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sexta-feira, 6 de abril de 2012

SEGUNDO ENCONTRO DE CONSCIÊNCIA AMBIENTAL DE CAXAMBU



Será amanhã, sábado , dia 7 de abril, o Segundo Encontro de Consciência Ambiental de Caxambu com início às 8 horas, na Praça Dezesseis de Setembro, promovido pelo Grupo Renova Mata e pela Associação Fontes das Gerais, com o apoio da Prefeitura Municipal. O movimento marca o surgimento de Fontes das Gerais, Associação que tem princípios fortes e definidos e este é o primeiro dos eventos que temos em organização.


Será feito plantio de árvores no Morro e no Parque de Caxambu, limpeza de trilhas e do Parque das Águas. Haverá palestras sobre cidadania e consciência ecológica , feira de produtos ecológicos e artísticos além de show ao vivo com a cantora Ju Fernandes e Marisa e Uan Tamirá.


Para as crianças serão contadas histórias e haverá brincadeiras e haverá participação dos meninos  do Slackline um esporte praticado sobre uma fita de poliéster que precisa de equilíbrio do participante, provavelmente com origens nas atividades circenses ou exercício para a vida mesmo, sempre na corda bamba.
(foto do google)
"Essa versão moderna da velha corda bamba nasceu nos Estados Unidos, mais precisamente na Califórnia, no Parque Nacional de Yosemite, a meca dos escaladores. Era início dos anos 80 quando alguns deles resolveram matar o tempo andando sobre as correntes do estacionamento. Acabaram se divertindo tanto que logo adaptaram a prática usando suas fitas de escalada."

A abertura do encontro será animada pela Escola de Samba do Santa Teresa.


OBJETIVOS


É preciso conscientizar a população sobre a importância de nossos recursos naturais e promover a cidadania e o voluntariado, por isto damos o primeiro passo, com o apoio indispensável do Grupo Renova Mata .


Convidamos não somente os cidadãos caxambuenses para participar do Encontro de Consciência Ecológica mas todos aqueles que visitam nossa cidade e sabem que é imprescindível trabalhar pelo planeta.


Na Praça 16 de Setembro haverá exposição de pintores locais, artesanatos e livros.  A APAC (Associação de Proteção dos Animais de Caxambu) participará e poderá oferecer amigos cães e gatos para quem se deseje adotar algum.
Após uma palestra sobre a importância do evento, os participantes serão divididos em grupos, de acordo com as atividades:Abraço nas Fontes; plantio  de árvores; coleta de lixo no Morro Caxambu nas Trilhas ecológicas e implantação de placas educativas.
É necessário conscientizar o cidadão de que não se deve jogar latas, sacolas plasticas e papel no ambiente.
O evento terá pontos de apoio para servir água e auxiliar os participantes, além de oferecer sanduíches para os que farão o trabalho pesado . Todos receberão material necessários para a atividade como luvas de borracha etc...
Haverá inscrições para os participantes do Segundo Encontro que será encerrado com um show de Ju Fernandes. No entanto, antes haverá sorteio de brindes oferecidos pelo comércio local com os participantes do evento.
Haverá pessoas para encher garrafas com água mineral do Parque das Águas e levá-las até os grupos de trabalho.
Breve história  
Por Diego Junqueira
O Slackline iniciou-se em meados dos anos 80 nos campos de escalada do Vale de Yosemite, EUA. Os escaladores passavam semanas acampando em busca de novas vias de escalada e nos tempos vagos esticavam as suas fitas de escalada, através de equipamentos, para se equilibrar e caminhar. O Slackline, também conhecido como corda bamba, significa "linha folgada" e pode ser comparado ao cabo de aço usado por artistas circenses, porem sua flexibilidade permite criar saltos e manobras inusitadas

Para quem é:

O Slackline é indicado para todas as idades. Desde crianças a partir de 05 anos à adultos com 80 anos. Muitos escaladores, skatistas e surfistas praticam o Slackline como uma forma divertida de treinar seu esporte, já que os movimentos e músculos usados são semelhantes aos realizados no Slackline.

