Por Bianca Monteiro
E finalmente 2011 acabou. Aliás, nunca vi um ano passar tão rápido. As retrospectivas começam a aparecer na televisão e nos sentimos desatentos, alguns fatos parecem ter ocorrido há séculos, outros há dias... Só aí nos tornamos cientes da real passagem do tempo e de como ela nos afeta (ou não).
Me lembro como se fosse ontem de sair falando "feliz 2011!" por aí no centro da cidade, após tentar ver os fogos de artifício da varanda da minha casa. Esta foto da matéria foi a única que consegui salvar das que tirei... Fogos são bonitos, mas difíceis de capturar assim como qualquer outra coisa durante a noite sem o equipamento adequado... Ah, como queria já ser profissional nessas horas!
Particularmente, acho essa data importantíssima, com grande significado, ao contrário do natal. O ano novo sempre traz uma esperança, um sentimento de renovação, uma curiosidade sobre o futuro, o medo do desconhecido, da mudança... Sem contar as superstições das pessoas, como a de usar branco ou tons claros na virada, guardar 7 sementes de sei-lá-o-que na carteira, pular 7 ondas, comer tal coisa pra dar sorte, usar roupa íntima de acordo com a cor do que deseja pro próximo ano, etc...
É claro que, as tradições não mudam, mas todo o resto sim. Provando que não só a rapidez foi notável, este ano minha vida teve uma mudança brusca, uma reviravolta de 360º, e por isso não consigo ter certeza se foi o melhor ou o pior. Foi o mais importante pro meu crescimento pessoal, sem dúvidas, por ter tido que aprender a me adaptar a novas situações como a ida para o Ensino Médio, com mais carga horária, novos professores, uma sala relativamente nova, uma rotina bem diferente da que eu estava acostumada... Mas que me fez muito bem, pois conheci pessoas que fizeram essa mudança acontecer também dentro de mim, e que me proporcionaram momentos inesquecíveis. Dentre estas pessoas, estão alguns dos meus velhos amigos, e muitos amigos novos... Gente entrando e saindo desesperadamente da minha vida, de forma que escolhi parar de acompanhar pra não mais me perder. Mas o que importa é que realmente descobri quem é que veio pra ficar. Os meus 15 anos, que em vez de ter toda aquela coisa de festa, vestidos e valsa, fiz uma viagem. Novas experiências e descobertas, o que gerou uma nova mentalidade... Apegos a novas coisas, novos gostos, maior autoconhecimento... Aliás, acho que foi o que marcou principalmente esse período. O autoconhecimento (já que a inovação esteve presente em tudo). Houveram fatos marcantes também (em relação a mídia, pra mim, foi só isso mesmo) como a morte da minha diva (Amy Winehouse), a já comentada vinda da minha banda favorita (The Strokes) ao Brasil como a de muitas outras personalidades importantes, o Rock In Rio, os 10 anos desde a morte de George Harrison (e 31 desde a de John Lennon), o lançamento do novo livro da série do Guia Do Mochileiro das Galáxias (mesmo com a morte do autor Douglas Adams em 2001, o autor da série Artemis Fowl, Eoin Colfer, fez uma continuação a qual estou doida para conferir)...
Não sei, sinceramente, o que esperar de 2012. Nada de fim do mundo e essas piadinhas que tiveram graça antes, assim como aquele filme. Talvez... Queira apenas manter o "agora", mas com ainda mais força. Me esforçar mais... E estou com muito medo das mudanças. No segundo ano algumas matérias saem, e outras mudam de professores, sem contar que entram alunos novos, e os reprovados já não convivem conosco (felizmente, ufa), formando então uma nova sala para nós, espero que numa versão melhorada. E agora que o terceiro ano não está mais lá, vou perder minha ansiedade matinal de encontrar minha companhia favorita no recreio... Nada fácil. Canso de repetir tudo isso e mesmo assim não consigo me acostumar com a ideia.
