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sexta-feira, 29 de abril de 2011

IVON CURI, O CHANSONNIER: NA ÉPOCA DA RÁDIO NACIONAL

Entrevista com  Roosevelt Bechara Curi, irmão de Ivon  Curi


Por Esther Lucio Bittencourt

Foi na Pasárgada, Galeria de arte de Pedro Leal que encontramos um dos irmãos de Ivon Curi. Lembram, o chansonier, o cantor do Retrato de Maria? Ele nasceu e morou em Caxambu e quem nos conta a história dele e da família é Roosevelt Bechara José Curi, meio irmão, por parte de pai do Ivon e o caçula da família que fará 70 anos em agosto.

Nasceu em 1941, em Caxambu onde viveu até março de 1954, quando perdi meus pais, José Kalil Curi e Zilah Miranda de Oliveira Curi.




“Bem, a história é a seguinte: meu pai casou-se quatro vezes. A primeira esposa morreu durante o parto do primeiro filho, que também faleceu. Posteriormente casou-se com a irmã de sua mulher que morrera e que também faleceu da mesma maneira. Aí ele tentou uma terceira vez. Nasceram sete filhos; Geny, Edith, Jorge, Farid, Walter, Adib e Ivon. Mas aí a terceira mulher faleceu também. Ele casou-se com a quarta. E aí eu nasci.

Morávamos todos aqui onde hoje é a Padaria Santa Clara. Não tenho mais casa aqui. Estou comprando um apartamento no Edifício Demétrio Jamal, mas minha cunhada, a mulher do Ivon, mantém uma casa aqui no bairro federal.


Ivon Curi
Foto: Google Images
A família saiu de Caxambu para tentar a vida no Rio de Janeiro. Então, três dos irmãos se tornaram conhecidos no rádio, Jorge foi o primeiro. Era locutor esportivo, mas a profissão original dele era dentista. Como se deu tão bem como radialista deixou a profissão antiga. E o Alberto Curi, que também trabalhou em rádio e o Ivon, que era o mais conhecido.




Despedida de Jorge Curi na rádio Globokhz 1220 em 1984

Vamos recordar a voz do Ivon Curi: ele canta “Delicadeza”, em 1956, no filme “Depois eu Conto” de José Carlos Burle e Watson Macedo. Na cena estão Dercy Gonçalves e Eliana Macedo.



Delicadeza" é um fox de Pedro Rogério e Lombardi Filho, e foi gravado por Ivon Cúri na RCA Victor em 12 de agosto de 1955, com lançamento em outubro do mesmo ano (78 rpm 80-1513-B, matriz BE5VB-0846)

Hoje Roosevelt está aposentado após ter trabalhado muitos anos na Varig, lidando com importação e exportação.

“Venho todo mês à Caxambu onde ainda tenho parentes, primas, primos... então venho sempre. É minha terra e gosto muito daqui.

Nasci aqui durante a segunda guerra mundial, quando ela terminou tinha 4 anos de idade e em Caxambu não houve racionamento, falta de alimentos. Os ecos que aqui chegavam, para mim, passavam desapercebidos. Talvez por ser uma cidade do interior, mais tranquila.

Só sei que meu pai, durante a guerra, ele que era comerciante, tinha uma espécie de armarinho, vendia de tudo, perdeu seu negócio. Mas depois se recuperou.

Hoje todos os irmãos estão mortos, menos eu e o Farid que mora no Rio, mas sempre tive um bom relacionamento com o Ivon. Era o irmão mais próximo. Quando meu pai morreu ele me assumiu, cuidou de mim e me encaminhou na vida. Ele foi um ser humano fantástico! Aliás, uma das características mais marcantes do Ivon, é que gostava de ajudar as pessoas. Não só os familiares como também os amigos. Como tinha muito conhecimento no meio artístico de forma direta ou indireta sempre estava ajudando alguém.

A música que mais gosto das que ela cantava, e ele era um bom compositor também, era “Escuta”, feita por ele, que também foi gravação da Ângela Maria e, agora, a Ângela e o Emílio Santiago fizeram uma gravação desta música que está maravilhosa.



E tem também “O Retrato de Maria”, composição dele e que somente ele cantava. Ele se apresentava no palco com uma foto, fazia pepel de embriagado, fala com o retrato e, no final, ele rasga o retrato e começa a chorar.”

RETRATO DE MARIA - SILVIO BRITO imitando Ivon Cury no "Jô Soares”



Ivon Curi, nascido em 5 de junho de 1928, passou a infância e a adolescência em Caxambu. Em 1940, quando mudou com a família para o Rio trabalhou na Pan American Airlines em terra. Iniciou sua carreira artística como cantor em 1947, contratado como cantor principal da orquestra do maestro Zaccarias, do Hotel Copacabana Palace.Em 1960, gravou, ao lado de Elizeth Cardoso, um jingle para a campanha vice-presidencial de João Goulart.

