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quinta-feira, 19 de abril de 2012

DIÁRIO DE UMA ADOLESCENTE. LOLLAPALOOZA.

Por Bianca Monteiro
Ano passado, quando li pela primeira vez anúncios do Festival Lollapalooza, ignorei assim como faço de primeira com todos os outros shows, como "ah, não tenho dinheiro mesmo, não vai ter minhas bandas favoritas, não tenho motivos pra querer olhar etc etc etc etc". Com esse pré convencimento imbecil, quase perdi uma oportunidade de ouro! Duas das minhas bandas favoritas estavam anunciadas, e uma em cada um dos dois dias do festival. Triste, né? Ter que escolher entre um e outro... Ainda mais sendo Arctic Monkeys e Joan Jett & The Blackhearts. Hoje, acho quase um insulto admitir que cheguei a ficar em dúvida na época. A escolha sempre foi mais que óbvia. Então, depois de muitas lamentações sobre preferir não escolher nenhum, em janeiro, já tinha meu ingresso pro dia 7 de abril. 

Joan Jett é minha grande inspiração como pessoa. Na segunda metade dos anos 70, aos 17, fez sucesso em The Runaways, sua primeira banda. Hoje, aos 53 anos, Joan ainda é um grande ícone feminino no rock'n'roll (claro que, pra mim, o principal). Como eu disse, minha escolha era mais que óbvia, eu nunca perderia a primeira vinda dela ao Brasil, já nos 37 anos de carreira. Oportunidade única. Passei meses falando disso, esperando e contando os dias, até que finalmente chegou (e dessa vez, com ingresso, melhor ainda). Depois de ver as fotos do festival na internet, desejei ter ido mais cedo, não pelas atrações dos diversos palcos espalhados no gigantesco Jockey Club, mas pra observar a beleza do lugar e a diversidade de pessoas, aproveitar melhor. Porém, fica difícil quando se tem um grande trânsito pra enfrentar, diversos portões com filas grandes, e não se sabe onde entrar. Cheguei em cima da hora, mas dei sorte: minha entrada deu de cara pro palco Butantã, onde logo ela se apresentaria, pontualmente, às 19h15min. Fiquei a poucos metros dela, do lado esquerdo do palco, e pensei até que estava vazio. Percebi que estava enganada ao ver o vídeo da exibição no Multishow, estava lotado, já que as pessoas que aguardavam o Foo Fighters que entraria às 20h30min no palco Cidade Jardim precisavam de uma distração.
Logo a Joan entrou, com a roupa vermelha brilhante do tipo que usava nas Runaways. As duas primeiras músicas, que eram as mais conhecidas (nas críticas li algo como "numa escolha pouco inteligente", mas julguei proposital, já que sendo amiga do Foo Fighters ela deixaria que o público fosse guardar lugares para o show deles logo após ouví-la um pouco) abriram o show com empolgação, e como todos sabiam as letras de "Bad Reputation" e "Cherry Bomb" (das Runaways), a plateia vibrava em uníssono. Infelizmente, não foi o que houve no restante do show. As pessoas realmente começaram a ir embora, o que foi vantajoso pros fãs que, como eu, puderam chegar mais perto, mas imagino o que eu sentiria se fosse da banda. Na verdade, pensei nisso até demais. Com tantos shows ao mesmo tempo, alguns ficariam sem público, e isso é lamentável. Enfim, a Joan foi muito simpática e engraçada tentando falar algumas frases em português, a que mais me marcou foi o "não seja tímido!", antes de todos cantarem por vários minutos um "yeah, oh yeah, oh yeah" introduzindo o cover de Gary Glitter, "Do You Wanna Touch Me? (Oh Yeah)". Cheia de energia, onde as pessoas viam a mulher de 53 anos, eu via ainda a garotinha de 17... No setlist também estavam presentes "You Drive Me Wild" (também das Runaways), "I Love Rock’n'Roll [vídeo]" (do The Arrows), "Crimson & Clover", seu sucesso "Love Is Pain", "Fake Friends", e duas músicas inéditas (tanto que ela teve que levar uma cola pra lembrar as letras). Como pouquíssimas pessoas conheciam o restante das músicas, senti que a plateia ficou meio parada demais, embora eu nunca fosse capaz de me contagiar com esse clima estando assim tão perto da Joan. Pelo contrário, cantei, gritei, chorei, morri, até cuspi sem querer na menina da frente ao fazer o "ch-ch-ch-ch-ch-ch-ch-cherry bomb", e não parei de pular um segundo (inutilizando minhas filmagens). Sempre existe aquela pontinha de esperança e ilusão que espera que uma hora o ídolo repentinamente te note no meio de uma multidão (literalmente, nesse caso)... E a minha realmente durou até que ela saísse do palco. Se despediu com "I Hate Myself For Lovin' You" com o show já bem vazio, mas retornou ao palco surpreendentemente com "AC/DC", encerrando minha noite da melhor forma possível... E quando ela finalmente deixou o palco, começou a tocar "Sheena Is A Punk Rocker", dos Ramones (conhecida entre meus amigos como a minha música). Achei muita coincidência, e tive que gravar pra mostrar pra eles depois.