Enfim, confesso que estou com medo de deixar para trás este ano de 2011 com todas as minhas lembranças, lugares, pessoas e momentos... Mas como dizem meus Beatles: "todos esses lugares tiveram seus momentos com amores e amigos que ainda posso me lembrar, alguns estão mortos e outros ainda vivem, em minha vida, amei todos eles". Deixo vocês com a minha música favorita de Ano Novo, U2 - New Year's Day.
"All is quiet on New Year's Day, a world in white gets underway. I want to be with you, be with you night and day... Nothing changes on New Year's Day."
Foi maravilhoso poder ter estado com vocês aqui no Primeira Fonte neste ano! Um feliz 2012 a todos (já que na próxima quarta já estaremos nele), e tudo de bom! (:
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quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
NATAL: QUE SIGNIFICADO TEM PARA VOCÊ?!
Por Ana Laura Diniz e Flávia Pereira
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| Parque do Ibirapuera, São Paulo, em dezembro de 2011 Google Images |
As ruas, repletas de luzes, ganharam há dias um cenário mais alegre, colorido. E as pessoas que as transitam parecem carregar um semblante mais sereno e harmonioso, afinal, é tempo de Natal!
Mas será que é sempre assim? “Depende. Essa ideia que a sociedade alimenta de que as pessoas são mais felizes com as festas do final de ano nem sempre espelha a realidade. Em geral, essas datas servem para aumentar as disparidades sociais – entre aqueles que têm e os que nada têm. Toda essa obrigatoriedade imposta (in)diretamente pelo comércio, pela mídia e pelas pessoas de que não importa o que tenha acontecido durante o ano que finda, Natal é Natal e o Ano Novo trará apenas dádivas, é falsa. Ah, mas é preciso ter esperanças de dias melhores? Claro! Mas isso é sempre, e não é o Natal que deve fazer a diferença. A gente é o que é, independente de presente, dia, hora, local. É importante não confundir as estações”, diz o administrador de empresas, Rômulo Gonçalves, de 38 anos. “Apesar disso, veja bem, não passarei a data em branco, pois reunirei a família e os amigos... mas Natal, hoje em dia, existe como sinônimo de lucro mercadológico”, acrescenta.
| Luan: "Eu só gosto dele (Papai Noel) porque é ele quem me traz brinquedos. Se ele não trouxer, paro de gostar." |
PF: E você por acaso conhece o papai Noel?
Eu nunca o vi, mas acho que ele é um homem que se fantasia, por isso eu não sei se ele realmente existe. Eu só gosto dele porque é ele quem me traz brinquedos; se ele não trouxer, paro de gostar. Esse ano eu ainda não sei se ele vai passar na minha casa, até porque eu não tenho uma chaminé.
Mas para garantir o tão indispensável presente, como de costume, Luan irá para Aparecida do Norte comprá-los com um tio, e depois jantará em casa com toda a família. “O presente pelo presente nada significa”, diz o advogado Carlos Almeida, de 41 anos. Ateu, garante que a data é um dia a mais no calendário, mas aceitou convite para um suntuoso jantar. “Gosto apenas de estar com os amigos, pois não vejo sentido algum em todo esse agito. Não resta dúvida de que a cidade fica muito mais bonita, mas ir ao cinema – por exemplo – é complicado, pois é inimaginável pensar em tirar o carro da garagem rumo a qualquer shopping. A não ser que se queira ficar irritado”, acrescenta. “E tem mais. As pessoas andam muito perdidas. Elas cometem mil atrocidades o ano inteiro e porque é Natal e 2012 se aproxima, acham que simplesmente isso as redimem de todo possível mal. Não vejo senso nesse raciocínio”, complementa o advogado.
No entanto, há os que sentem a data de outra maneira. “Essa é uma época de união entre as pessoas. Pra mim, significa felicidade”, diz a pré-adolescente de 12 anos, Yasmin Pereira Baldi Da Silva. “No passado eu achava que Natal só servia pra ganhar presentes, o que não acontece atualmente, porque eu creio que além disso, o mais importante é ter a família por perto”, diz. “Além disso”, acrescenta Kelvin De Souza Castro, de 20 anos, “o Natal é quando paramos para lembrar do nascimento de Jesus. Quanto mais maduro eu fico, mais forte é o sentido disso para mim. Até uma certa etapa da minha vida, significava apenas o nascimento de um menino, contudo, atualmente, representa o nascimento do meu salvador”, enfatiza.
