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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

UMA ARTE ENTRE DOIS MUNDOS: ELIZABETH BISHOP



Por Esther Lucio Bittencourt
fotos de Ana Laura Diniz


Neste momento do lançamento do filme Flores Raras, sobre o livro de Carmem Oliveira, Flores Raras e Banalíssimas, que fala da relação entre a a poeta Elizabeth Bishop e a inventora de Jardins, Lota Macedo Soares, nada melhor do que relembrar u8ma série de matérias que foram feitas a partir da visita à casa de Elizabeth, em Ouro Preto, Minas Gerais.

“Continuo achando a minha casa a mais bonita do mundo, e a cidade é linda também, do ponto de vista arquitetônico – mas isto não basta. Você não tem nenhum paciente milionário, ligeiramente excêntrico, que se interesse por arquitetura barroca, ou história da América do Sul, ou psicologia – que estaria interessado em comprá-la? Juntamente com uma boa quantidade de bons móveis do século XVIII e início do XIX?”
.......

Este é o trecho de uma carta escrita pela poeta Elizabeth Bishop para a doutora Anny Baumann, em dezembro de 1969, sobre sua casa na cidade mineira de Ouro Preto, quando desejava vendê-la por desesperar-se com a mão-de-obra sempre incapaz e cara da cidade.

Rubrica de Elizabeth Bishop em bilhete/poema para Manuel Bandeira
Do livro “Uma Arte”, editado pela Companhia das Letras, foi extraído este texto. Estive em sua casa em Ouro Preto com Ana Laura Diniz, que fez as fotografias.


Elizabeth Bishop(google)
Sentei em sua cadeira de balanço, respirei o sentimento da casa, pois é certo que todas as casas guardam nas paredes a vida e as emoções dos que nela viveram. Pela janela vi a pequena cachoeira seca, com algumas samambaias nativas crescendo na sombra entre as pedras. Talvez, em seu tempo, pela ladeira de pedra seca talvez rolassem águas encrespadas, principalmente, no tempo da chuva. Lembranças, quem sabe da serra de Petrópolis, no Estado do Rio, da Fazenda Alcobaça, em Samambaia, onde vivia com Lota de Macedo Soares.











A DONA DA CASA
Fotos de Ana Laura Diniz

Foto da foto: Linda Nemer há alguns anos atrás.
Reprodução da foto que está presa por um simples adesivo na parede
 da sala-de-estar da casa "Mariana".
Linda Nemer, 74 anos, professora aposentada da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) de Ciências Econômicas e Sociologia Política, comprou a casa de Elizabeth Bishop, em Ouro Preto, de sua herdeira Alice Helen Methfessel, que viveu durante anos como secretária e amiga íntima da poeta.

“Meu irmão, o artista plástico José Alberto Nemer, conheceu Elizabeth na casa do pintor Scliar, em Ouro Preto,” conta Linda, “e ficaram amigos. Na década de 50 ela começou a reforma da casa que comprara em Ouro Preto. Lota ainda era viva e as duas vinham muito à cidade e ficavam hospedadas no Pouso Chico Rey de Lili Correa de Araújo. Eu a conheci no hospital, em Minas Gerais, quando esteve internada devido ao seu problema com a asma.


Da primeira sala da casa, a vista para o jardim.







Sou de Ouro Preto, mas morava, trabalhava e estudava em Belo Horizonte. Por várias vezes estive hospedada na casa de Elizabeth, em Ouro Preto, e ela, muitas vezes, ficava em minha casa, em Belo Horizonte, para tratamento médico. Quando ela voltava aos Estados Unidos meu irmão e eu tomávamos conta da casa dela.

Quando eu viajava para a Europa ou para os Estados Unidos nos encontrávamos. Uma vez, em Boston, fomos ao cais do porto ver um Loft que um arquiteto de vanguarda construíra e ela pretendia comprá-lo. Perguntei se pretendia deixar Ouro Preto. Ela olhou-me firme e respondeu: Jamais deixarei Ouro Preto, pois foi a primeira vez na vida que tive uma casa só minha, sem ser hóspede em casa alheia.”



