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quarta-feira, 14 de março de 2012

LANTERNA MÁGICA - O FILME DO ANG LEE

por Egídio La Pasta, Jr


Eu uso boa parte do meu tempo assistindo filmes. Eu tenho uma locadora de dvd’s que completou dezoito anos recentemente. Passamos do VHS para o DVD e agora aos poucos e com muita calma, abrimos espaço para o blu-ray, que melhora muito a qualidade da imagem e especialmente a do som. No meu apartamento é comum caixas de filmes pelas estantes, coleções arrumadas de acordo com algum critério que escolhi e dvd’s sempre à espera de um tempo para arrumá-los. Na verdade eu gosto dessa confusão porque sempre recorro aos filmes em algum momento por infinitos motivos.

Tudo isso para dizer que essa semana eu revi O Segredo de Brokeback Mountain em blu-ray. Eu assisti esse filme no Festival do Rio de 2005, numa única sessão disputadíssima, já que o filme foi encaixado de última hora na grade do festival e abriram apenas uma sessão de meia-noite no Cine Odeon. E lembro também de sair daquela sessão sob o impacto daquela história, sem sono algum, quase três horas da manhã, caminhando pela Cinelândia. Eu gosto de escrever à partir dos filmes que assisto. É uma brincadeira que às vezes é óbvia e outras vezes, o significado só existe para o destinatário. Na época, eu tinha um outro blog, Filmes GLS ou Quase e fiz um texto ao chegar em casa, que vou reproduzir na coluna hoje.

Rio de Janeiro, 07 de outubro de 2005.

Existe algo de fascinante no filme do Ang Lee que continua em movimento mesmo após o final. Ele não só narra a história de amor entre dois cowboys, como também desperta a sensação de incapacidade – sensação essa irreversível – que todo ser humano descobre quando não consegue conciliar a sua grande paixão com a vida real. Quando o espaço entre os dois universos parece não caber, quando o ajuste não confere, quando as razões infinitas parecem definitivas. E o amor correspondido, amém, por uma série de detalhes, não pode se adaptar ao universo do um mais um. O amor entre dois homens, nos dias de hoje, ainda enfrenta olhares atenciosos. Ainda desperta a ironia. Gera violência. Machuca. Em outros tempos, com sublinhada gravidade, a vida a dois era um sonho impossível. Um delírio de quem ama e esquece as grandes grades do mundo.  O filme de Ang Lee se apoia na história de dois homens que descobriram no acaso, o amor. No interior dos Estados Unidos. Vaqueiros. Década de sessenta. E de como esse amor os enalteceu com o passar do tempo. De como esse amor os jogou na vida. Fortaleceu os corações solitários, coloriu as vidas monótonas, deu sentido ao que parecia sem formato, definição. 

O filme do Ang Lee fala de amor. E foge da armadilha do óbvio com muita elegância. Tem bunda, tem beijo, tem barba, tem peito cabeludo, tem bebida, tem cigarro, tem briga feia, tem lua no céu. E tem a delicadeza de um diretor que consegue filmar a fúria da descoberta do desejo. Cuidadoso e com muito respeito pela história que tem nas mãos, Ang Lee me deu uma rasteira. Porque ele não provoca lágrimas nem sobe a música para te forçar uma sensação. Ele deixa que o filme aconteça, que a história seja contada naturalmente, sem armadilhas. 

E é justamente aí que você entra. E é justamente em você que eu pensei quando saí do cinema, seco por um telefonema, ansioso pelo momento de te contar do filme, de tudo o que ele me despertou, do quanto fica fácil de nos compreender e nos situar porque histórias de amor refletem também os nossos amores. O filme do Ang Lee move o querer. Ele coloca em movimento o amor.  Consciente dos riscos, das feridas, da beleza, da paixão viva, da carne exposta. Um filme de silêncios e sentimentos que só entende quem ama, amou ou vai amar alguém. Eu saí de lá com o pensamento na tua direção Sem saber muito bem o que dizer, mas era você, eu sabia que era para você que eu deveria me dirigir. Porque cada um sabe as suas direções. E é para lá que a gente corre quando o coração aperta em alegria ou dor.

Eu amo você e estou sempre em busca de novas temporadas com velhos personagens, em busca de novos personagens para.novas temporadas. Em busca, enfim.

É curioso reler e é curioso também que o mesmo filme, me cause a mesma sensação anos após, numa segunda revisão.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

LANTERNA MÁGICA - A ESCOLHA DE MERYL

por Egídio La Pasta, Jr.


por Egídio La Pasta, Jr.



