinha concessionária da Citroen por ali?
Só em Maringá, no Paraná.
Bem, entre uma negociação bem humorada e outra de zanga pura conseguimos chegar a um acordo com a citroen. Ela mandaria um carro nos pegar e levar até  um hotel em Maringá. Hotel este que pagariam.
Dia seguinte pela manhã iríamos embora, assim, de improviso. E fomos.
Em Maringá a cidade estava dividida. De um lado havia um foco de doença causada pelos pombos que estavam sendo exterminados. De outro, dengue.
O hotel, ficava entre as duas perspectivas
Bom hotel, sei lá quantas estrelas, mas a entrada foi patética.
Como estávamos de carro, roupas sujas, compras, estas coisas, eram colocadas em sacolas de super mercado e jogadas no porta malas. O mesmo foi feito no meriva que nos  transportou.
Ó desavisadas! Quando as araras douradas gentilmente levadas por homens de libré foram nos receber era saco plástico a dar de pau a exibir sua pobreza estética . Todas devidamente penduradas, balouçando de um lado para outro.
Éramos retirantes improváveis, imprecisas, que morriam de rir. O ridículo não poderia ser pior.
Poderia sim: após um longo banho pedimos um chá com torradas, ainda com frouxos de riso, assustando ao garçon.
A viagem terminou como principiou: duas senhoras pândegas que trilhavam a plena loucura.




Os botes onde as pessoas arriscam a vida para pegar respingos de água

Os pedintes de Foz do Iguaçu

Quati nas cachoeiras

pássaro perdido nas águas

a calma ao olhar as águas

Rio Paraná

nossa magnífica bagagem

igreja de maringá

idade de Maringa vista do hotel

quarta-feira, 20 de abril de 2011

PINDORAMA 10° 0' 0" S / 55° 0' 0" W.

VIAGEM A FOZ DO IGUAÇU - parte 3



Mas a viagem ainda não terminou. Falta muiiiitooooo. Encontramos Jackie, minha sobrinha, que posteriormente lançou o livro “Maternidade e Anti Maternidade Lúcida”, do qual tive o prazer de ler o primeiro manuscrito, almoçamos num restaurante vegetariano e fomos direto para uma palestra na conscienciologia. Não sabíamos ao certo o que significava aquele grupo de estudos voltado para a pesquisa do ego e do self. Enfim, uma ciência para estudar a consciência. Muita física quântica no pedaço.

Segundo o médico Waldo Vieira que pesquisa o assunto desde a década de 60, a Conscienciologia parte do princípio de que a manifestação da consciência vai além do cérebro físico e que seria independente do corpo humano. Anteriormente, o jurista Miguel Reale usou o termo conscienciológico em sua obra “ Filosofia do
Direito”.

Depois da palestra, finalmente chegamos à casa de minha sobrinha, num condomínio fechado, uma casa deliciosa, metade alvenaria, metade madeira.

Aí, foi só tomar banho e cair dura na cama. No dia seguinte iniciaríamos nosso passeio pelas cataratas de Foz do Iguaçu.

Amanheceu e atravessamos a fronteira do Brasil. É Bem verdade, que falar sobre a Argentina cairia bem em 84,Charing Cross, mas na realidade vou contar o que vimos no lado brasileiro ao olhar de lá para cá. Sabem o ditado que conta que a melhor vista de Niterói é o Rio? Pois isto se dá exatamente com as cataratas de Foz do Iguaçu quando se as olha do lado Argentino. A melhor paisagem é a do Brasil, sem qualquer sombra de dúvida. Mas, dizem outros, até as agências de turismo, que a melhor visão fica de quem olha do Brasil para a Argentina. Prefiro, sem xenofobia,minha apreciação.



Carro estacionado, pegamos um trem que nos levou até à estação Garganta do Diabo onde já se ouve o som das quedas d´água e o corpo sente a força impressionante deste rugido.







Formadas há aproximadamente 150 milhões de anos, são 275 quedas isoladas, que formam uma única em tempo de cheia. Quando fui eles estavam começando a encher, a estiagem prolongada fizera com que se transformassem em filetes de água. Foi o que me contaram.