VIDA CIGANA

Foto da foto: Linda e Bishop no verão de 1972,
em Massachusetts, EUA.
Elizabeth Bishop perdeu os pais ainda jovem e morava na casa de avós. Depois viajou pelo mundo até que chegou ao Rio de Janeiro onde hospedou-se no apartamento da arquiteta e paisagista Lota Macedo Soares, com a qual viveu um romance intenso. Lota, que morava no Leme, foi a responsável pela construção do Aterro do Flamengo, no Rio, no Governo Carlos Lacerda.

No Brasil, Elizabeth viveu 15 anos. Após o suicídio de Lota, seu grande amor, ela fixou-se em Ouro Preto, dividindo seu tempo entre aulas em faculdades norte-americanas, viagens pela Europa e a cidade mineira.

“Já recebi propostas para vender esta casa que seria transformada em Museu Elizabeth Bishop, da Universidade de Vassar, onde ela estudou, e da Fundação Ford, que comprou a casa de seus avós no Canadá e construiu um Centro Cultural.

Elizabeth era uma pessoa finíssima, delicadíssima, requintada. Recebia amigos com honras de chefe de estado. Ela adoecia, passava mal, ia para Belo Horizonte e ficava em nossa casa. Sempre grata, delicada, reconhecida.

Era tão delicada na convivência que pedia licença para respirar. Era um peso pluma. Em sua casa de Ouro Preto promovia serestas, encontros de músicos e gostava muito de ouvir Gal, Bethânia, Caetano, Bossa Nova e Vinícius de Moraes, de quem era muito amiga. Gostava de coisas simples. Por exemplo, se conhecia na cidade vizinha, Mariana, um saxofonista, o apresentava para os amigos em sua casa, em noite de festa. Aliás, sua casa chamava Vila Mariana em homenagem à poeta amiga norte-americana Marianne Moore.

Sabe aquela música do Caetano Veloso, ‘Não Identificado’? Ela desejava muito vertê-la para o Inglês. Mas esbarrou no disco voador porque em inglês a palavra ficava como pires voador.” A música é esta:

NÃO IDENTIFICADO
(Caetano Veloso)




“Falava muito mal o português, mas conhecia a língua e as suas nuances. Apreciava muito também este poema de Carlos Drummond de Andrade:

RETRATO DE FAMÍLIA


Fez uma antologia de poetas brasileiros e publicou nos Estados Unidos. Gostava de João Cabral de Melo Netto, do poeta engenheiro Joaquim Cardozo, Manuel Bandeira. Verteu o livro de Helena Morley, Minha Vida de Menina, para o inglês. Conhecia e amava o Brasil. Dizia que os músicos brasileiros eram os verdadeiros poetas”, continuou Linda.

Elizabeth Bishop (1911-1979), prêmio Pulitzer de Poesia em 1956, morou quinze anos no Brasil (de 1952 a 1967). “Seu olhar sobre a política do Brasil era de Lota, uma burguesa conservadora, que falava somente o inglês junto com seus amigos. A voz do Brasil era de Lota e somente após a morte desta é que Elizabeth começou a perceber como era o país, econômica e politicamente falando. Aqui em Ouro Preto ela passou a conviver com a realidade do Brasil. Reclamava muito dos trabalhadores que, por ela ser americana, sempre as coisas lhe saíam mais caras. Aqui, um trecho do grande poema que ela fez : “Manuelzinho”.

"E um dia berrei tão alto
que era para você ir correndo
e me trazer aquelas batatas
que seu chapéu voou e você saltou dos tamancos
deixando três objetos dispostos
em triângulo aos meus pés,
como se o tempo todo você tivesse sido um jardineiro de conto de fadas
e à palavra 'batatas'
sumisse para retomar as atividades
de príncipe encantado em outro lugar".