A Dama de Ferro (The Iron Lady), em cartaz nos cinemas brasileiros, deu o terceiro Oscar para a atriz Meryl Streep, que dessa vez fez uma personagem real, a primeira ministra britânica Margaret Thatcher. O filme não agradou muito a crítica e a mim também não, mas todos concordamos na excelência do trabalho de construção da atriz. Os detalhes, a maquiagem soberba que a faz sumir dentro da personagem, sobretudo na fase mais idosa e delicada, quando Thatcher passa a conversar com o fantasma do seu falecido marido, impressionam pelos detalhes e também, pelo resulatdo final. Comemorei o Oscar da atriz indicada dezessete vezes porque sempre torci por ela e por admirar cada novo trabalho que muitas vezes me faz ir ao cinema somente por saber que ela está no elenco.

Tenho alguns momentos dessa filmografia muito fortes que se misturam a minha formação cinematográfica e gosto muito de alguns filmes. Faço aqui uma brincadeira, de memória, sem a menor pretensão de analisar criticamente performances e títulos, apenas aponto os filmes onde eu mais gosto dela. São escolhas particulares, sem ordem de preferência, momentos de uma carreira cheia de filmes, personagens e cenas favoritas.


A Escolha de Sofia (Sophie’s Choice)

É mais do que clássica a cena da escolha que Sofia é obrigada a fazer. É um grito sem som, um desespero nos olhos, dentro de um cenário devastador. Provavelmente uma das cenas mais emblemáticas da história do cinema.


O Diabo Veste Prada (The Devil Wears Prada)

A vilã mais deliciosa da carreira. O jogo de poder com Anne Hathaway e Emily Blunt é uma delícia e é muito difícil escolher uma cena dela, mas a que ela explica a secretária que não entende a diferença entre dois cintos muito parecidos.


Adaptação (Adaptation) 

Uma jornalista de Nova York é a personagem dela, dentro de um filme onde ficção e realidade se misturam o tempo todo. Cômico e melancólico, uma delícia e imperdível. Como não encontrei a cena que queria, coloquei o trailler.



Um Grito no Escuro (A Cry in the Dark)

Baseado em uma história real, ela defende um personagem difícil, que sustenta que o seu bebê foi roubado por um lobo em um acampamento. A opinião pública a trata como assassina e ela luta até o fim para fazer valer a sua versão.


Dúvida (Doubt)
Adaptação de uma peça de teatro, o que justifica o tom teatral e muitas vezes exagerado do elenco. Aqui ela faz uma freira que percebe algo diferente na relação do Padre de sua paróquia e um dos coroinhas.


As Pontes de Madison (The Bridges of Madison County)

Minha Meryl Streep preferida. Clint Eastwood consegue fazer uma das mais bonitas histórias de amor entre uma dona de casa que passa um final de semana sozinha e recebe a visita de um fotógrafo que visita a cidade. Os dois se apaixonam e vivem uma bela história de amor.


Lembranças de Hollywood (Postcards from the Edge)

Uma jovem atriz talentosa luta contra as drogas e o álcool e também contra o ego de sua mãe, uma estrela do cinema, possessiva e competidora. A relação entre as duas protagoniza cenas antológicas entre Meryl e Shirley MacLaine. E ainda tem uma canja de You don't know me.



As Horas (The Hours)

Clarissa faz uma festa para seu melhor amigo, um artista por quem foi apaixonada. A história dela se entrelaça ao romance de Virginia Woolf, Mrs. Dalloway. A cena da cozinha, onde discute com um amigo. A cena da despedida de Richard. É difícil escolher um momento.


E você, quais as suas cenas e filmes preferidos?

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

LANTERNA MÁGICA- OSCAR 2012: OS MELHORES FILMES

Egídio La Pasta Jr.

Arte de Egídio La Pasta Jr.


Alguns encaram como um ano morno, sem favoritos. Outros dizem que a briga forte está entre três filmes. Em comum, uma chave que desvendará segredos e definirá destinos. Em comum, a homenagem que o cinema faz a si mesmo, numa tentativa de reverenciar sua origem. Em comum, homens e mulheres que superam suas perdas, crianças que enfrentam a ausência, os anos 30, um ou outro cachorro adorável. A cerimônia do Oscar acontece no próximo domingo, 26 e será exibida à partir das 21:30h pela TNT e depois das 23h pela Rede Globo.

O Artista (The Artist), de Michel Hazanavicius
Colecionando elogios por onde passa, o filme mostra a dificuldade de George Valentin, maior ator da época do cinema mudo em se adaptar ao cinema falado, em Hollywood de 1927. Filmado em preto e branco, o filme revela o ator francês Jean Dujardin – que brigará pela estatueta de melhor ator com George Clooney – e a atriz Bérénice Bejo, que faz uma dançarina que rapidamente se transforma na maior estrela do cinema falado. Indicado a 10 Oscars. Nos cinemas.