 


Minha noite não acabou por aí, mas, aquele foi o encerramento com chave de ouro. As pessoas, literalmente, corriam até o palco Cidade Jardim, do outro lado do Jockey. O show já começava com "All My Life" e "Times Like These", e como não tinha pressa, sentei na grama com meu tio, atrás das 70 mil pessoas que só foram para ver o Foo Fighters. Mesmo bem longe do palco, considerei o melhor show que já vi na vida, meu tio também. Dave Grohl é engraçadíssimo, e tem um carisma incomparável. Só dava pra ver as macas entrando e saindo do meio da multidão, com fãs desesperadas passando mal, ou até mesmo rapazes carregando suas namoradas desmaiadas nos braços... Isso já demonstrava o clima completamente diferente que as mesmas pessoas do show anterior conseguiram criar, mesmo eu, a quase 300 metros do palco, sentia a multidão calorosa se exaltar com Dave. Suas piadinhas e constantes perguntas do tipo "quanto tempo de show vocês querem? 1 hora tá bom?" só faziam as pessoas gritarem ainda mais. Infelizmente, ele estava rouco, mas mesmo assim conseguia dar conta dos gritos frequentes nas canções, principalmente na minha favorita, "Walk", que na minha concepção foi o melhor momento do show, assim como "My Hero". Teve até uma hora que ele tocou bateria pra lembrar seus velhos tempos no Nirvana... E também tocaram um cover do Pink Floyd, "In The Flesh". Logo em seguida, "Best Of You", tão esperada por mim. Num intervalo, eles saíram do palco, e depois de alguns minutos houve uma transmissão nos telões, com a câmera de visão noturna, deles nos bastidores continuando com a brincadeirinha do "quantas músicas a mais? 2? Tá bom... 3?". Voltaram a todo vapor, e depois de algumas músicas, Dave começou a falar sobre a influência do Jane's Addiction pra banda (o líder Perry Farrel é o criador do festival), e nesse assunto de ícones do rock, anunciou surpreendentemente "Joan fucking Jett". Todos se entreolharam com a aparição da Joan, convidada pra cantar com a banda. Não quis nem saber das 70 mil pessoas e saí correndo entre elas pra chegar perto e vê-la de novo. Depois de ouvir "Bad Reputation[vídeo]" e "I Love Rock'n'Roll" (imagina só que honra cantar suas músicas e ter o Dave Grohl fazendo seu backing vocal!!!!), ela se despediu, eles também, mas com "Everlong", fazendo o Jockey se emocionar.



Não falei que ia valer a pena? (:

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

DIÁRIO DE UMA ADOLESCENTE. ANO NOVO, VIDA NOVA!

Por Bianca Monteiro

E finalmente 2011 acabou. Aliás, nunca vi um ano passar tão rápido. As retrospectivas começam a aparecer na televisão e nos sentimos desatentos, alguns fatos parecem ter ocorrido há séculos, outros há dias... Só aí nos tornamos cientes  da real passagem do tempo e de como ela nos afeta (ou não).

Me lembro como se fosse ontem de sair falando "feliz 2011!" por aí no centro da cidade, após tentar ver os fogos de artifício da varanda da minha casa. Esta foto da matéria foi a única que consegui salvar das que tirei... Fogos são bonitos, mas difíceis de capturar assim como qualquer outra coisa durante a noite sem o equipamento adequado... Ah, como queria já ser profissional nessas horas!