Ouça aqui o poema Armadillo, dito pela poeta Elizabeth Bishop: http://www.poets.org/viewmedia.php/prmMID/15214

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

PINDORAMA 10° 0' 0" S / 55° 0' 0" W. RIO, VOCÊ FOI FEITO PRA MIM - O DIA EM QUE ME CASEI NO CRISTO REDENTOR

Gilvania Ferreira

No próximo dia 12 de outubro, o Cristo Redentor completa 80 anos de idade. Em homenagem à data, como boa carioca de coração que sou, vou contar para vocês aqui como foi o dia em que me casei no Cristo Redentor.

Aquela sexta-feira 23 de outubro começou nublada, mas a previsão era de sol. Eu já estava no Rio há alguns dias. Acordei por volta das 7h, tomei o café de manhã e fui com minha mãe direto para o Galeão.

Por volta das 9h30 o restante da minha família ia chegar e isto significava dizer meu pai, meu irmão, minha cunhada, meus dois sobrinhos, um primo que foi criado como um irmão conosco, a esposa dele, a sogra do meu irmão e mais alguns amigos.

Um engarrafamento perto do aeroporto foi o sinal de que o trânsito naquele dia seria complicado. Por que eu não levei isso em consideração logo de cara? Não sei. O fato é que, quando avistei minha família e minha mãe notou a ausência das crianças, eu até tive esperanças de que elas poderiam estar sentadas em algum lugar longe de nossas vistas, mas a apreensão dos dias anteriores voltou com força total.

O impensável havia realmente acontecido.

“A GOL não deixou as crianças embarcarem”, contou-me uma das madrinhas de minha sobrinha.

Eu não acreditei, juro que não acreditei.

Mas meu irmão me confirmou e o chão sumiu debaixo dos meus pés.

Como não desmaiei ou desabei no choro, ainda não sei também.

Apesar de acompanhados do pai, da mãe, do avô paterno, da avó materna, de outros parentes, madrinhas e amigos, João e Clara tiveram que ficar em Recife.

Sem a certidão de nascimento original ou autenticada, eles não embarcariam. Sem tempo hábil para pegar o documento antes de todos embarcarem, minha cunhada ficou com meus sobrinhos para viajar somente às 12h e o casamento estava marcado para às 17h!!!

Eu sabia que eles atrasariam, eu soube disso na hora.

Realmente parecia que tudo conspirava para que o casamento não acontecesse e que eu estava sendo estúpida em manter aquela idéia (de sair de Pernambuco para casar no Rio de Janeiro).

Tinha uma convicção quase plena de que uma tragédia estava por vir.

Não contei isso para ninguém.

Era mais uma das coisas que só conversei comigo mesma.

Tranquilizei meu irmão, minha mãe e os demais, no entanto.

Sim, eu pensei em cancelar tudo.

Estava decidida que, se eles não chegassem a tempo, o casamento iria ser cancelado.

Não, eu não compartilhei isso também com ninguém.

Guardei para mim com a mesma fé de que Deus não me abandonaria.

Mas só ele mesmo sabe como passei todas aquelas horas.

Praticamente não almocei.

Não fui a cabeleireiro, manicure, maquiadora.

Nada.

Minha cabeça não estava mais no Rio.

Estava em Recife.

Em duas crianças que amo como a dois filhos e que choraram por não ter embarcado com a família para o casamento que eles tanto queriam ver.

Quando as vans para levar os convidados que estavam hospedados no flat chegaram às 15h30, liberei uma delas para que Expedito, meu noivo, fosse para o Cristo com a família e alguns de nossos amigos.

Mas o avião com minha cunhada e meus sobrinhos ainda não havia chegado no Rio.

Monitorei pela internet o site da Infraero, que dizia que ele já estava no pátio. Tentei convencer a todos que podiam embarcar na outra van e ir, mas ninguém quis arredar o pé. Convenci meu irmão a liberar a van, dizendo que eu, ele, Patrícia e os meninos iríamos de táxi.

E enquanto ele descia para falar com todos e eu ficava sozinha naquele quarto, um desespero quase devastador tomou conta de mim.

