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quarta-feira, 26 de outubro de 2011

NA ANPOCS, FILÓSOFO APRESENTA DEBATE SOBRE A CRÍTICA DA RAZÃO EM MICHEL FOUCAULT - DO PASSADO À REALIDADE

Por Ana Laura Diniz

Diego Kenji Marihama: o professor e
filósofo faz uma análise da real identidade do político
Presente no 35º Encontro da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs), em Caxambu, no Sul de Minas, o professor e filósofo Diego Kenji Marihama apresenta esse ano um debate sobre “A Crítica da Razão Governamental em Michel Foucault”. 

Na entrevista exclusiva para o jornal Primeira Fonte, ele afirma - entre vários aspectos - que a sua ideia foi a de examinar a crítica governamental moderna efetuada por Foucault a partir de uma certa leitura que faz de Kant.

Primeira Fonte (Pêéfe) - Qual foi o tema que você desenvolveu esse ano?


Diego Kenji Marihama (DKM) – O meu tema partiu do seguinte pressuposto: Michel Foucault em uma conferência nos Estados Unidos explica o significado real da Filosofia que é de efetuar uma “crítica a razão política”.

“(...) depois de Kant, o papel da filosofia tornou-se o de impedir a razão de ultrapassar os limites daquilo que é dado na experiência, mas a partir desta época, (...) o papel da filosofia tornou-se também o de vigiar os abusos de poder da racionalidade política”. (Foucault, 1994, p. 181).
Michel Foucault: o filósofo e psicológico leu
Platão, Hegel, Marx, Nietzsche, Freud, Lacan
e outros, aprofundando-se em Kant, embora
criticasse a noção do sujeito enquanto
mediador e referência de todas as coisas,
 já que, para ele, o homem é produto
das práticas discursivas
 

Neste sentido, venho estudando desde outubro de 2010 a obra “Vigiar e Punir”, de Michel Foucault, tendo como apoio os artigos de Michel Senellart, professor de Filosofia Política da École Normale Supérieure de Lyon, no qual utilizo o seu tema para o debate na Anpocs - “A Crítica da Razão Governamental em Michel Foucault”.

Pêéfe – "Vigiar e Punir" é uma vasta pesquisa sobre a disciplina na sociedade moderna, que para Foucault, era "uma técnica de produção de corpos dóceis". Em seus escritos sobre medicina, Foucault criticou a psiquiatria e a psicanálise tradicionais. Qual foi o motivo da escolha por esse tema? De onde surgiu essa ideia?

DKM -
O grupo de trabalho do qual faço parte neste ano, tem como tema geral “O Comportamento Político”. Assim, cada estudante desenvolve ideias a respeito de tal comportamento.

A minha escolha, em particular, é a de examinar a crítica governamental moderna efetuada por Foucault a partir de uma certa leitura que ele faz de Kant. 

Pêéfe - Tem como traçar um paralelo de importância entre o seu tema do ano passado e o desse ano?

DKM - No ano passado, fiz um estudo sobre a delimitação entre o campo e a cidade se perdendo naquilo que conhecemos por Urbanismo. A análise foi em torno de duas cidades, Varginha e Pouso Alegre, ambas situadas no Sul de Minas Gerais.

O estudo analisou que embora essas cidades tenham proximidades com números de habitantes, são complexas, distintas por determinados objetos, por exemplo, um Mc Donald’s.

Neste ano, o estudo foi voltado aos abusos do poder enfatizando os políticos brasileiros, tendo como discussão o Ministério dos Esportes.

Pêéfe - Qual a sua visão de mundo hoje?

DKM - A conclusão que estamos percebendo nesse Encontro da Anpocs é a de que precisamos trabalhar mais nas escolas, nos grupos sociais, na religião, no trabalho, no lazer, naquilo que conhecemos por valores.

A política é importante e faz parte da vida do ser humano. Segundo Aristóteles, o homem é por natureza um ser político capaz de trabalhar em sua mente estratégias, habilidades, discussões, que jamais outro animal portará. “Quando Aristóteles definiu o homem como animal político é porque, na sua concepção, a própria razão é, essencialmente, política”.

Essa racionalidade, por sua vez, desenvolve nos indivíduos aspectos coletivos, sendo eles éticos (valores sociais, princípios morais). Neste aspecto é que analisamos a real identidade do político deixando para os ouvintes concluir a respeito.

Pêéfe - Faça um resumo da sua apresentação.

