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quinta-feira, 3 de maio de 2012

DIÁRIO DE UMA ADOLESCENTE. DESVENTURAS EM SÉRIE

Por Bianca Monteiro

Em alguns textos mencionei meus hábitos de leitura quando criança, uma vez frequente, hoje atrofiado pela falta de tempo, e em outros 90% mencionei meu hábito de escrever.

Nesta semana, uma amiga me perguntou numa rede social sobre algo que eu estava com saudade, e me lembro muito bem, mesmo sem falar deste assunto há tempos. Vontade nunca me faltou, o problema era não ter com quem falar sobre... Enfim, resolvido num texto gigantesco e super nostálgico.

"Desventuras Em Série" foi uma série de livros que, apesar de bastante conhecida, nunca teve o mesmo apelo publicitário do que "Crepúsculo" ou "Harry Potter". Principalmente porque a adaptação dos 3 primeiros livros ao cinema, mesmo com o tão aclamado Jim Carrey como o vilão Conde Olaf, não fez tanto sucesso. Particularmente, não sei por que. Mas entendo que a sensação dos livros é completamente diferente e seria impossível de passar nas telas, e era este o motivo da minha tamanha obsessão por anos. Além de tudo, foi uma parte da minha história.

Tudo começou em 2004, quando eu tinha 8 anos e vi o filme. O comecinho me assustou. Mas obviamente me apaixonei no fim, e achei genial. Muitos meses depois, eu já havia esquecido, e por acaso encontrei o quarto livro numa loja. Pedi incessantemente a minha mãe que comprasse, mas, o primeiro volume estava esgotado. Tive que superar essa... Só o ganhei de natal da minha tia, no mesmo ano, e li em 30 minutos. Era uma traça de livros como meu personagem favorito Klaus, um poço de curiosidade. E a partir daí, em 2005/2006, sempre que podia, devorava um novo volume e comprava o próximo, assim li até o 11º. Em janeiro de 2007, li o 12º (que é meu favorito até hoje) e no primeiro dia de aula li o 13º e último da série. Enrolei um tempo nesse, por querer prolongar meu carinho... Mas infelizmente tudo teve que acabar.

Em síntese, é a história de 3 órfãos geniais (Violet, 14 anos, inventora. Klaus, 12 anos, leitor assíduo. Sunny, um bebê mordedor de objetos e muito ciente de tudo) cujos os pais morreram em um incêndio misterioso e um ator perverso que os persegue interessado em sua herança. Passaram anos a fugir, trocando de tutores, mesmo assim sem sucesso. Paralelamente, há a história do narrador, que também é um personagem distante, porém mais presente do que imaginamos. Nisso há suspense, disfarces, assassinatos, fugas, mal-entendidos, uma organização secreta, mistérios (alguns sem resolução), e personagens hilários e únicos. O que mais gostava sobre eles é que mesmo tendo bem definidos "vilão" e "mocinhos", você sempre tem um espaço pra decidir o que pensa e mudar seus conceitos sobre eles. São como seres humanos, indefinidos, "maus" ou "bons" dependendo da atitude. O autor também faz diversas paradas pra falar de coisas aleatórias (que há pouco descobri chamar "apóstrofe"), inspiradas no estilo de Douglas Adams (atualmente meu ícone ateísta), contendo além de humor, assuntos e referências muito inteligentes que me ensinaram grande parte das coisas que sei hoje e que me lembro de ter aprendido por conta própria. 13 livros pequenos que parecem passar até despercebidos diante do vício.

A pior parte é que, honestamente, eu acreditava naquilo com toda a minha alma. Queria fazer parte da organização, ser biógrafa e dedicar minha vida a investigar todos aqueles acontecimentos misteriosos a respeito dos incêndios. Então mesmo se encontrar outra série de livros que resgate meu interesse, provavelmente nunca me envolverei tanto quanto foi com essa. O autor, Lemony Snicket (ou Daniel Handler, descobrir que era um pseudônimo, só um personagem, foi tipo a pior decepção da minha vida), era meu ídolo assumidamente na escola, e minha inspiração em todos os sentidos. Eu não falava de outra coisa... Minhas redações eram todas inspiradas ou sobre a série. Pra ser sincera, o papel do Lemony na minha vida foi me inspirar (e muito) na escrita, e é assim até hoje. Não consigo mais ler livros, porque nenhum autor escreve com o humor dele, com os detalhes, as metáforas. Era uma obsessão, eu estava fascinada. É claro que depois de alguns anos os hormônios sufocaram tudo isso e esse fato foi a única coisa capaz de me desvencilhar.