Acho que nunca vou esquecer o som da porta fechando e do pânico que ameaçou me dominar de uma vez por todas.

Eram quatro horas da tarde quando minha cunhada atendeu o celular e disse que estavam pegando um táxi no Galeão para ir ao flat em Copacabana.

Ainda sozinha no quarto naquele momento e, aliviada, chorei como há muito tempo não fazia.
Quando meu irmão reapareceu para dizer que todos iam me esperar e me viu chorando, quase ele mesmo chora antes mesmo de saber o que estava acontecendo.

Felizmente, eles tinham chegado.

Graças a Deus!

Mas o trânsito no Rio, naquela sexta-feira, já estava mais que caótico.

O Cristo Redentor sumira dentro de uma nuvem que eu sabia já não mais iria embora.

Mas isso não mais me importava.

Todos estavam bem e a caminho.

Quase quarenta minutos depois, os três chegaram no flat.

Agradeci tanto minha cunhada e beijei tantos meus sobrinhos que, por mim, mandava chamar o noivo, os outros convidados e o padre para casar na Praia de Copacabana e não mais no Corcovado.

Como não era possível e não havia mais tempo pra nada, minha cunhada passou o meu batom favorito na minha boca (eu tremia demais para isso), botou uma sombra qualquer em mim e me liberou pra ir pra van. Depois arrumou as crianças e se arrumou.

Eram 17h quando saímos do flat. Hora na qual a cerimônia deveria estar começando. Com um trânsito bom, chegaríamos em 15... 20 minutos na estação do Cosme Velho.

Levamos duas horas.

A síndrome de pânico ameaçou me pegar novamente quando ficamos presos no Túnel Rebouças graças a um carro que se incendiara, mas, nervosa, e tentando mostrar um sentimento totalmente diferente, peguei meu celular que estava com alguém e comecei a buscar músicas de Elvis para ouvir.

Não consegui.

Minha mente estava ocupada demais com todas as preces que eu conhecia e com um sem número de promessas que precisei fazer.

Presos no Cristo Redentor com uma nuvem que atrapalhava o funcionamento correto do sinal dos celulares, Expedito, família e amigos tentavam se comunicar comigo com um telefone fixo da paróquia.

Conseguiram algumas vezes.

Na última, confirmaram que provavelmente o Trenzinho do Corcovado estaria fechado quando chegássemos lá.

E estava!

Até hoje imagino que, se tivéssemos contratado uma equipe para filmar, esta seria uma sequência de filme pastelão. Noiva, pais da noiva, padrinhos e convidados, todos arrumados correndo pelas ruas em busca da van que nos trouxera para subir o morro do Corcovado.

Em tese, tudo estaria resolvido, certo?

Errado.

Ainda faltava convencer o pessoal responsável pela liberação do público que sobe de carro até certo ponto que precisávamos subir até os pés da estátua.

Não conseguimos. E enquanto a van ficou no meio do caminho, meu irmão pagou para todos subirem nas vans do próprio consórcio que administra o transporte.

Burocracia, eu sei.

Mas vai dizer isso para uma noiva atrasada duas horas, atravessando a Floresta da Tijuca, já no escuro, em meio a uma imensa nuvem densa, em uma estrada totalmente sinuosa!

Lembram daquele medo de que uma tragédia aconteceria?

Pois é, ele voltou enquanto eu imaginava como iríamos descer com todo aquele cenário de filme de terror ao nosso redor.

Quando saímos do elevador que dá acesso às escadas rolantes do Cristo Redentor, estava tão nublado que eu sequer enxergava minha mão diante do meu rosto. Tentei ver alguma coisa por ali e, juro, achei que haviam mandado retirar os restaurantezinhos e lanchonetes daquele área, pois não os via.

Também não vi ninguém, a não ser o padre e Expedito quando, finalmente, cheguei em frente à entrada da pequena capela de Nossa Senhora Aparecida.

Como se tivesse passado por uma das maiores batalhas da minha vida, o alívio novamente me levou às lágrimas.