Particularmente, acho essa data importantíssima, com grande significado, ao contrário do natal. O ano novo sempre traz uma esperança, um sentimento de renovação, uma curiosidade sobre o futuro, o medo do desconhecido, da mudança... Sem contar as superstições das pessoas, como a de usar branco ou tons claros na virada, guardar 7 sementes de sei-lá-o-que na carteira, pular 7 ondas, comer tal coisa pra dar sorte, usar roupa íntima de acordo com a cor do que deseja pro próximo ano, etc...

É claro que, as tradições não mudam, mas todo o resto sim. Provando que não só a rapidez foi notável, este ano minha vida teve uma mudança brusca, uma reviravolta de 360º, e por isso não consigo ter certeza se foi o melhor ou o pior. Foi o mais importante pro meu crescimento pessoal, sem dúvidas, por ter tido que aprender a me adaptar a novas situações como a ida para o Ensino Médio, com mais carga horária, novos professores, uma sala relativamente nova, uma rotina bem diferente da que eu estava acostumada... Mas que me fez muito bem, pois conheci pessoas que fizeram essa mudança acontecer também dentro de mim, e que me proporcionaram momentos inesquecíveis. Dentre estas pessoas, estão alguns dos meus velhos amigos, e muitos amigos novos... Gente entrando e saindo desesperadamente da minha vida, de forma que escolhi parar de acompanhar pra não mais me perder. Mas o que importa é que realmente descobri quem é que veio pra ficar. Os meus 15 anos, que em vez de ter toda aquela coisa de festa, vestidos e valsa, fiz uma viagem. Novas experiências e descobertas, o que gerou uma nova mentalidade... Apegos a novas coisas, novos gostos, maior autoconhecimento... Aliás, acho que foi o que marcou principalmente esse período. O autoconhecimento (já que a inovação esteve presente em tudo). Houveram fatos marcantes também (em relação a mídia, pra mim, foi só isso mesmo) como a morte da minha diva (Amy Winehouse), a já comentada vinda da minha banda favorita (The Strokes) ao Brasil como a de muitas outras personalidades importantes, o Rock In Rio, os 10 anos desde a morte de George Harrison (e 31 desde a de John Lennon), o lançamento do novo livro da série do Guia Do Mochileiro das Galáxias (mesmo com a morte do autor Douglas Adams em 2001, o autor da série Artemis Fowl, Eoin Colfer, fez uma continuação a qual estou doida para conferir)...

Não sei, sinceramente, o que esperar de 2012. Nada de fim do mundo e essas piadinhas que tiveram graça antes, assim como aquele filme. Talvez... Queira apenas manter o "agora", mas com ainda mais força. Me esforçar mais... E estou com muito medo das mudanças. No segundo ano algumas matérias saem, e outras mudam de professores, sem contar que entram alunos novos, e os reprovados já não convivem conosco (felizmente, ufa), formando então uma nova sala para nós, espero que numa versão melhorada. E agora que o terceiro ano não está mais lá, vou perder minha ansiedade matinal de encontrar minha companhia favorita no recreio... Nada fácil. Canso de repetir tudo isso e mesmo assim não consigo me acostumar com a ideia.

Enfim, confesso que estou com medo de deixar para trás este ano de 2011 com todas as minhas lembranças, lugares, pessoas e momentos... Mas como dizem meus Beatles: "todos esses lugares tiveram seus momentos com amores e amigos que ainda posso me lembrar, alguns estão mortos e outros ainda vivem, em minha vida, amei todos eles". Deixo vocês com a minha música favorita de Ano Novo, U2 - New Year's Day.



"All is quiet on New Year's Day, a world in white gets underway. I want to be with you, be with you night and day... Nothing changes on New Year's Day."