DKM - É importante ressaltar a ementa do nosso grupo de trabalho - “Comportamento Político” - o qual buscamos responder ao longo do Encontro. Entenda por isso o seguinte:

Ementa - Quais são os determinantes das distintas formas de participação política, como votar, se engajar em organizações da sociedade civil, participar de campanhas eleitorais e em protestos políticos? O que leva grupos e indivíduos a fazerem certas escolhas políticas; a terem certas preferências políticas? Por que indivíduos colaboram com outros na busca de soluções para problemas coletivos, mesmo quando a participação individual não traz ganhos imediatos?

Essas são as questões chave que orientam debates fundadores da ciência política contemporânea. Tais perguntas deram origem às diversas linhas de pesquisa que compartilham interesses comum:

1) A compreensão de fenômenos e processos mediante os quais indivíduos se informam, formam seus valores, crenças, atitudes políticas e sociais, e tomam decisões;

2) O enfoque na política de massas, em como cidadãos comuns pensam sobre política, economia e sociedade.

Propomos aqui um espaço destinado à discussão dos temas acima, iniciado nos trabalhos sobre o Comportamento Político no último encontro da Anpocs, voltado para o debate, a mensuração e a análise das opiniões, das crenças, das atitudes e das escolhas políticas dos públicos de massa no Brasil e Américas.     

quinta-feira, 19 de maio de 2011

HELLO DOLLY! O HOMEM A MÁQUINA E A CHARRETE!

Por Dorothy Coutinho
 
Vá entender porque as pessoas se apaixonam por outras pessoas ou por tantas outras coisas materiais! Mistérios a serem desvendados.
 
Uma paixão misteriosa é a do homem pelo seu carro. Para ele a sensação de que basta espremer um pequeno acelerador para ter vários cavalos de força sob seu comando é um dos maiores prazeres que o mundo moderno proporciona. Homem e máquina. Uma coisa só. O motor é a sua energia, o sistema elétrico são os seus nervos nem sempre em perfeita sincronia, os pneus são suas garras de tigre devorando as distâncias sem esforço. A gasolina é seu sangue e as prestações a pagar, bem essas são seus vínculos com a realidade e com seus limites humanos.
 
Por vezes a identificação do homem com a máquina vai longe demais. Foi o caso do homem que ao bater o seu carro, mesmo sem ter se machucado passou a sentir as dores do carro. Durante a noite ele gemia como se fosse o carro. Sentia dores no lado, onde a lataria foi amassada, dor no olho que correspondia ao farol quebrado. Acordava de manhã com dores generalizadas no esqueleto que correspondia ao abalo da estrutura do carro. O pior segundo sua mulher, eram as manchas de óleo no lençol. Loucura!
 
Há casos mais graves, segundo depoimentos de vários terapeutas.
- “Me apaixonei por uma Kombi, doutor. Quando estou dentro da Kombi só penso nela. Nas suas formas. No calor do seu estofado. No seu volante roliço em minhas mãos”. - “Meu problema é que minha mulher ainda não sabe, e não sei como contar a ela. Até já sei o que ela vai dizer: - ou a Kombi, ou eu”.
O terapeuta teria dito e perguntado ao homem:
- Você deve pesar bem a situação. De que ano é a sua mulher? Ela carrega qualquer tipo de carga? E suas cadeiras, também são removíveis?
 
 Outro mistério da paixão é a do homem ciumento com a sua máquina.
- Limpando o seu carro de novo? - Só dando um brilho. - Mas às quatro da manhã? - E daí? - Se você me desse uma metade da atenção que dá a esse carro! – Reclama a mulher. - Ora, meu bem, que bobagem, vem aqui. E passa a flanela nas costas da mulher. Sem tirar os olhos do carro.
 
São homens que, de fora dos seus carros fazem todas as concessões em nome da cortesia e da boa convivência. Respeitosos, pacíficos, solícitos – uns pedestres! Mas dentro das suas máquinas, valha-me Nossa Senhora!!!!!
A civilização desaparece e a besta toma conta. Alguns se reportam à legítima defesa. Os culpados são os palermas que querem deter a sua marcha, arranhar seu pára-lama ou roubar sua vaga. Todos inimigos!!!!!!!
É significativo que Sigmund Freud não quis ter um automóvel. Ele sabia de todas essas conotações simbólicas. O bom velhinho preferia uma charrete que estranhamente, chamava de “mamãe”.