Até meu irmão chorou, mas isso eu só soube depois.

Estava ainda tão assustada e ao mesmo tempo tão feliz que foi como se meu corpo e minha alma tivessem se separado enquanto o padre nos abençoava e fazia todos os ritos do casamento. O corpo estava ali, mas a alma parecia entorpecida.

Mal ouvia o que ele falava.

Mal percebia que o fotógrafo, contratado e levado de Abreu e Lima para o Rio especialmente para registrar aquele momento, estava tentando nos guiar para fazer o serviço que, afinal, ele acabou fazendo com maestria.

Com aquela nuvem nos isolando do mundo lá fora, era como se estivéssemos em outra dimensão.

Onde nada mais podia dar errado. E, pensando bem agora, nada, de fato, deu errado.

Expedito me emocionou beijando as alianças como, acho, que ele jamais havia feito.

Era como se tudo o que havia acontecido tivesse sido mais uma forma de reafirmarmos para Deus que aquilo era realmente o que queríamos: ficar juntos, com a benção Dele.

Não foi fácil, mas nós conseguimos!

Ainda estava com o coração apertado na hora de descer o morro do Corcovado, fiz questão de ser a última a sair de lá para que ninguém fosse deixado para trás.

nuvem dominando o ambiente no Cristo Redentor

O que me fez lembrar de algo no qual eu havia esquecido completamente de pensar naquele dia: o bolo!

É, amigo (a) leitor (a), se você pensa que ele ficou imune a tanta confusão está completamente enganado (a)!

Até mesmo o bolo sofreu com as forças do mal que tentaram atrapalhar nossa felicidade.

Acreditem: o ar condicionado do carro onde ele estava sendo transportado não deu vencimento no meio do mesmo trânsito caótico.

Resultado: a cobertura dele desmoronou e precisou ser refeita. Levando-se em conta que era um bolo pintado, vocês imaginam o quanto foi até bom tudo ter atrasado ou chegaríamos no Zozô, o restaurante onde o jantar de casamento ocorreu, com a boleira literalmente com a mão na massa.

No restaurate Zozô, já no jantar pós-cerimônia

Mas quando todos me contaram o que havia acontecido, o pior já tinha passado e já era hora, literalmente, da festa!

E aproveita-la era preciso!

Ou vocês acham que eu não iria rir de tudo depois de tanto abacaxi descascado?

É, amigos, casar não é fácil.

Mas é inesquecível!

O nosso, então, ficará na memória de todos.

No dia seguinte, voltamos para tirar as fotos
que não conseguimos no dia mesmo do casamento.

Se você quiser ver as fotos, é só clicar aqui

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

A "PEGADA" DE LENINE

Por Ana Laura Diniz


Não sei do que gosto mais: se é da "pegada", se é da voz ou se é da própria figura: Lenine é genial.

Uma vez, indo à casa da Zélia Duncan, descobri que eram vizinhos. Ah, e eu que já gostava da Urca, passei a amá-la mais e mais. 

Show mesmo, só fui em um dele, em São Paulo. Acompanhada de uma amiga querida, Marina Caruso. Não lembro o local, mas da noite, claro! Principalmente da força, do olhar, da interpretação exata... Sim, sou apaixonada pela arte dele. 

Recifense, cantor, compositor, arranjador, músico brasileiro. Osvaldo Lenine Macedo Pimentel gostava era de rock na década de 70. A vida é que foi aos poucos lhe mostrando os rumos da MPB - e, principalmente, de Milton Nascimento e Gilberto Gil.

Não demorou muito, pegou estrada e se mudou para o Rio de Janeiro. Em 1981, participou do festival MPB da TV Globo, com a composição "Prova de Fogo", e depois lançou com seu amigo e conterrâneo Lula Queiroga - outro grande artista que, por destino - quem sabe? - não teve ainda a projeção nacional que merece - o LP "Baque Solto" (que raríssimo, não tenho; pois nunca encontrei por menos de R$ 200,00 para comprar). Mas os trabalhos na época não "decolavam". 