A Árvore da Vida (The Tree of Life), de Terrence Malick
Palma de Ouro em Cannes, o filme de Terrence Malick divide a opinião do público. Alguns o encaram como uma obra-prima, outros abandonam a sessão no meio. Boa parte do filme se passa nos anos 50. A trama gira em torno do casal O'Brien e seus três filhos. Quando um dos irmãos morre, a família se desestrutura. A história passa então a mostrar a transformação do mais velho e sua constante busca pelo sentido da vida. Indicado a 3 Oscars. Nas locadoras.

Cavalo de Guerra (War Horse), Steven Spielberg
Uma aventura com momentos épicos de Steven Spielberg, que ambienta o filme na Inglaterra rural durante a Primeira Guerra Mundial. Albert é um jovem que acompanha o crescimento e treina um cavalo doméstico, para que ele ajude a produção de sua fazenda. Quando eles são forçados a se separar, o filme acompanha a extraordinária jornada do cavalo, seguindo seus passos pela guerra, alterando e inspirando a vida daqueles que encontra – a cavalaria britânica, os soldados alemães, e um fazendeiro francês e sua neta. Indicado a 6 Oscars. Nos cinemas.

Os Descendentes (The Descendants), de Alexander Payne
Matt King é pai de duas meninas, com quem pouco se relaciona e após o acidente de sua esposa, que a deixa em coma irreversível, descobre que ela o traía. A despedida da esposa acaba o aproximando das meninas, o que a ajuda na difícil decisão de vender um terreno herdado da família. George Clooney entra na briga de melhor ator com força total e até agora ainda não sei se torço por ele ou Dujardin. Indicado a 5 Oscars. Nos cinemas.

Histórias Cruzadas (The Help), de Tate Taylor
Um filme de atrizes. Mississipi, década de 1960. Skeeter, recém formada e com aspirações a se tornar uma escritora, tem a ideia de entrevistar mulheres negras que sempre cuidaram das famílias do sul. As empregadas domésticas relutam em denunciar as condições de trabalho e humilhações a que eram submetidas, mas ao conseguir o apoio de Aibileen, governanta de um amigo, conquista a confiança de outras mulheres que têm muito o que contar. É um belo drama onde todo o elenco feminino contribui para a força do filme. Indicado a 4 Oscars. Nos cinemas.

A Invenção de Hugo Cabret (Hugo), de Martin Scorsese
O meu preferido. Uma deliciosa brincadeira sobre o poder da imaginação e a capacidade de sonhar e realizar. É a história de um órfão vivendo uma vida secreta nas paredes de uma estação de trem em Paris de 1930. Com a ajuda de uma garota que se torna rapidamente sua amiga, ele busca a resposta para um mistério que une seu pai, o mal humorado dono de uma loja de brinquedos e uma fechadura em forma de coração, aparentemente sem chave. Indicado a 11 Oscars. Nos cinemas.

Meia-Noite em Paris (Midnight in Paris), de Woody Allen
Gil, roteirista de Hollywood, passa as férias em Paris com a família da noiva. Seu sonho era viver nos anos 20, conhecer e conviver com F. Scott Fitzgerald, Ernest Hemingway, Pablo Picasso, Buñuel. Até que ele descobre ser possível tal façanha. Woody Allen volta ao realismo fantástico e diverte, além de nos encantar com Paris. Indicado a 4 Oscars. Nas locadoras.

Moneyball, O Homem que Mudou o Jogo (Moneyball), de Bennet Miller
Baseado numa história real, conta a história de Billy Beane, o gerente geral do time Oakland e o responsável pela montagem da equipe, que é forçado a reinventar sua equipe com um orçamento apertado. Ele conta com a ajuda de Peter Brand recrutando jogadores e barganhando com rejeitados, todos eles com uma mínima habilidade para chegar à base, marcar pontos e ganhar jogos. De todos os indicados, talvez pela temática, é o que menos gosto. Indicado a 6 Oscars. Nos cinemas.

Tão Forte e Tão perto (Extremely Loud & Incredibly Close), de Stephen Daldry
Oskar Schell é um menino de 9 anos que é inventor amador, admirador da cultura francesa e pacifista. Depois de encontrar uma misteriosa chave que pertencia a seu pai, morto nos atentados de 11 de setembro, o garoto sai em busca da fechadura e de explicações que poderão aquietar a dor da perda. Sandra Bullock faz a mãe do menino e foi esnobada como coadjuvante. É um belo trabalho, o mais comovente e delicado que vi esse ano. Indicado a 2 Oscars. Nos cinemas em 24 de fevereiro.

E você, tem um preferido?

domingo, 20 de março de 2011

SENHORA DO TEMPO



MEU CINEMA PARADISO

por Sonja Faria Rosa (cinéfila)



Assisti meu primeiro filme aos 6 anos. Foi "O Balão Vermelho" de Albert Lamorisse (Fr, 1956) um filme difícil de esquecer; minha irmã chorava quando o balão ia embora e sempre tenho comigo essa lembrança. Assisti por duas vezes consecutivas. 