“O Jorge e o Adib, que era o Alberto, ajudaram o Ivon a iniciar no rádio. Eles já trabalhavam na rádio Nacional e ajudaram-no . Ari Barroso o apreciava muito . Ivon ficou conhecido como chansonnier, por sua voz aveludada, a capacidade interpretativa e porque apreciava o repertório francês, com perfeita pronúncia do idioma.”

Forró do miudinho

A solidão do braço e do vinil girando no prato da vitrola

Ivon Curi aos 11 anos venceu um concurso de calouros em Caxambu e, no Rio trabalhou também no Laboratório Silva Araújo antes de se tornar crooner. Em 1947 foi contratado pela Rádio Nacional e depois pela Tupi. Com “L avie em Rose “ e “Pigalle” estourou nas parades de sucesso.

Sua primeira gravação foi “O Adeus”, música de Dorival Caymmi, mas sem qualquer êxito comercial. Na rádio Nacional era o astro do programa “Ritmos da Panair” Em 50 foi eleito o Rei do Rádio . Na época seus discos 'Me Leva' (com Carmelia Alves), 'Farinhada', 'João Bobo', 'Feijão', 'Ta Fartando Coisa em Mim', 'Amendoim Torradinho' e 'Xote das Meninas' ficaram entre os dez mais vendidos do país.

Nesta ocasião excursionou pelo Brasil e pela Europa e tornou-se, definitivamente one man show, como se dizia á época. Nos anos 60 , com o movimento jovem guarda, deixou de gravar e dedicou-se ao seu restaurante “Sambão e Sinhá” que vendeu em 1984 e foi excursionar por Portugal onde fez enorme sucesso e voltou à televisão e aos discos.

IVON CURI - PROCURANDO TU



PERGUNTAS DE ANA LAURA DINIZ

Ana Laura - O Ivon Curi, faria sucesso no Brasil de hoje?

Roosevelt - Seria muito difícil para ele fazer sucesso no Brasil de hoje porque o tipo de música que se faz hoje não se encaixaria bem no repertório dele

Ana Laura - Qual a sua visão do Brasil de antes e o de agora, na questão musical e cultural?

Roosevelt - Na questão cultural eu acho que houve evolução, mas a época em que ele viveu também foi muito boa, muito rica . A Rádio Nacional na época era considerada como hoje o é a TV Globo. Os melhores programas eram da Rádio Nacional que tinha muitos ouvintes. Ele sofreu como todos os artistas as sanções impostas pela ditadura, mas sobreviveu.

IVON CURY, 1957, DE LUIZ VIEIRA, "ESTRADA DO COLUBANDÊ"


Colubandê, que dá título a este xote de Luiz Vieira, é um distrito da cidade fluminense de São Gonçalo. Ivon Cúri o gravou na RCA Victor em 11 de janeiro de 1957, com lançamento em abril do mesmo ano (78 rpm 80-1767-A, matriz 13-H2PB-0015), e logo em seguida o próprio Luiz também a gravou na Copacabana. "Garotas e samba" tem metragem total de 103 minutos, mas a cópia disponível tem várias cenas cortadas, inclusive números musicais.

Ouça Roosevelt Bechara Curi cantando a capella!

domingo, 27 de março de 2011

SENHORA DO TEMPO. ZYU 4 - RÁDIO CULTURA DE SETE LAGOAS

Por Vera Guimarães

Foi a amiga Esther quem deu o mote: “Vera, você escutava rádio na infância?”

Eu sou da era do rádio. Na minha casa sempre teve um aparelho ligado o dia inteirinho.  Na beira do fogão, na sala, na máquina de costura da irmã mais velha. De manhã, à tarde, de tardinha, à noite. E quase sempre sintonizado na rádio local, a muy valorosa ZYU 4 - RÁDIO CULTURA DE SETE LAGOAS, ou na RADIO NACIONAL.

Foto: Google Images
Eu era fascinada pela nossa emissora. Quando a Rádio Cultura funcionava nos altos da Chevrolet, não sei o que que eu ia fazer lá, mas eu ia. Ver os locutores, os equipamentos, a discoteca, não sei, mas eu ia. Talvez desfazer o mistério que eram as vozes chegando ao radinho. Talvez dar asas ao meu encantamento com letras e músicas, ver capas de discos.

Depois que a rádio se mudou para o prédio próprio na Avenida, continuei indo lá. Além de ir por ir, eu ia aos programas de auditório. Ao Programa Infantil, para ver e ouvir Iza Marília e Manoelita Maria, cantoras de vozes potentes, meninas cheias de graça e charme. Iza Marília, coquete e animada, não sugeriria jamais que se tornaria a jovem concentrada e aluna brilhante e hoje adulta zen, professora de ioga. Manoelita Maria se tornou a atriz, jornalista e escritora Manoelita Lustosa, e concretiza, no 2º. tempo, sua vocação para o palco.