O Slackline possui muitos benefícios físicos e também mentais. Destacamos o equilibrio, concentração, consciência corporal, velocidade de reação e coordenação como os maiores benefícios do Slackline. 

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

PARQUE DAS ÁGUAS DE CAXAMBU SERÁ TOMBADO. Entrevista com Carlos Fernando Moura Delphim, do IPHAN

COMO NASCEU O GEOPARQUE DE CAXAMBU

Por Esther Lucio Bittencourt

Caminhos do Parque das Águas de Caxambu
(ao fundo, o Balneário)

Como não se pode ouvir apenas a pessoa que conta o fato, mas todos os personagens de uma história, entrevistei por email o Sr, Carlos Fernando Moura Delphim, que esteve ano passado em Caxambu com o Presidente do IPHAN- Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional-, para estudar a possibilidade de atuar no sul de minas, região que, segundo ele, “tem sido injustamente esquecida pelo IPHAN.”

O Dr. Carlos faz parte da Comissão Nacional de Sítios Geológicos e Paleobiológicos – SIGEP e trabalhou na proposta do primeiro Geopark das Américas e do Hemisfério Sul.

    Dr. Carlos Fernando

Cara Esther,

Aí vão minhas respostas:

Esther - Por que escolheu Caxambu para sediar um Geoparque?

Carlos Fernando- Em companhia do Presidente do IPHAN, Luiz Fernando de Almeida, estive o ano passado no Sul de Minas para verificar a possibilidade de atuarmos nessa riquíssima região de Minas que tem sido injustamente esquecida pelo IPHAN que mais se ocupa do patrimônio de cidades barrocas e pouco atua nessa região.

Caxambu é uma cidade de importante valor histórico, paisagístico e edificado e nunca poderia ser esquecida em nossa viagem.
O Presidente queria que tombássemos o Parque das Águas.

Ao chegar aí verifiquei que o valor maior não é o paisagístico, é o hídrico. Aí tem uma das mais importantes diversidades de águas do planeta e seria um desafio e uma postura pioneira o IPHAN tombar o Parque por sua importância na preservação do mais importante patrimônio planetário, a água.

Voltei com a arquiteta Fátima de Macedo Martins que está fazendo o parecer sobre o tombamento, parecer que só não está pronto por falta de um mapa que o Gilberto Rossi está elaborando para nós.

Como sou membro da Comissão Nacional de Sítios Geológicos e Paleobiológicos – SIGEP e como já trabalhei na proposta do primeiro Geopark das Américas e do Hemisfério Sul, o Geoparque do Araripe no Ceará, ocorreu-me a feliz idéia de propor à UNESCO a criação de um Geoparque, acho que será o primeiro Geopark hidrogeológico do mundo.

Esther - Qual a amplitude do significado de um Geoparque?

Carlos Fernando- A amplitude será conferir um reconhecimento mundial .
A declaração de Geoparque pela UNESCO é uma forma de reconhecimento do valor planetário da geologia de um lugar.

Pode-se objetar que não é um sítio geológico mas hidrológico. Todavia todas as qualidades da água estão associadas à geologia da região.
O tombamento seria para Caxambu e a proposta de criar o Geopark será para todo o circuito das águas nessa região.

Com a criação espera-se que o turismo seja muito maior já que pessoas que nunca iriam aí para fazer estação de águas passariam a ir para efetuar estudos e conhecimentos mais científicos de geologia e hidrologia. Um geoparque contempla prioritariamente a geodiversidade, a educação sobre temas geológicos e a sustentabilidade dos lugares onde se situa.

Esther- Já conhecia a cidade de Caxambu?

Carlos Fernando- Conheço Caxambu desde criança, Foi aí que meus pais se conheceram e onde sempre me levaram para passear. Sou de Lavras e tive colegas de Caxambu no colégio em que estudei em Lavras. Aliás, nasci nove meses depois de meus pais terem passado uma temporada aí, as águas devem ter mesmo as qualidades que permitiram à Princesa Isabel engravidar.

Esther -Após a publicação do decreto pelo Prefeito de Caxambu quais as próximas etapas que cabem ao IPHAN realizar?