Participou da banda Xarada, de rock, e apesar de emplacar a música "Mal Necessário" no filme Rock Estrela, de 1985, a coisa parou por aí. Sumiu da mídia, mas não da arte. Retornou oito anos depois com o disco "Olho de Peixe", tendo o percussionista Marcos Suzano como parceiro no trabalho. A sua estrela então brilhou mais alto, e teve músicas gravadas por Fernanda Abreu, a exemplo da dançante "Jack Soul Brasileiro",  Badi Assad, Margareth Menezes, Sergio Mendes e Elba Ramalho. 

Chegou aos anos 90 como uma das grandes promessas musicais. E Lenine não falhou. Em 1997, lançou seu primeiro disco solo - "O dia em que faremos contato.". Nele, músicas como "Hoje eu quero sair só", "A balada do cachorro louco (fere rente)", "Aboio avoado", "Olhos Negros" e "Que baque é esse?" ganharam o Brasil nas rádios, e abalaram estruturas em seus shows.

Dois anos depois, "Na Pressão" chegou respeitando o título da obra, e dentre várias faixas de sucesso, "Paciência" bateu todos os recordes, mostrando um Lenine cada vez mais versátil e profundo - sendo aclamado também na Europa.

E assim segue até hoje. De lá pra cá, lançou "Falange Canibal", "In Cité" (gravou na Cité de La Musique em Paris; o seu primeiro cd/dvd ao vivo). 

Aprecio a sua obra, mas nutro especial emoção por seus dois primeiros álbuns solos, "O dia em que faremos contato" e "Na Pressão". E, por isso, deixo uma pequena mostra desses trabalhos, a fim de ressaltar o trabalho desse grande artista que é o Lenine. Som na caixa, e aguente o baque!





No acústico, a versão mais "light" de "Na Pressão". Vale conferir o cd!



quinta-feira, 18 de agosto de 2011

RIO, VOCÊ FOI FEITO PRÁ MIM - O QUE FAZER NO RIO EM TÃO POUCO TEMPO?

Gilvania Ferreira

Uma das perguntas q eu mais me fazem sobre o Rio é: como aproveitar o que a cidade tem a oferecer durante uma viagem de poucos dias? Geralmente, a resposta depende, por assim dizer, do freguês. Se você não quer deixar passar aquela promoção de três dias e duas noites que uma agência divulgou nos jornais ou em um colorido panfleto que lhe chamou atenção, não se preocupe. Os professores de Matemática (e eu não ia perder a oportunidade rara de citar algo que aprendi em Matemática, né? Ou seria Física?) já diziam que a relação desses dois fatores é inversamente proporcional.

Em outras palavras, meus amigos, sua alegria seria imensa enquanto ou apesar de seu tempo ser curto. Obviamente, você precisará visitar os dois principais ícones da Cidade Maravilhosa: o Cristo Redentor e o Pão de Açúcar. Minha sugestão é você os dois em um mesmo dia. 

Se sua viagem é em um final de semana, acredite-me: você não se estressará com o trânsito do Rio, mas as chances de pegar filas maiores são grandes. Palavra de quem já fez isso algumas vezes nos últimos 12 anos: dê preferência em subir logo o trenzinho do Corcovado (www.corcovado.com.br). Primeiro porque ele encerra suas atividades mais cedo (lá funciona das 8h30 às 19h), segundo porque sua espera pode ser bem maior para conseguir um lugar. 

A sub ida dos 709m do Morro do Corcovado dura em torno de 15 minutos, mas com a cidade se descortinando bem ali na sua frente, a última coisa que você vai pensar é em fazer a descida de volta. Cá pra nós, eu fico pelo menos umas duas horas lá em cima admirando a bela vista de um dos lugares mais bonitos deste planeta.