Havia outros programas de auditório. Eu me lembro vivamente do grupo musical que ali executava temas instrumentais, ou acompanhava os cantores. Era o nosso “regional”, de corda, sopro e percussão. Do lado esquerdo do palco, muito bem arrumados e sérios, ficavam os músicos. Não sei se eu lhes dava o devido valor, mas sei que hoje teria o maior apreço por eles, principalmente se pudesse ouvi-los novamente a tocar nossos choros.

Quando passava férias nas fazendas dos tios, percebia que, de madrugada, eles sintonizavam em algum programa de música sertaneja e de recados. (“Ô, Tiana, lá do Brejo, sua irmã mandou avisar que o Joacir saiu do hospital hoje!”). Atualmente, quando vou a Sete Lagoas, escuto o Guará no seu programa de utilidade pública e música, já completando 40 anos no ar.

Ao longo do dia vinham programas variados, com músicas de algum lugar do mundo: Festa Portenha, Boleros y otros Ritmos Caribeños, Canções Napolitanas, Valsas Vienenses, Jazz, Fados e mais Fados, Itália Querida, ocasiões em que sonhávamos com lugares distantes e cantávamos junto aquelas canções, no nosso inglês embromation, italiano macarrônico, portuñol lerrítimo, alemão das aftas arden.  

Na hora do almoço tinha a crônica do dia e as notícias, e, depois do almoço, as músicas oferecidas aos aniversariantes ("A seguir, La Golondrina, que Márcio Coelho oferece a sua mãe pelo aniversário. Parabéns, dona Vivi!"). Havia uma família que, em dia de aniversário de alguém do clã, comprava a tarde inteirinha.

Aí passávamos para a RADIO NACIONAL, onde ouvíamos consternadas os episódios do PRESÍDIO DE MULHERES, algo meio proibido pra minha idade, mas, já que minha mãe gostava de ouvir, eu pegava carona. Em algum dia da semana tinha o INCRÍVEL, FANTÁSTICO, EXTRAORDINÁRIO, com a dramatização de algum fato bizarro, sobrenatural, fantasmagórico ou fora do comum. Morríamos de medo já na abertura: “E abrem-se as cortinas negras do teatro do outro mundo!”

 À noite, novelas, principalmente O DIREITO DE NASCER, cuja trama eu não compreendia muito bem, aqueles lances de um filho do pecado, a mãe que vai pro convento, mas também não se podia perguntar muito.

Meus irmãos tinham especial predileção pelos programas humorísticos e enchiam a casa com sonoras gargalhadas durante o PRK-30 e um outro bem paulistano, acho que com os Demônios da Garoa e Adoniram Barbosa, “despois que nóis vai, despois que nóis vorta”.
PRK-30

Humorístico também era o BALANÇA, MAS NÃO CAI, de quadros que satirizavam aspectos da política, do dinheiro, classes sociais e comportamento, com piadas de duplo sentido e bordões que nos acompanhavam por décadas. Os herdeiros desses programas ainda hoje põem o dedo na ferida nacional dos políticos corruptos, da hipocrisia e da injustiça, mas também cometem crueldade com minorias e diferenças.

Nossa curiosidade com os astros do rádio era alimentada por publicações, como REVISTA DO RÁDIO e CINELÂNDIA, que traziam fofocas, a agenda e a intimidade deles. Nada muito diferente de hoje.

Foto: Google Images
Nas minhas andanças durante a vida universitária, levei para todos aqueles endereços meu radinho de cabeceira. Até hoje, em casa e no carro, gosto de passear pelas rádios. Gosto do acaso e do imprevisível, gosto da variedade, gosto de ficar por dentro do que tocam até as emissoras que não são exatamente da minha preferência.

Aquele rádio da minha infância, permanentemente ligado em vários cômodos da casa, aguçou meu interesse pela música e pelo mundo ao meu redor. E, principalmente, me trouxe o gosto por cantarolar, cantar, o que, apesar da voz pobrinha, faço até hoje, em qualquer lugar, meio sem noção e sem censura...

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

"O JAZZ" DO SERTÃO. ReCApiTULLandO a PAIXÃO

Por Ana Laura Diniz

Oh, que saudade do luar da minha terra
Lá na serra, branquejando 
folhas secas pelo chão
Este luar cá da cidade tão escuro
Não tem aquela saudade do luar lá do sertão...

Desde o dia em que soube que a Sonja, uma amiga querida que mora há anos em Londres, compartilha do mesmo gostar em relação ao Catullo da Paixão Cearense, penso nela quando o escuto.