Foi maravilhoso poder ter estado com vocês aqui no Primeira Fonte neste ano! Um feliz 2012 a todos (já que na próxima quarta já estaremos nele), e tudo de bom! (:

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

DIÁRIO DE UMA ADOLESCENTE. O SHOW DA MINHA VIDA

 Por Bianca Monteiro

Morar no interior não é fácil. Já é muito complicado fazer com que uma banda venha ao Brasil, e quando vem, é pra São Paulo e Rio, raramente em outras capitais (em nossa pequena Caxambu então, completamente impossível, fora de questão). Isso já é empecilho para muitos (por causa da autorização de pais para viajar, etc). A internet facilitou a compra de ingressos à distância, mas ainda assim, a disponibilidade não é garantida. No meu caso, os ingressos esgotaram em 14 horas, sem que eu sequer soubesse que eles começaram a ser vendidos. E o pior: foi em junho, sendo que o festival só seria em novembro. Me espantei. Não esperava que um festival voltado para o público indie como o Planeta Terra faria tanto sucesso a ponto de 20.000 ingressos serem vendidos em menos de um dia. E eu, que moro longe, obviamente me frustrei.


Os cambistas da internet queriam vender por 600, 800 reais, ingressos que compraram por 100 (ou no máximo 150). Um absurdo! Entrei em desespero, pois faria de tudo para ver meus Strokes de perto. Soube que fariam um show em Buenos Aires no dia anterior, mas meus parentes que moram lá não comprariam as entradas. As passagens também encareciam a cada dia… Me conformei: não os veria (apesar de ainda haver uma pontinha de esperança para algo bizarro acontecer e eu achar um ingresso na rua, algo do gênero).


Meses se passaram, até que por algum acaso tive que ir para São Paulo no fim de semana em que aconteceria o Festival, resolver assuntos dos meus pais. Passei na Galeria do Rock a fim de comprar umas coisinhas que minhas amigas me pediram, e uma camiseta nova da minha banda favorita, para compensar a perda do show, é claro. A noite chegava, saí com minha tia e mãe. Passamos tanto tempo naquele café que acabaram decidindo me levar para ouvir o show do lado de fora. The Strokes era a última banda da noite, a mais esperada pelo público. Entrariam no palco às 1h30min, e eu cheguei no local aproximadamente às 23h. A ansiedade era enorme. A caminho, minha mãe perguntou “o que você tá sentindo, filha?” “Como se tivesse indo encontrar o amor da minha vida no altar”, respondi, mesmo sabendo que ela estava se referindo aos sintomas da minha suposta gripe, que naquele dia estavam bem fortes. Um exagero típico, claro. Mas só asim ela entenderia o quão importante aquilo era pra mim. “Ah, filha! E eu querendo tirar isso de você! Me senti uma vilã agora”.


Enfim, ao chegar na porta, um cambista me abordou, vendendo ingressos por 200 reais. Sim, 1/4 do preço que eu esperava encontrar. Foi aí que a frustração realmente bateu. Todo meu dinheiro estava no carro, num estacionamento há duas quadras dali. E eu também não teria toda essa quantia, pois gastei tudo mais cedo na galeria. Não acreditei. Teria mesmo que me contentar em ouvir do lado de fora. Atravessei a rua e me deparei com uma surpresa: atrás do muro do parque e das árvores, havia o telão direito do palco, completamente visível dali. Eu veria o show. Com visão privilegiada das lentes profissionais, e o melhor: de graça!


Quando finalmente entraram, abrindo com a polêmica “New York City Cops”, eu desatei a cantar e chorar, mesmo com a agitação da música, principalmente quando a câmera deu um close no Julian Casablancas, vocalista dos Strokes, ícone indie e meu ídolo. Em 2011, o primeiro disco deles (e meu favorito), Is This It? (foto), eleito melhor álbum da década  de 2000 pela NME, completa dez anos, então a setlist do show era focada nele. Isso fez com que eles se tornasse muito melhor pra mim, pois temia que cantassem só músicas do último disco (que não é dos melhores).


Sem celular ou câmera, fiquei sem registros da noite mais emocionante da minha vida, apenas as imagens da minha memória fotográfica que agradeço por ter num momento desses. Alguns vídeos (em que nada está visível, só o som está ligeiramente aproveitável) ficaram no celular da minha tia, mas nada além disso. Imaginem só: uma maluca fanática, com febre, às 2 da manhã atrás do muro do Playcenter, chorando e gritando letras dos Strokes. Quem mais seria? Obviamente eu.