Giselle Ribeiro Santos, de 41 anos, pensa de maneira parecida. “O Natal é paz, união, confraternização entre povos... Como sou católica, para mim também simboliza o nascimento de Jesus”. E conta: “quando eu era criança, todos esperávamos ansiosamente a hora de abrir os presentes e logo depois jantar com toda a família. Depois que perdi o meu pai, a família se desestruturou um pouco, entretanto, ainda comemoramos a data. Mas naquele tempo eu era criança e acreditava em toda magia do Natal, e hoje eu posso espalhar esse espírito natalino para outras crianças”, diz. “Sem dizer que as missas eram celebradas em latim: o padre ficava de costas para os fiéis, não tinham folhetos”, acrescenta Carmen Silva Pereira, de 69 anos. “Mas veja, muita coisa mudou: antes, os filhos obedeciam aos pais, o que hoje acontece raramente. Na minha casa, quando eu era criança, não havia comemoração, contudo, atualmente, eu, meus filhos, meus netos, todos comemoramos juntos”.
É verdade. “No final, basta o pretexto de estarmos juntos àqueles a quem desejamos. E se existe a tal magia do Natal, eles certamente estão nos encontros, nos abraços, no convívio, e principalmente, na lembrança daqueles que amamos, mas raramente estão perto da maneira como desejávamos. É isso! Eis o verdadeiro milagre de todas essas festas: sabermos transpor a matéria para estarmos verdadeiramente com quem amamos”, finaliza Maria Fernanda Biribebe, de 57 anos.
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sábado, 26 de março de 2011
84, CHARING CROSS. CARTA PARA NORAH
UM POVO QUE NÃO SABE FAZER FESTA…
Por Alline Storni
| Passagem de ano em Milão Foto: milanoweb.com |
Pipoca!
Talvez você nem seja tão festeira quanto a tua mãe aqui… Mas eu te aviso porque quem avisa amigo é, como diria a tua bisa Jeruza.
Festa de verdade você só verá no Brasil! O que temos aqui em Milão são celebrações, digamos assim. É que aqui, Pipoquinha, o povo só pensa em comer. Então tudo é organizado/pensado com a finalidade de comer.
Veja bem, eu também gosto de comer. E as comidas aqui são realmente deliciosas. Mas poxa, um pouco de música e dança, um pouco de diversão não vai fazer mal a ninguém, não é mesmo?
A minha festa preferida é Ano Novo. Eu adoro Ano Novo. Mas aqui é uma tristeza de dar dó. Tua mãe aqui sofre… Teu pai não entende, porque para ele a festa deles aqui é bem legal.
Queima de fogos em Copacabana Foto: Google Images |
Te explico: lá no Rio de Janeiro, onde eu nasci e cresci, o Ano Novo é no verão. E a tradição é todo mundo vestido de branco… e tem uma super festa na praia de Copacabana! Esta festa na praia é linda, linda, linda. Milhões de pessoas reunidas com um só propósito: desejar felicidade para o ano que se inicia. Alguns levam champagne, uvas, pulam onda, cada um tem o seu ritual. Tem música, tem dança, tem alegria. Uma festa e tanto!
Oferendas para Iemanjá Foto: rio-curioso.blogspot.com |
Aqui em Milão é inverno. Eu sei, fica dificil fazer festa no inverno… mas pelo menos nas festas que eu participei aqui era assim: casa de um amigo, milhões de coisas para comer, meia-noite: feliz ano novo!, olhar os fogos da varanda e acabou-se! Tua mãe sofre, Pipoca. E acho que se você conhecer o Ano Novo de Copacabana vai sofrer também!
E carnaval? Não vou nem te contar agora como é… só vendo, Pipoquinha, só vendo. Teu pai tem medo que depois que você conhecer estas festas no Rio você queira ir todo ano!
Eu vou logo avisando… Se você for eu vou junto!
| Carnaval 2001 / Mangueira / Rio de Janeiro Foto: Carlos Moraes / Agência O Dia |
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