O Rio Iguaçu, cujo nome em tupi guarani significa água grande nasce próximo à Serra do Mar e percorre 1.320 km até a foz, desaguando no Rio Paraná. Após uma ampla curva e uma corredeira, o leito principal do rio, onde está a fronteira Brasil-Argentina, precipita-se em uma profunda fenda de erosão, formando a Garganta do Diabo.

Ele chega a medir 1.200 metros de largura acima das Cataratas, estreitando-se até 65 metros no canyon formado após as quedas. A extensão das Cataratas é de 800 metros no lado brasileiro e 1.900 metros no lado argentino, resultando numa largura total de 2.700 metros com formato semicircular.

Dependendo da vazão do rio, o número de saltos varia de 150 a 300 e a altura das quedas varia de 40 a 82 metros. A vazão média do rio é de 1.500 m3 por segundo, variando de 300 m3/s nas ocasiões de seca e de 6.500 m3/s nas cheias.

Estas informações são recolhidas num museu próximo à entrada das cataratas, do lado brasileiro, onde o piso é todo de vidro transparente.






Mas o triste desta história é que os índios Caigangues, habitantes das margens do Rio Iguaçu, acreditavam que o mundo era governado por M'Boy, um deus que tinha a forma de serpente e era filho de Tupã. Igobi, que era o cacique da tribo tinha uma filha chamada Naipi. Tão bonita que as águas do rio paravam quando a jovem nelas se mirava.
Por culpa de sua beleza, Naipi foi consagrada ao deus M'Boy, e vivia somente para o seu culto.

Entre os Caigangues, havia um jovem guerreiro chamado Tarobá. Ao ver Naipi, um belo dia, caiu duro para trás, pumba, se apaixonou.

No dia da festa de consagração de Naipi, enquanto o cacique e o pajé bebiam cauim (bebida feita de milho fermentado) e os guerreiros dançavam, Tarobá aproveitou e fugiu com rla numa canoa rio abaixo, arrastada pela correnteza.
M'Boy (hoje, nome de DJ) percebeu a fuga de Naipi e Tarobá e ficou furioso.
Penetrou as entranhas da terra retorceu o corpo até fazer enorme fenda onde se formou uma gigantesca catarata.

As águas revoltas engoliram a canoa com os fugitivos que caíram de grande altura desaparecendo para sempre.

Diz a lenda que Naipi foi transformada em uma das rochas centrais das cataratas, perpetuamente fustigada pelas águas revoltas e Tarobá convertido em uma palmeira situada à beira de um abismo, inclinada sobre a garganta do rio.
Debaixo dessa palmeira acha-se a entrada de uma gruta sob a Garganta do Diabo onde M`Boy, o monstro vingativo vigia eternamente as duas vítimas.

                                                  Regina Branco, companheira de viagem



Jackeline Bittencourt de Lima, (minha sobrinha e autora do livro Maternidade e Anti Maternidade Lúcida) nascida no Rio de Janeiro, em 30 de outubro de 1965, é formada em Ciências Contábeis e pós-graduada em Controladoria e Didática do Ensino Superior. A autora é empresária e consultora na área organizacional e voluntária da Conscienciologia desde 2001, ocupando atualmente a coordenação do CIEFFI - Conselho Internacional Econômico, Financeiro, Fiscal Interassistencial e do Comitê de Planejamento e Projeto da Unicin - União das Instituições Conscienciocentrica Internacional

quarta-feira, 13 de abril de 2011

PINDORAMA 10° 0' 0" S / 55° 0' 0" W. VIAGEM A FOZ DO IGUAÇU - 2º Parte

.....No dia seguinte, por volta das onze horas chegaríamos à Foz do Iguaçu. Estávamos a 50 quilômetros da cidade localizada no extremo oeste do Estado do Paraná, com uma população de 260 mil habitantes e que tem no turismo e comércio suas principais divisas. Iguaçu, em tupi-guarani, significa "água grande". Ocupa uma área de 433,3 km² e está situada na divisa entre Brasil, Argentina e Paraguai, formando um delta na união dos Rios Paraná e Iguaçu.

E chegamos, quase às 13 horas, pois vimos um arado gigantesco estacionado num posto de gasolina e fomos admirá-lo.