Cristo Redentor
Depois de se deliciar com a beleza que, como diz Chico Buarque, “quase arromba a retina”, você pode fazer uma parada para almoçar no caminho para o Pão de Açúcar. Eu sugeriria que isso fosse na Urca, o bairro localizado aos pés da atração. Além de estar pertíssimo do seu destino, ainda é uma ótima oportunidade de conhecer um bairro do Rio completamente diferente das badaladas Copacabana e Ipanema, por exemplo. Com apenas 12 ruas, a Urca é o bairro onde moram famosos como Marisa Monte e o rei Roberto Carlos. E melhor: ainda fica de frente para a majestosa Baía de Guanabara.

 Cristo Redentor visto da Urca

De lá para o Pão de Açúcar, uma curta caminhada lhe deixa na estação da Praia Vermelha de onde sobem os famosos bondinhos (www.bondinho.com.br). A visão que você terá – seja do Morro da Urca (a 220m de altura) ou do Pão de Açúcar (aquele mais alto, a 396m) é, basicamente, o oposto do que você viu no Cristo Redentor, já que os dois monumentos do Rio ficam “em frente” ao outro.

 Pão de Açúcar

O funcionamento do Pão de Açúcar é até às 20h (para venda das entradas na bilheteria, ou seja, para você subir), o que facilita até para quem vai ao Rio apenas a trabalho e vai passar apenas um dia lá e voltar no outro. Só se lembre que quando a noite chega, a visão do mar que você teria do alto da atração turística nada mais é que um imenso breu (ou seja, concentre-se em se embasbacar com as luzes da cidade. Aqui, cabem outras duas dicas: o por do sol lá de cima é lindo! Se puder chegar perto do final da tarde, fique por lá mais um pouco e veja a beleza que é a cidade começando a se iluminar com os últimos traços do dia indo embora. 

Se preferir, desça e vá fazer um outro programa que eu, particularmente, amo e sempre faço quando estou no Rio (e é gratuito): admirar o pôr do sol lá das pedras do Arpoador. Chegue por volta das 17h, sente e apenas se deslumbre. 

 pôr do sol no Arpoador

Aproveite e termine seu dia em um dos muitos bares ou restaurantes de Ipanema. Mas, se quiser um lugar mais sossegado para jantar, a pedida é o Café do Forte (http://www.confeitariacolombo.com.br/site/cafe-do-forte/) – espécie de filial da famosa Confeitaria Colombo – no Forte de Copacabana. Mas lembre-se: lá só funciona até às 20h e, aos domingos, costuma lotar. De dia ou de noite, Copacabana vista de lá parece ainda mais bonita!

Copacabana vista do Café do Forte

Se você conseguiu fazer tudo isso em um dia só mesmo, parabéns! Você já pode dizer que visitou o Rio, já que conheceu seus dois principais pontos turísticos. Que tal, então, no dia seguinte, andar de barca?

Não conheço uma pessoa para a qual recomendei esse passeio que tenha desgostado. Em outros tempos, as  Barcas (www.barcas-sa.com.br), administradora do serviço, ofereciam até um passeio pela Baía da Guanabara, com duração de duas horas, todos os domingos, às 10h. Hoje, ele não mais existe. Infelizmente, porque era uma ótima e barata oportunidade de ver o Rio de um outro ângulo. Mas não é por isso que você vai ficar a ver navios, não é?

Vá até a Estação das Barcas, na Praça XV, e embarque em uma para Niterói. Ou Charitas. Ou até mesmo Paquetá. Para Niterói e Charitas, a travessia é curta (20 minutos). Para Paquetá, dura 70 minutos. Só fique atento aos horários. Durante o final de semana, os intervalos entre as saídas é maior, especialmente para Paquetá (e não há embarque para Charitas). Portanto, fique atento para não desperdiçar algo tão escasso na sua viagem: seu tempo.

Recomendo o passeio de barca, mesmo que seja apenas pelo prazer de fazer a travessia. Na volta, que tal conhecer a Lagoa Rodrigo de Freitas? Além de ser um dos mais conhecidos cartões postais da cidade, a Lagoa é um ótimo lugar para quem viaja com criança e, ainda por cima, fica perto do centenário Jardim Botânico (http://www.jbrj.gov.br/) e do Parque Lage (http://www.eavparquelage.rj.gov.br/). Se preferir, você pode inverter a ordem desses passeios.