Carlos Fernando- O compromisso com a criação do Geopark não é do IPHAN, é meu.

O IPHAN tem atribuição de cuidar do patrimônio cultural brasileiro, o que fará ao tombar o parque das águas. Como a criação de um Geoparque considera a existência de patrimônio cultural e sítios ecológicos protegidos pela legislação do país onde se localizam, quanto mais formas de proteção legal recaírem sobre o sítio proposto, mais favorável poderá ser a decisão da UNESCO.

Esther- Qual a previsão de tempo para que a UNESCO reconheça o trabalho?

Carlos Fernando- Não posso prever, tudo depende de a proposta ser apresenta à UNESCO, da posterior elaboração de um dossiê, tarefa bastante complexa que envolve especialistas não apenas em geologia e hidrologia mas também em meio-ambiente e patrimônio cultural – e para isto o IPHAN não deverá poupar sua colaboração.

Normalmente um dossiê pede revisões e os prazos podem se estender até uma nova reunião do Comitê de avaliação, o que pode retardar em um ano cada tentativa.

Contudo, se o dossiê for feito a contento, cumprindo todas as exigências da UNESCO, exigências que envolvem informações técnicas, cumprimento de prazos, material cartográfico e outras, pode-se dizer que a previsão mínima é de um a dois anos após a elaboração e entrega do dossiê. Uma força política pode ajudar, assim como recursos financeiros dos quais, parece, a CODEMIG se encarregará.

Esther- Agradeço sua atenção, e desejo que de sua próxima vinda a Caxambu possamos conversar pessoalmente.

Carlos Fernando- Será um prazer encontrá-la pessoalmente!

Portanto, não é quimérico afirmar, após esta entrevista, que as águas de Caxambu não correm o risco de serem pleiteadas pela Nestlé ou qualquer multinacional que assim o pretenda visto que o Parque das Águas está sendo tombado pelo IPHAN e faz parte de um Geoparque de amplitude mundial.

Quando as autoridades municipais não criam obstáculo para o desenvolvimento da cidade as situações frutificam.

É o que vemos agora.

PERFIL DO ENTREVISTADO

“Carlos Fernando de Moura Delphim é engenheiro-arquiteto pela UFMG. Contratado em 1977 para restaurar o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, onde permaneceu até 1985, foi pioneiro na defesa dos jardins históricos no Brasil, passando a tratá-los como bens culturais segundo as normas internacionais de preservação.

Criador do Programa Jardins Históricos na Fundação Nacional Pró-Memória (1985-1990), é autor do primeiro manual de intervenções em jardins históricos no Brasil. Foi membro-suplente da Comissão O Homem e a Biosfera da UNESCO e Conselheiro-Titular decano no Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA como Representante do Ministério da Cultura.

Emitiu pareceres sobre inclusão de paisagens na Lista de Patrimônio Mundial da Unesco, como as florestas tropicais úmidas de Queensland, Austrália, adotado como a posição oficial do Brasil.

Trabalhou como Coordenador Departamento de Proteção do IPHAN-RJ, Brasília, DF, responsável pelo patrimônio arqueológico e pelos bens culturais tombados em nível federal, sendo atualmente assessor da direção do IPHAN no Rio. É professor convidado da UNB em Brasília e da Universidade Católica de Goiânia.

Suas atividades profissionais desde 1977, compreendem projetos e planejamento para manejo e preservação de sítios de valor paisagístico, histórico, natural, paleontológico e arqueológico em diversas cidades brasileiras desde 1977.

Entre seu projetos destacam-se: Restauração do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Memorial da América Latina em São Paulo, Jardim Botânico de Brasília, Jardins do Brasil – The International Garden and Greenery Exposition em Osaka, Japão, e o Superior Tribunal de Justiça em Brasília."

Dados biográficos colhidos na vitruvirus em entrevista a Ana Rosa de Oliveira.


Fotos do Parque das Águas de Caxambu
Por Ana Laura Diniz e Bianca Monteiro


O lago, onde funciona também o pedalinho
A entrada da gruta existente no parque
Dentro da gruta
Trabalhadores cuidando do parque