quinta-feira, 16 de maio de 2013

HELLO, DOLLY!




ESCREVER EXORCIZA O MEDO 



Dorothy Coutinho 


 
 siga o celular! (segundo Dorothy) 


Acreditava possível uma vida privada, sem partilhar com ninguém meu comportamento pessoal, incluindo as minhas esquisitices – afinal elas não são da conta alheia.

 Encarava como um pesadelo distante e evitável o mundo descrito por George Orwell em 1984, com e sua super tela sempre ligada para escrutinar a vida dos governados.

Nos dias atuais, essa tecnologia descrita no livro de Orwell parece cena das velhas séries de Flash Gordon. Minha aspiração a uma vida privada não passa agora – ao menos parcialmente - livre do controle do Estado e de grandes organizações. E no futuro, provavelmente muito mais. Viverei daquela lembrança nostálgica dos mais velhos.

A tecnologia acelera as mudanças, e chega sem avisar.

Muitas vezes faço tudo para ignorá-las ou até mesmo hostilizá-las, mas sei que não adianta.

 Imaginemos um vírus que afetasse todos os computadores de um país, no Brasil, por exemplo, o caos seria absoluto. Não teríamos comunicação, água, energia elétrica, bancos e comércio funcionando, hospitais, nada mesmo. O vírus resultaria muito mais eficaz que um bombardeio pesado. Programas de sabotagem eletrônica são nas suas essências importantes armas de guerra, porque não há como escapar da malha informática.

Lembro-me dos filmes policiais com a cena da saída de um suspeito em seu carro, quando o detetive dentro de um taxi dava a ordem ao motorista “siga aquele carro”. Hoje? – Bem, hoje provavelmente a ordem é “monitore esse celular”. Dependendo do caso podemos ter a nossa vida completamente espionada. Grampear telefone celular ou não é coisa do passado.

 O mais comum agora, talvez até normal, seja aceitar a perda de privacidade em troca da segurança individual. Até porque não me dão escolha e o medo é uma força muito grande, bem mais difícil de vencer que outras emoções.

Medo, por exemplo, de encontrar na internet dentre tantos sites alguns que mencionam a venda de impressoras 3D, com aplicativo que instrui o interessado a “imprimir” e reproduzir o objeto “tal”, objeto esse que se encontra dentro da casa do futuro comprador, ou seja, sem a necessidade do entregador. Esses programas já estão em funcionamento, aprimorados diariamente. Fantástico!

A Ana Maria Brega mostrou em seu programa na TV aberta um vendedor instruindo como fazer direitinho, passo a passo. Fantástico, de novo! Mas só é fantástico até a gente fuçar num outro site e descobrirmos que já existem empresas desenvolvendo programas, materiais e impressoras 3D para oferecer armas de combate. Isso é fantástico??????

Qualquer um, do bandido ao psicopata, poderá comprar e “imprimir” quantas quiser, sem numeração ou registro. Ah, dirão alguns especialistas e defensores da tecnologia: o material utilizado é um tipo de plástico, portanto não se trata de armas de verdade. Sim, sim, você “pagaria prá ver” num lance de um assalto??? Eu, não.

E a gente fica sem saber o que pensar. Dá medo. Por isso escrevo. Escrever exorciza!