 Jardim Botânico

Tudo o que citamos aqui funciona de domingo a domingo e é a céu aberto. Então, torça por um lindo dia de sol e uma bela noite estrelada. Sua viagem será ainda melhor! Aproveite!

quinta-feira, 5 de maio de 2011

PINDORAMA 10° 0' 0" S / 55° 0' 0" W.



FEIRINHA DO BAIRRO PEIXOTO

(o bairro Peixoto fica em Copacabana , no Rio de Janeiro)

Por Airee Tavares Costa (professora de sociologia)

amiga,

Hoje foi o ultimo dos três dias da feirinha para o dia das mães organizada pela associação do bairro Peixoto. É uma feira de artesanato com 70 barracas de expositores, o material apresentado é bem variado ; há barracas de bijuteria, perfumaria, caixinhas, vasinhos, roupinhas de criança ,bichos de pano, tapetes, colchas, panos de prato e uma serie de bugigangas que formam um conjunto inusitado e dá um colorido especial à praça.
Na manhã do primeiro dia há uma movimentação meio desordenada de pessoas buscando seu lugar no espaço delimitado ,aos poucos tudo se organiza e a coisa começa.

Os moradores vão passando porque é no caminho deles que está acontecendo a feira,uns param ,outros olham e seguem e é nesse momento que começa um jogo de sedução entre mercadores com suas mercadorias e a população do bairro. É gostoso observar esse comportamento e melhor ainda é participar.
Essa tranqueira é bastante trabalhosa mas é divertida

Fico na praça quase o dia inteiro , falo com o pessoal que já conheço de outros eventos e também com os novos cujas mercadorias me chamam a atenção .Meu interesse principal gira em torno das comidinhas porque aqui em casa nesses dias não sai fumaça, panelas e fogão dormem.
Tivemos ontem como atração Eduardo Cantor que com seu repertório de músicas bem escolhidas – cantou Lupicínio e toda a velha guarda- encantou à tarde do sábado e, hoje, tivemos um grupo de chorinho apresentando o que temos de melhor no gênero.
No final da tarde de hoje com um som que variava de Ladi Gaga a Abba ,vários expositores resolveram fazer promoções tipo final de feira de legumes "leve dois e pague um " .50% de desconto . Aí eu ouvi "doces portugueses dois reais aí amiga não conversei corri pras barracas entrei no empurra empurra e comi demais. Pastéis de nata, pastéis de santa clara, pão de ló enfim, uma variedade imensa de recheados e cremes.
Agora estou em casa tomando chá.

Tem uma baiana que na verdade é peruana que faz um acarajé porreta de bom.























(fotos cedidas pela Associação de Moradores do Bairro Peixoto)

ASSOCIAÇÃO DE MORADORES


Segundo a Associação de Moradores do Bairro Peixoto ele é   composto por 2 praças, 1 travessa, 1 ladeira e 13 ruas. Seus limites naturais são impostos pelos Morro dos Cabritos e Morro de São João. Pelo seu traçado urbanístico, está limitado pela Rua Henrique Oswald, à esquerda pelas Ruas Santa Clara e Lacerda Coutinho, à direita pela rua Siqueira Campos e Ladeira Tabajaras (até a Travessa Santa Margarida) e abaixo pela Rua Tonelero. Reúne aproximadamente 440 prédios residenciais e 9.000 moradores, havendo uma concentração demográfica acentuada na área das ruas Figueiredo Magalhães, Siqueira Campos, Sta. Clara e Tonelero.

No que se refere a sua infraestrutura, conta com um Posto de Saúde, o 19º Batalhão da Polícia Militar, um hospital particular de grande porte e Shopping Center conhecido como o Shopping dos antiquários que abriga ainda o Forum de Pequenas Causas. http://www.oasisbairropeixoto.com.br