No fim do show, aproximadamente às 3h, passaram numa van ao meu lado, saindo de trás do palco. Fiquei feliz por tê-los visto e poder afirmar isso, mas, infelizmente, nenhum deles me viu nem camuflada na multidão. Gostaria de ter ido ao hotel, ou esperá-los no aeroporto, compensar essa desventura do ingresso… Mas, como disse, é bem difícil. Sair do sul de Minas Gerais, ir para São Paulo assistir a banda favorita do lado de fora numa madrugada. Se isso não é ser fã, eu não sei o que é.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

A "PEGADA" DE LENINE

Por Ana Laura Diniz


Não sei do que gosto mais: se é da "pegada", se é da voz ou se é da própria figura: Lenine é genial.

Uma vez, indo à casa da Zélia Duncan, descobri que eram vizinhos. Ah, e eu que já gostava da Urca, passei a amá-la mais e mais. 

Show mesmo, só fui em um dele, em São Paulo. Acompanhada de uma amiga querida, Marina Caruso. Não lembro o local, mas da noite, claro! Principalmente da força, do olhar, da interpretação exata... Sim, sou apaixonada pela arte dele. 

Recifense, cantor, compositor, arranjador, músico brasileiro. Osvaldo Lenine Macedo Pimentel gostava era de rock na década de 70. A vida é que foi aos poucos lhe mostrando os rumos da MPB - e, principalmente, de Milton Nascimento e Gilberto Gil.

Não demorou muito, pegou estrada e se mudou para o Rio de Janeiro. Em 1981, participou do festival MPB da TV Globo, com a composição "Prova de Fogo", e depois lançou com seu amigo e conterrâneo Lula Queiroga - outro grande artista que, por destino - quem sabe? - não teve ainda a projeção nacional que merece - o LP "Baque Solto" (que raríssimo, não tenho; pois nunca encontrei por menos de R$ 200,00 para comprar). Mas os trabalhos na época não "decolavam". 

Participou da banda Xarada, de rock, e apesar de emplacar a música "Mal Necessário" no filme Rock Estrela, de 1985, a coisa parou por aí. Sumiu da mídia, mas não da arte. Retornou oito anos depois com o disco "Olho de Peixe", tendo o percussionista Marcos Suzano como parceiro no trabalho. A sua estrela então brilhou mais alto, e teve músicas gravadas por Fernanda Abreu, a exemplo da dançante "Jack Soul Brasileiro",  Badi Assad, Margareth Menezes, Sergio Mendes e Elba Ramalho. 

Chegou aos anos 90 como uma das grandes promessas musicais. E Lenine não falhou. Em 1997, lançou seu primeiro disco solo - "O dia em que faremos contato.". Nele, músicas como "Hoje eu quero sair só", "A balada do cachorro louco (fere rente)", "Aboio avoado", "Olhos Negros" e "Que baque é esse?" ganharam o Brasil nas rádios, e abalaram estruturas em seus shows.

Dois anos depois, "Na Pressão" chegou respeitando o título da obra, e dentre várias faixas de sucesso, "Paciência" bateu todos os recordes, mostrando um Lenine cada vez mais versátil e profundo - sendo aclamado também na Europa.

E assim segue até hoje. De lá pra cá, lançou "Falange Canibal", "In Cité" (gravou na Cité de La Musique em Paris; o seu primeiro cd/dvd ao vivo). 

Aprecio a sua obra, mas nutro especial emoção por seus dois primeiros álbuns solos, "O dia em que faremos contato" e "Na Pressão". E, por isso, deixo uma pequena mostra desses trabalhos, a fim de ressaltar o trabalho desse grande artista que é o Lenine. Som na caixa, e aguente o baque!





No acústico, a versão mais "light" de "Na Pressão". Vale conferir o cd!



domingo, 21 de novembro de 2010

EIS UM 'NEGRO CANTO' DE ARREPIAR...


um pequeno causo antes de atravessar a pinguela

Por Ana Laura Diniz

Era sábado de 2001, se bem me lembro. A noite prometia porque veria o show de Zélia Duncan, no Rio de Janeiro.  Fim da apresentação. Muitos queriam falar com ela, eu também. Desejava entregar um presente: uma série de fotografias que havia feito dela em shows anteriores, em 20x25.