Eu, na minha ingenuidade e prepotência , acreditava que somente em Minas Gerais tudo era gigantesco, como escarlatina, gripe, pragas de lavoura, cachoeiras, buritizais, terra vermelha, grotões, o próprio território do estado, fiquei admirada com o trator enquanto Regina ia no bar bem furreco do posto beber água. Fui também e a conversa com os moradores locais estava animada. O trator estava ali para lubrificação e eles comemoravam o fim de semana. Cada um gabou sua lavoura, pequenos proprietários, que plantavam couve, alho, cebola, abóbora, almeirão, estas coisas.

A sopa que tomamos na véspera foi feita na hora, alguns legumes e macarrão cabelinho de anjo. Nunca provei de sopa tão saborosa. Após a sopa nos serviram o mesmo macarrão que engrossara a sopa, no alho e óleo. Afinal era tarde da noite e o pessoal do hotelzinho não esperava por nenhum freguês. Por fim, nos serviram um cha de erva cidreira que calou fundo na alma do estômago.
Em seguida banho e cama. O dia seguinte prometia mais estrada e encontro prazeroso.

Seguimos para Foz onde minha sobrinha Jaqueline nos esperava para almoçar. A estrada, apesar do cheiro de monóxido de carbono , em alguns momentos ficava repleta de odores que muitas vezes não consegui identificar, quase como o causado pela chuva que vem lá longe trazendo cheiro de ervas e terra molhada. Isto nas raras vezes em que abrimos o vidro da janela pois o calor estava intenso e o ar frio do carro não era suficiente , muitas vezes; suávamos muito. O azul do céu deslumbrava e nuvens, de formatos variados, navegavam suavemente. Mas o calor era fortíssimo.
Vimos capivaras, preás, vários animais pelo caminho. Parávamos para fotografar. Por isto foi o trecho mais longo da viagem.
Então, não pegávamos tantos caminhões, íamos mais tranqüilas, em estradas, muitas vezes vazias o que nos permitia apreciar mais a paisagem e parar.

















Ver extensas plantações onde o arado fizera desenhos interessantes que lembravam o filme Sinais, de ficção científica, estrelado por Mel Gibson.













Um lago mal entrevisto na paisagem, árvores perfeitamente enquadradas nas plantações que me fizeram pensar no enquadramento das câmeras fotográficas quando basta clicar a natureza onde a perspectiva está sempre exata.











Regina contava sobre a visão que teve ainda jovem, de Shiva, deus Hindu, que é visto como o destruidor, o que destrói para conseguir o novo, a transformação, e como esta visão influenciou sua vida. Contou do seu tempo de teatro e sobre seus seis maridos. Ela aguarda a vinda do sétimo.
Conversa é o que não nos faltava.
Faltava era chegar. E nesta última etapa seguíamos como tartarugas, por mais que o Berlingo corresse, dentro dos limites legais, é claro.
Cansaço não sentíamos. A alma estava leve. Um pouco de fome começava a incomodar mas, tan-tan-ran-ran, Jaqueline estava logo ali na esquina nos esperando. Enfim, Foz do Iguaçu era realidade.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

PINDORAMA 10° 0' 0" S / 55° 0' 0" W. VIAGEM A FOZ DO IGUAÇU

Por Esther Lucio Bittencourt


Regina Branco, todos os anos comemora seu aniversário onde os astros indicam melhor sintonia.


Há três anos eles indicaram Foz do Iguaçu como local preferido para uma boa conjunção de sorte. Minha sobrinha mora lá. Então ela me convidou para ir e fomos unir o útil ao agradável, matar saudades de Jaqueline, minha sobrinha , e ver as cataratas.



Ela havia comprado um Berlingo da Citroen, novinho em folha e, neste carro confortável que estreávamos, nos revezamos ao volante até Foz.


Regina Branco
Em Sorocaba nos perdemos. Demos voltas e mais voltas da universidade até uma praça onde havia um posto de gasolina. Perguntávamos onde era a saída para a estrada e as respostas eram evasivas, dobra aqui e depois ali. O aqui e o ali nunca chegavam. Víamos a estrada lá em baixo, mas carro não é avião, decididamente. Por fim pagamos a um motoqueiro que nos libertou do moto contínuo e entramos na Rodovia Castelo Branco.

Sorocaba à noite
Seguimos para Tatuí onde pretendíamos dormir. Antes porém visitamos o Conservatório Dramático e Musical de Tatuí Dr. Carlos de Campos, que já estava fechado, mas admiramos as paredes do lugar onde músicos de todos mundo vêm aprender um pouco mais.