Até tento voltar a estes tempos pela nostalgia, reli o 12º livro em inglês, e alguns extras que não foram lançados no Brasil, como o The Beatrice Letters e o Notourious Notations. Reli também meu "livro de lugar-comum" da época (ainda tenho um nos dias de hoje, o caderninho moleskine inseparável), repleto de descobertas e minhas tentativas/palpites de decifrar códigos enquanto lia os livros, e a Autobiografia Não-Autorizada umas 30 vezes sem dúvida. Vi o filme todas as vezes possíveis, já que mostro o dvd a todos... Mas o que me fez matar a saudade do estilo genial do Lemony foi o "Raiz Forte" que foi traduzido e lançado recentemente, com frases inspiradoras e como sempre engraçadas.

Enfim... Desventuras em Série é muito mais que uma série de livros. É uma fase da minha vida que nunca vai passar.



(pensei em colocar um "Aqui o mundo é sereno" ou um "Respeitosamente", mas é melhor deixar pra lá).

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

BIENVENUE CHEZ LES CH'TIS

Por Esther Lucio Bittencourt


“Bienvenue Chez Les Ch'Tis” é o filme que vi pela segunda vez entre ontem e hoje. O título em português é “A Riviera não é aqui” porque, certamente, alguns raros saberiam o que significa ch`tis.

Trailer do filme



No filme, acreditamos que em Bergues, onde ele se passa, todos falam o ch’tis. Mas não é bem assim. Na França, numa rápida planagem, temos a língua d’oc e a d’oil. A d’oc é a da ocitania, são os dialetos do sul da França. A d’oil são os dialetos do norte, os normandos à oeste , e o picard também . A lingua d´oil, originária do latin culto, deu origem ao idioma francês..

O termo chti ou chtimi foi cunhado durante a primeira guerra mundial pelos soldados que não eram do nord  pás de calais, composto de 22 regiões, dentre elas cambrai, onde Marcel Proust, autor de “em busca do tempo perdido” ia com sua avó gozar das estacões termais, como conta no romance.


O ch’tis É o patoi, que uma parte da população fala na região que faz fronteira com a Bélgica, na realidade um patoi do picard, ele também um patoi.

Conto isto porque amei a cidade de Bergues com suas construções medievais de ruas estreitas, o campanário onde cerca de 50 carrilhões são tocados por um carteiro, no filme, mas é como as capitanias hereditárias, tocar os carrilhões é uma tradição que privilegia uma família.

Para se ter uma idéia da diferença entre o francês e o ch’ti vejam o glossário do dialeto, proveniente do latim vulgar http://www.chti.org/chti/glossaire/index.php.

Lembrei-me dos chiados dos que moram no Estado do Rio de Janeiro ao falar os esses e ce agas. Sou de lá, moro em Minas Gerais, mas chio sempre. Viu, biloute? Hã!!!!

Sobre privilégios, enganos e estereótipos é construída esta comédia onde o belga Jacques Brel canta “Le Plat Pays”



Le Plat Pays

Avec la mer du Nord pour dernier terrain vague
Et des vagues de dunes pour arrêter les vagues
Et de vagues rochers que les marées dépassent
Et qui ont à jamais le cœur à marée basse
Avec infiniment de brumes à venir
Avec le vent de l'est écoutez-le tenir
Le plat pays qui est le mien
Avec des cathédrales pour uniques montagnes
Et de noirs clochers comme mâts de cocagne
Où des diables en pierre décrochent les nuages
Avec le fil des jours pour unique voyage
Et des chemins de pluie pour unique bonsoir
Avec le vent d'ouest écoutez-le vouloir
Le plat pays qui est le mien
Avec un ciel si bas qu'un canal s'est perdu
Avec un ciel si bas qu'il fait l'humilité
Avec un ciel si gris qu'un canal s'est pendu
Avec un ciel si gris qu'il faut lui pardonner
Avec le vent du nord qui vient s'écarteler
Avec le vent du nord écoutez-le craquer
Le plat pays qui est le mien
Avec de l'Italie qui descendrait l'Escaut
Avec Frida la Blonde quand elle devient Margot
Quand les fils de novembre nous reviennent en mai
Quand la plaine est fumante et tremble sous juillet
Quand le vent est au rire quand le vent est au blé
Quand le vent est au sud écoutez-le chanter
Le plat pays qui est le mien

A Riviera Não é Aqui/Bienvenue Chez les Ch’tis
De Dany Boon, França, 2008


Com Kad Merad (Philippe Abrams), Dany Boon (Antoine Bailleul), Zoé Félix (Julie Abrams), Lorenzo Ausilia-Foret (Raphaël Abrams), Anne Marivin (Annabelle Deconninck), Philippe Duquesne (Fabrice Canoli), Guy Lecluyse (Yann Vandernoout), Line Renaud (a mãe de Antoine).
  • Roteiro Dany Boon, Alexandre Charlot e Franck Magnier
  • Fotografia Pierre Haïm
  • Música Philippe Rombi   
  • Produção Pathé, TF1 Films, participação Région Nord-Pas-de-Calais. DVD 
  • Flashstar.
  • Cor, 106 m