Fila. Sabe como é? Um fala, outro escuta mesmo sem querer. Tento puxar na memória, mas não lembro ao certo quem primeiro proseou com quem. Acho que fui eu. De quieta passei a falante de 0 a 60 minutos. Nem sei. Não vi o tempo passar. Sei que quando finalmente fui conversar com a Zélia, tinha ganhado amigos. Entre eles, o cantor Márcio Thadeu, que àquela época, nem sabia da sua profissão de fé. Fui saber assim, naturalmente, meses depois, em conversas via e-mail.

Descobrimo-nos, aliás, aos poucos. Talvez por isso a nossa amizade seja tão sólida, verdadeira, passados os quase cinco anos que não nos vemos. No passado, os encontros ocorriam com mais frequência: no Rio de Janeiro, quando eu ia. Em São Paulo, quando ele ia. Agora, em Caxambu, no Sul de Minas, não o vejo. No entanto, nada diminui nossos laços. Tenho nossa amizade como certeza de vida.

Então penso no acaso dos dias: nas gratas surpresas, nos anjos que nos enviam. Márcio Thadeu, para mim, é celestial. Penso também na Zélia, por situações que ela nem mesmo imagina. Também pelo encontro de “alma” com o Márcio, “deixa ver sua alma”. Sou realmente grata à Duncan.

E foi por causa desse encontro, que hoje, caros leitores, vocês têm a honra de conhecer um pouco do muito que é o Márcio. Um carioca fantástico, bonito, de alto astral e super de bem com a vida. Um artista fora de série, que trabalha no resgate e na valorização da cultura popular brasileira. Se há defeito nele, bem... talvez seja a modéstia – pois coloca-se sempre como aprendiz.

Com vocês, Márcio Thadeu, e seu Negro Canto. Puro deleite!
Nada melhor para a semana em que se comemora a Consciência Negra no País... (que a bem da verdade, deve ser a de todos os dias...)
  
O cantor Márcio Thadeu presta homenagens que vão de Cartola,
Geraldo Pereira, Nélson Cavaquinho a Seu Jorge e Jair de Oliveira 

Formado em Economia, como e por que você ingressou na música?
Gosto do trabalho de Consultoria em Economia, que inclusive é o que me fornece respaldo econômico-financeiro para tal empreitada artística, mas é no campo das Artes que verdadeiramente me realizo. Costumo dizer que a música me salvou (risos). Aos 33 anos, em 1995, finalmente tomei coragem e mudei de vida: fui de encontro às artes, porque sempre as admirei. Até então não tinha buscado oportunidades de expressão pessoal através delas.

E como sintetiza essa busca?
A busca pessoal por meio das Artes é profundamente subversiva!

Por que?
Porque mexe com questões pessoais, bem íntimas, profundas, e faz cada um pensar e mergulhar “em seus fantasmas”... leva a uma tomada de decisão se você, de fato, quer ser e estar feliz.

E como foi o teu preparo?
Fiz cursos livres/de extensão nas áreas de expressão corporal, de contadores de histórias, de locução, de teatro, e enveredei pelo caminho da música, buscando a complementação para o trabalho de ator – que eu pensava, naquela ocasião, ser a vocação natural. Mas ao conhecer todo o universo musical mais de perto, principalmente através das aulas de canto popular, me apaixonei pelo vasto “arsenal” de nossa MPB/Samba, e continuo até hoje, 15 anos depois, nesse aprendizado e prática, mantendo aulas particulares semanais de canto.

Com a maturidade dos 48 anos, o que mudou em relação à sua forma de encarar a arte?
A serenidade é maior, a busca de identidade própria e o desejo de encantar a mim e, por conseqüência, a plateia. Sempre levando em conta a importância e a relevância da letra e a melodia que estão sendo apresentas ao público.

Fale sobre o seu primeiro trabalho, lançado em 2007, o CD “Negro Canto”.
Com direção musical e arranjos do violonista Willians Pereira (prematuramente falecido um mês depois da conclusão do trabalho), o CD contém somente composições de autores afro-brasileiros, a exemplo de Seu Jorge, Jair Oliveira, Dorival Caymmi, Nélson Cavaquinho, Paulinho da Viola, dentre outras “feras”. Venho, desde então, realizando inúmeros shows de lançamento e mostras desse trabalho.