Ontem não foi diferente. A noite fria, incomum até então no verão, e estrelada, levou-me numa melodia assoviada a essa lembrança.

Ainda menino, o filho do ourives Amâncio José da Paixão Cearense e de Maria Celestina Braga deixou a cidade de La Ravardière, no Maranhão, e partiu com a família rumo ao sertão cearense para a fazenda dos avós paternos. 

Ao contrário do que possam imaginar, a seca jamais existiu: bebeu sabedoria de gente simples, embrenhou-se entre os matutos e abraçou a viola como eterna companheira.

Se a lua nasce por detrás da verde mata, 
mais parece um sol de prata
prateando a solidão
e a gente pega na viola que ponteia,
e a canção é a lua cheia
a nos nascer do coração...



Além de violonista, foi flautista, letrista, cantor e poeta. Sua primeira modinha “Ao Luar” (1880) deu margem a muitas outras como “Talento e Formosura” (1906) e “Caboca de Caxangá” (1913). 

Poucos retrataram tão bem a face do boêmio apaixonado.

Aos 17 anos, Catullo deixou o Ceará e mudou com a família para o Rio de Janeiro. Nada mais o afastou da música. Nem fatos políticos como a Proclamação da República e as crises políticas dos presidentes Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto por ele vivenciados.

Em 05 de julho de 1908, ele firma definitivamente os passos para a história da música brasileira ao levar o violão das rodas de seresteiros para os conservatórios eruditos de música, a convite do maestro Alberto Nepomuceno. Resultado: passou a ser respeitado pela crítica e merecidamente ovacionado pelo público.

Não há oh! gente oh! não 
luar como esse do sertão...



Seu auge foi na Rádio Nacional do Rio de Janeiro com “Luar do Sertão” (1910), que chegou a inspirar escritores como Lima Barreto – que tirou as vestes de Catullo para cobrir o personagem Ricardo Coração dos Outros, um violonista compositor de modinhas, coadjuvante do clássico pré-modernista “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, obra que ressalta e denuncia os causos políticos e históricos ocorridos justamente durante à fase de instalação da República, mais precisamente no duro governo de Floriano Peixoto (1891-1894).



É, mas o que suscita luxo atrelado à fama, engana. A ida ao Rio foi também tingida pelo falecimento da mãe, e três anos depois, o do pai. Sem opção, durante o dia o boêmio trabalhava no cais como estivador, e às noites, quando dava tempo, reservava-as às canções.


Coisa mais bela 
neste mundo não existe
do que ouvir um galo triste
no sertão se faz luar
parece até que a alma da lua que descansa
escondida na garganta 
desse galo a soluçar...



Mas como mesmo o que é bom um dia acaba, no dia 10 de maio de 1946 Catullo veio a falecer. Como muitos que foram grandes, morreu à míngua: sua única renda, provinda dos direitos autorais, foram vendidos por merreca para um amigo. Terminou a vida em uma modesta casa de madeira no subúrbio carioca de Engenho de Dentro, com a poesia e a viola debaixo do braço.

Ai quem me dera que eu morresse lá na serra
abraçado à minha terra
e dormindo de uma vez
Ser enterrado numa grota pequenina
onde à tarde, a Sururina 
chora a sua viuvez...



Mas como sempre, parte o artista, jamais a sua obra. Nomes como o de Vicente Celestino, Paulo Tapajós, Orlando Silva, Carlos José, Luiz Gonzaga e Milton Nascimento bem representaram Catullo. As últimas regravações feitas primorosamente nos quesitos – interpretação, harmonia e arranjo – foram de Marisa Monte, em “Ontem ao Luar” (no original de Pedro de Alcântara, parceiro de Catullo, chamava-se “Choro e Poesia”), no compacto simples “Marisa Monte”, de 2001; e Maria Bethânia, que interpretou “Luar do Sertão”, em seus álbuns “A força que nunca seca”, de 1999, e “Brasileirinho ao vivo”, de 2004.

Quanto a Bethânia, saibam, devem sempre suspeitar de meus escritos porque não poupo adjetivos: sou fã fervorosa dessa mulher, de quem, certamente, falarei um dia, bem mais adiante.

Hoje fico com Catullo. E a Paixão que nunca morre.

Discografia

- Catullo da Paixão Cearense nas vozes de Vicente Celestino e Paulo Tapajós (relançado em CD, 1994);
- Catullo – O poeta do sertão (1958, vinil);
- Catullo – Intérprete: Tenor Vicente Celestino (1955, vinil);
- História da música popular brasileira, vol. 38 – Catullo da Paixão e Cândido das Neves;
- Luar do Sertão – Paulo Tapajós com orquestra e coro interpreta Catullo da Paixão Cearense (vinil).


Marisa Monte em "Ontem ao Luar"


Maria Bethânia em "Luar do Sertão"