É considerado um dos maiores Conservatório da América Latina, e se destaca no cenário nacional e internacional por sua alta qualidade de ensino.

A lua cheia , enorme, clareava tudo em torno.

No hotel, Regina e eu, antes de deitarmos , resolvemos apreciar a lua que estava um escândalo de enorme.
No dia seguinte, depois de um bom café da manhã seguimos viagem. A próxima parada seria no Paraná, beirando Foz.

Conservatório Musical Dramático de Tatuí
Num ponto da estrada havia obras para duplicação de pistas, precisamos seguir por outro caminho e daí achamos um atalho que nos indicaram. Fomos em frente. Na rodovia havia caminhões aos montes e durante o dia vimos a paisagem de canas de açúcar plantadas no lugar da soja e do trigo, alguns acampamentos dos sem terra com carros e motos estacionados, uma grande piscina num deles e uma faixa anunciando forró para o fim de semana.

Não havia uma casa neste atalho, nada, só o céu, as estrelas, a sólidão infinita de um carro sozinho rolando no asfalto. E a lua. Ops.... onde estava aquele Luão que víramos em Tatuí?

Regina ao volante assustou quando falei que não via a lua enorme, cheia e petulante no céu, como no dia anterior.

Parou o carro e descemos para observar. Nenhum sinal da lua. Somente estrelas e mais estrelas fazendo buracos brilhantes no negrume da noite. Nenhuma casa à vista, nenhum carro. Silêncio e deserto absoluto.

De repente Regina lastimou-se: -Já sei, Esther, o eixo da terra retornou ao seu estado anterior e o mundo acabou. Nossos parentes e amigos, certamente, morreram.

-Regina, não é assim, estamos no fim de sei lá aonde, perdidas neste atalho, mas teríamos sentido o solo tremer, ouviríamos algum rugido da terra retornando ao seu estado de eixo reto, em vez de inclinado, argumentei.

-É sim, Esther. O mundo acabou.

-Bem Regina, já que não tem ninguém em volta vou fazer pipi no mato que não me aguento mais.

E assim obrei.
-Vamos encontrar alguma casa para perguntar, falou Regina aflita.

E fomos.

Rodamos, rodamos, eu satisfeita por não estar mais com a bexiga cheia e Regina ainda aflita tentando usar o celular para falar com alguém que lhe desse alguma esperança de vida.

A esta altura eu ocupava o volante e pensava: vai ver, mesmo nestes baixios sem morros, a lua encontrou um grotão para se escondeu e surgirá na próxima curva. Mas nem curva a estrada tinha. Era uma reta só!

Regina, calada em seu canto, rememorou o passado, sua estadia na India, no Kilimanjaro, de onde trouxe um amor que tangia suas cordas até àquele momento. Ao mesmo tempo lamentava a perda da família e dos amigos.

-O que faremos, Esther, nós duas sozinhas no mundo? Deve haver mais alguém que sobreviveu, você não acha?

- Acho, Regina. Mas só tenho certeza de uma coisa: estamos seguindo por um atalho que pegamos na Rodovia Castelo Branco, via Londrina, até Foz do Iguaçu.

Neste momento, neste exato segundo, uma fímbria de luz amarela revelou o negro que a cobria. A lua saía da sombra da Terra. Era um eclipse. E nós não sabíamos.


Haja risada para gozarmos de nós mesmas e logo logo o atalho desembocou em outra rodovia e deparamos com um hotelzinho de beira de estrada. Passáramos por Medianeira, e estávamos em São Miguel do Iguaçu. Pulamos de São Paulo até lá, evitando o caminho mais longo por Curitiba.

Estava tarde, mas uma sopa nos serviriam. E chás, certamente.

No dia seguinte, por volta das onze horas chegaríamos à Foz do Iguaçu. Estávamos a 50 quilômetros da cidade localizada no extremo oeste do Estado do Paraná, com uma população de 260 mil habitantes e que tem no turismo e comércio suas principais divisas. Iguaçu, em tupi-guarani, significa "água grande". Ocupa uma área de 433,3 km² e está situada na divisa entre Brasil, Argentina e Paraguai, formando um delta na união dos Rios Paraná e Iguaçu.


Na semana que vem tem mais.

Acampamento dos Sem-terra