Onde?
Em casas da Lapinha, Cais Cultural, Espaço Telezoom, Bar do Tom, Centro Municipal de Referência da Música Carioca, Estudantina Grill, Bar Severyna, Teatro SESC Madureira, Teatros SESI Caxias e Jacarepaguá, dentre outros locais.

Apresentação no Teatro Solar de Botafogo, Rio de Janeiro/RJ
E como tem sido o retorno do público? O álbum pode ser encontrado em que lugares?
A receptividade tem sido muito grande. Foram impressas inicialmente mil cópias, e tenho bem poucas atualmente à venda.

Como você chegou ao nome do álbum: Negro Canto? Partiu de qual pressuposto?
Minha própria cor, história e necessidade de auto-conhecimento, além do desejo de homenagear a esses bambas brasileiros de mesma origem que a minha.

E por que o samba? O que ele influi em sua identidade, em sua vida?
Gosto do prazer e da alegria que o samba irradia ao ser apresentado.

Em termos de mercado, como está classificado o samba?
O samba (carioca) recebeu em 2007, o título de “Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil”. Por aí, vemos a sua importância e a marca de identidade local e nacional.

Artisticamente, qual o seu maior sonho?
Estar em contínua atividade artística. “E no entanto é preciso cantar!”  

Atrelado à música, recentemente o teatro voltou em sua vida...
Há seis meses, recomecei no teatro fazendo parte de um grupo numa Oficina de Atores. Já tive a primeira montagem com público pagante, chamada “Casos Veríssimos”, baseada em textos de Luís Fernando Veríssimo. As apresentações foram no Teatro Solar de Botafogo, no Rio de Janeiro, por três sábados seguidos, em horário alternativo e casa cheia.

Como foi a experiência?
Muito marcante, e atualmente permaneço na Oficina e também participo do curso de Teatro com Camilla Amado, renomada atriz de teatro, cinema e TV.

Qual a sua busca particular com o teatro?
O enriquecimento para o meu trabalho de cantor no palco, sobretudo com a interpretação do meu texto, que é a letra das canções. Quero expressar-me cada vez melhor como um todo: voz, corpo, gestos, enfim, busco maior presença em cena. Desejo ser um ótimo intérprete!

Mas você o é. Não se considera muito severo em sua autocrítica? Ou encara o aprendizado como uma forma eterna e, por que não divertida, de estar no mundo?
Grato pelo carinho e elogio! Tenho que relaxar mais, eu sei, mas para mim é tão vital estar cantando... sinto-me como na canção de Eduardo Gudin: um eterno “aprendiz de tanto suor” (Verde).

Quais suas influências musicais?
Ouço muita música em CD e nas rádios. Desde a minha infância, gosto de ouvir rádio, e acho que isso me marcou para o canto. Adoro os compositores citados anteriormente e mais Chico Buarque, Jorge Vercilo, Djavan, Maria Bethânia, Gal Costa, Marisa Monte, Tereza Cristina, Zélia Duncan, Cazuza, Elis Regina, Paulo Vanzolini, e muitos outros mais... Temos uma riqueza e diversidade fantásticas em nossa MPB. Somos musicalmente “milionários”.

No Centro Cultural Carioca, cantor promove a alegria da plateia
Projetos em vista?
Agora em novembro, estou em fase de gravação do meu segundo CD, chamado Negro Canto 2. Continuo no mote da homenagem e do resgate dos compositores afro-brasileiros, mas gravo, especificamente neste álbum, dois grandes autores: Cartola e Geraldo Pereira.

Por que a escolha deles?
Porque são mestres, bambas, da escola da vida. A primeira canção que amei – na primeira aula de canto popular – foi “Acontece”, de Cartola. Daí em diante... Geraldo Pereira nasceu em Juiz de Fora e foi criado no Morro da Mangueira/RJ. Foi aluno de violão de Cartola. Achei o “link” incrível e estava feita a conexão.