Os filmes aos domingos tinham sessões às 13, 15, 18 e 20 hs (nessa sessão só entravam os pais ou maiores de 14 anos).
Meu avô era o dono do cinema em nossa pequena cidade no interior de Minas e eu podia assistir o filme quantas vezes quisesse e a partir dos 8 ou 9 anos ia ao cinema todo dia.
Às vezes não podia entrar.
Nas quartas feiras tinham uns filmes proibidos ate 21 anos, sessão só para homens, e geralmente eram filmes franceses. Vi-os muito mais tarde e nunca entendi a proibição para 21 anos, coisa que nem existe mais. Filme francês era sinônimo de filme imoral.

O cinema foi a diversão preferida nos domingos bucólicos que tínhamos. Era um acontecimento para o qual nos programávamos durante a semana para saber que roupas usar, com quem ir.
O cinema tinha um caderno com a programação de muitos meses já pronta e eu me sentia importante por saber de antemão que filme iria passar. Quando tinha 10 anos comecei anotar os filmes que assisti e o faço até hoje.
Esse hábito em si é um filme na minha memória pois vez por outra, quando passo os olhos por eles, posso me lembrar de fatos relacionados àquele dia.
Sempre tive uma fantástica memória. Mas, ultimamente, ela começou a falhar. Não posso reclamar.

Quando adolescente o projecionista cortava pedacinhos dos fotogramas para que eu os colecionasse. Antigamente os filmes eram exibidos em várias cidades , ficavam gastos e sempre acontecia que arrebentavam durante a projeção. Então as luzes se acendiam e o filme era então remendado com fita durex. Com isso muitos fotogramas iam para o lixo.
Eu tinha uma caixa cheia deles e quando vi o filme Cinema Paradiso nao pude deixar de me identificar com todas aquelas memórias. Não sei se ainda existem pois quando vim morar em Londres deixei tudo pra trás e comigo só vieram as lembranças e os cadernos.

Tinhamos os porteiros/lanterninhas que davam uma garibada (como se dizia) para ver se não tinha nenhum namoro escandaloso. Quem quisesse namorar mais a vontade ia assistir ao filme lá em cima (sendo essa a parte de cima do cinema) e imagino que quem via o filme lá precisava voltar em outro dia para realmente ver o filme.

Numa cidade sem quase nenhum recurso, cinema era aonde podíamos deixar a imaginação correr solta e voar para todos àqueles mundos que ali se nos apresentavam. Quando no colégio (de freiras) as alunas se reuniam para ir assistir a algum filme histórico tipo Ben-Hur, Os 10 Mandamentos, levávamos lanche, guaraná, biscoitos para serem comidos no intervalo que o filme tinha. Essas coisas são inimagináveis hoje em dia.

Quando chegou o primeiro James Bond (O Satânico Dr.No) em agosto de 1964 eu já o aguardava ansiosa. Tinha lido no JB sobre Sean Connery e estava louca pra ver o filme. Fui assisti-lo na sessão das 15 horas. Foi a minha sorte.
Alguém também assistira ao filme e achou a saída do mar da Ursula Andress muito indecorosa para menores de 18 anos e na sessão das 18horas lá estava o Juiz de Menores não deixando entrar ninguém sem mostrar a idade. Não me lembro o que apresentavam pois naquele tempo não era comum ter carteira de identidade. Acho que o Juiz escolhia pelo faro.

Meu avô tinha uma cachorrinha que sempre o acompanhava ao cinema. Ele sentava na ultima cadeira e ela, a Duquinha, ficava comportadíssima ao lado dele, no corredor, e durante o filme todo nunca me consta que tenha latido. Um dia um policia desavisado quis proibi-lo de entrar com ela no cinema e ele simplesmente disse que se fosse o caso fechava o cinema e passava o filme só para ela.

Nos anos 50 passou por lá alguém vendendo um portão de ferro fundido feito na França que, então, foi incorporado ao prédio e era por onde saíamos do cinema. Muitos anos depois meu pai me contou que o portão tinha sido roubado da Quinta da Boa Vista no Rio de Janeiro.
Não consigo imaginar aquele portão imenso sendo surrupiado. Nas costas?

Meu avô morreu e não demorou muito para o cinema também acabar. Virou uma igreja evangélica como em muitas cidades pequenas.
Já não temos mais cinema. Livrarias acho que nunca tivemos, Biblioteca acho que ainda existe.
Numa era de informações a jato essas lembranças parecem fazer parte de outro tempo, outra vida. E eram mesmo outros os tempos. Tenho saudades dele.
Hoje em dia os sonhos são outros mas a magia igual à que vivíamos, nunca mais.

filme Cinema Paradiso




O Satânico Doutro No