Mariana com sua gata Bel
http://tvescola.mec.gov.br/index.php?option=com_zoo&view=item&item_id=9602#
Mariana Abraão, de 10 anos, com o poema "A Flor" foi uma das escolhidas a ter sua poesia falada no programa da TV Escola, Semana da Poesia, 8º edição. Para ouvi-la é só clicar no link acima, melhor visualizado no internet explorer.
Este programa fala sobre a poesia e sua essência, grande poetas, sobre a linguem da poesia infantil, chamados pelo programa de Pequenos Leitores, Futuros Poetas, com os vídeos autorais enviados por escolas de todo o Brasil. Mariana mora em Caxmbu e é filha de Sumaia e Celso Abraão. Sumaia leciona piano, canto e yoga.
A programação da Semana de Poesia ainda conta com reportagens feitas em escolas de todo o país, no quadro TV Escola na Estrada, além de documentários especiais, entrevistas, quiz e o Fique Sabendo, com curiosidades literárias também nos intervalos da programação.
Pode ser visto no Canal 112 da SKY; no Canal 694 da Telefônica TV Digital; e na Internet.
Mariana que se inscreveu pelo Colégio Franciscano Santo Inácio , de Baependi, sul de Minas Gerais, passou para o quinto ano e gosta de brincar de bonecas e com os gatos. Ela pega as bonecas,os gatos e monta sua brincadeira.
Eis os originais do Poema " A Flor" cuidadosamente colocado numa pasta cuja capa é um aplique de tecido em formato de flor:
TV ESCOLA
"A TV Escola é um canal de televisão do Ministério da Educação que capacita, aperfeiçoa e atualiza educadores da rede pública desde 1996. Sua programação exibe, nas 24 horas diárias, séries e documentários estrangeiros e produções próprias.
Os principais objetivos da TV Escola são o aperfeiçoamento e valorização dos professores da rede pública, o enriquecimento do processo de ensino-aprendizagem e a melhoria da qualidade do ensino."
O POEMA
A FLOR
Uma flor é meu amor;
É a paixão,
De todo cidadão.
Ela vem de Belém,
Que é em Jerusalém
A terra do além.
Ela não se contém,
De tanta beleza que ela tem.
Ela é amarela,
Por isso é tão Bela.
Zela por todos,
Até pelos que não acreditam nela.
Acenda uma vela
Toda noite,
Para rezar e falar:
Que Deus proteja o nosso lar
E este mar de pessoas
Que só andam bem na vida
Se são boas.
Assim que vai dormir,
Pensa:
Tenho que reagir
Sem agredir,
A todo esse mal que está por vir.
Esta flor,
Não gosta de maldade
E sim de bondade.
Se todos pensassem como ela,
Quem sabe,
A vida não seria mais bela e amarela?
Pense bem nela!
O amor,
Só vence por total a dor
Quando você supera esse medo,
E esse terror,
Desse seu coração de cidadão.
Pense então
No que você pode fazer
Que venha de sua mão
Sem peso no seu coração.
Mariana Abraão
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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Poesia é um barulho da vida
Por Dade Amorim
| Carlos Drummond de Andrade |
Hoje em dia, quando o modo de vida nas cidades (e mesmo fora delas) exige de nós tanta contenção e causa tanto desgaste emocional; quando os problemas crescem na razão direta das exigências que não conseguimos satisfazer; quando o que se espera de cada um é talvez muito mais do que seria razoável esperar de seres humanos perdidos em nossas babéis em ritmo de globalização caótica; quando cada pessoa é confrontada com desempenhos consagrados e inteiramente inalcançáveis para a absoluta maioria; quando nossos limites são testados e desafiados dia a dia no trabalho, na família, na rua, é claro que a poesia tem que refletir isso.
Não só a linguagem mudou. O modo de sentir o mundo e reagir aos estímulos se tornou mais tenso, mais áspero, porque é preciso ativar as defesas para não se ferir a toda hora.
| Ferreira Gullar |
Todo poema é feito de ar
apenas: a mão do poeta
não rasga a madeira
não fere
o metal
a pedra
não tinge de azul
os dedos
quando escreve manhã
ou brisa
ou blusa de mulher.
O poema
é sem matéria palpável
tudo
o que há nele
é barulho
quando rumoreja
ao sopro da leitura.
De Carlos Drummond de Andrade, um poema instrutivo, que fala das palavras, da serenidade e do silêncio, três colunas mestras de um poema:
Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intacta.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência, se obscuros.
Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consuma
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Reparem como Paulo Leminski incorpora a turbulência de nossos dias sem deixar de seguir essas receitas:
maldito
o que não deixa cantar
o canto é fraco
maldito
o que não deixa cantar
o canto é forte
maldito
o que não deixa cantar
o canto gera outro canto
maldito
o que não deixa cantar
o canto nunca deixa de cantar
| Paulo Leminski |
Poesia não é antídoto de nada, não é remédio, não relaxa, não dá sono. Ignora rótulos e visões preconcebidas. Como tudo nesta vida, tem suas formas próprias, que devem e precisam ser bem cuidadas para que o poema soe verdadeiro, mas que pouco valem se o que se diz for fraco, falso, artificial, pretensioso. Os puristas que me perdoem, mas um poema tem que ser do mundo, dos outros, da morte, e sempre, sempre da precariedade humana que se recria em palavras. Isso vale também para poemas que falam de uma realidade interior, de sentimentos subjetivos, porque, já dizia Vinicius, “a vida só se dá pra quem se deu”. E acho que não está errado dizer que fazer poesia é um modo bem-sofrido de viver – e por bem-sofrido quero dizer a dor e a alegria, o amor e seus avessos experimentados em profundidade.
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