Em que fase encontra-se o trabalho?
Cumprimos já a primeira etapa da gravação, feita num estúdio em Araras/Petrópolis/RJ, onde ficamos – produtor, cinco músicos e eu - “imersos” por três dias seguidos. Estimo que possa lançá-lo no primeiro trimestre de 2011, aqui no Rio de Janeiro.

Sob qual perspectiva?
A melhor possível. Estou vibrando com esse novo desafio e a realização de um sonho.

O sonho vem por etapas?
Sempre, degrau por degrau. A subida é longa, mas é no caminho, durante o percurso, que se fazem as escolhas e se tem resultados. “A felicidade não está no destino, e sim na caminhada.”

O que costuma fazer em momentos de folga?
Gosto demais de ir ao teatro, ao cinema, aos espetáculos de dança. Agradeço a Deus por estar no Rio de Janeiro e ter esse leque, essa diversidade e oportunidades tão ricas de crescer e aprender vendo, ouvindo e acompanhando tantos artistas. Gosto de ler, mas sou indisciplinado na continuidade da leitura. Sou adepto das artes visuais, cênicas, e isso me satisfaz demais.

Tendo a base como música, o que mais te admira no Brasil?
O fato dele ser tão rico e multifacetado nas artes em geral. É contagiante, e há pleno envolvimento entre seus “operários” e públicos, inclusive com influência internacional: ontem mesmo eu vi um show em que Norah Jones tocou Luiz Gonzaga ao término de uma de suas canções. É demais!!!

Você homenageia em seus discos e nos shows os afro-brasileiros. Aproveitando a semana da Consciência Negra, o que pensa sobre o assunto? Acha necessária a existência desse dia? Como julga a questão do negro hoje no País?
Acho que temos ainda muitas barreiras e preconceitos camuflados. É importante a criação do dia/semana/mês para nos fazer parar nesse corre-corre louco em que vivemos, e refletir sobre pilares constituintes de nossa nação: branco, índio e negro. Pensar e repensar, eis a questão!

E a questão do conceito do “politicamente correto” ao adotar nomenclaturas como afro-descendentes? Acha que mora aí uma hipocrisia ou um preconceito velado por parte da sociedade ou que finalmente adquiriu-se respeito em todos os seus âmbitos?
Acho que há de tudo um pouco: hipocrisia, disfarce, eufemismo... Mas acima de tudo, uma nova forma de se encarar e discutir velhas questões sob uma ótica contemporânea. Não creio no estabelecimento do pleno respeito, ainda, mas estamos caminhando para lá.

E a disseminação de camisas com dizeres “100% BLACK”? Alguns julgam que existe um preconceito ao avesso, porque se alguém aparecer com uma camisa “100% WHITE” será inevitavelmente taxado de preconceituoso. O que pensa sobre o assunto?
Ai, a diversidade humana!
Tem espaço para tudo... Mas o principal penso que é: com que intenção se veiculam essas mensagens: homenagem, afronta, ou seja, o que está por trás dessas mensagens e de quem as usa e veicula? Antes de usá-las, sejam em que ‘tonalidade’ for, pensar no que se está expondo e/ou propondo.

É lindo ser negro!!! Acha que esse orgulho toma conta do Brasil? O brasileiro deve ter consciência de quê?
É lindo ser Brasileiro!!! Ter consciência disso, valorizar isso, acreditar nisso! Os estrangeiros já sabem disso há tempos... Porque não assumimos – de vez – nossa beleza e valor?

Se pudesse hoje, neste instante, oferecer uma música a alguém, qual e para quem seria?
Para todos que compartilham desse momento; e as canções são “O Escurinho” e “Escurinha”, ambas de Geraldo Pereira, e que fazem uma bela homenagem aos nossos negros brasileiros nesta semana de Consciência Negra.

Como o Brasil é um grande caldeirão de cores, um mosaico, somos todos, por consequência, também homenageados através deles!

Contato para shows?

Algo mais a acrescentar?
Muito obrigado pela oportunidade e pelo prazer em estar e compartilhar Arte com todos vocês. Abraços e até breve!       

CURTA AQUI A MÚSICA DE MÁRCIO THADEU!

sábado, 20 de novembro de 2010

PROGRAME-SE!

Lançamento do CD "Negro Canto", na semana da Consciência Negra!