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sábado, 7 de setembro de 2013

GENTE HUMILDE.

Esta seção é destinada a contar a vida das pessoas como nós, que vivem longe dos holofotes, mas que têm suas histórias de vida, cotidiana, formando a consciência coletiva do mundo. Enfim, elas são o micro do macro. 

Hoje a conversa é com dona Maria Gomes da Silva, doméstica aposentada de Ouro Preto. As palavras, se coloquiais, se em gírias, serão respeitadas. Tudo faz parte do meio para se chegar ao fim.

(ALD e ELB)

A GUARDIÃ

Por Esther Lucio Bittencourt
colaboração de Ana Laura Diniz

Maria Gomes da Silva, de 75 anos, doméstica aposentada. Vive em Ouro Preto, Minas Gerais, e durante muitos anos trabalhou para Linda Nemer, proprietária atual da casa que era da poeta norte-americana Elizabeth Bishop.

Dona Maria, a Guardiã
“Na época em que Linda pegou essa casa, que era da Elizabeth Bishop, um amigo dela me disse que ela precisava de uma pessoa para tomar conta da residência. Era o Marcelo, dono da Padaria na Rua São José. Então a Linda mandou me chamar lá em casa, aí eu vim, nós conversamos e ela falou assim: ó dona Maria eu preciso de uma pessoa para cuidar desta casa, porque eu vou mandar reformar ela, arrumar.... a casa estava muito estragada.... e quero que a senhora cuide dela e a traga sempre muito limpa, arrumada, porque eu vou vim passar fim de semana aqui – a Linda é ouropretana , mas mora em Belo Horizonte- meus amigos virão, eu preciso de uma pessoa assim. A senhora aceita? Aceito, uai. Eu preciso trabalhar... Foi em 1985 e hoje minhas filhas continuam fazendo o meu trabalho. Mas sempre venho dar uma olhada para ver se está tudo bem.

A Elizabeth era amiga da Lili, parece que elas vieram para o Brasil na mesma época. As três irmãs, Lili, Nini e Jerry. Hoje só a Jerry está viva. Dona Lili morava na rua do Carmo.

Eu nunca trabalhei com a dona Elizabeth, mas a mulher que era empregada dela e chamava Vitória era amiga dessa vizinha aqui, dona Noquinha, e na época que Elizabeth adoeceu Vitória foi para Belo Hotizonte e lá ela casou e acho que ela ainda é viva ainda . Ela é comadre desta aqui, a dona Noquinha. Eu nem conheci a Vitória, mas conheço bem dona Noquinha.”

Estávamos numa sacada da copa da casa e desejei saber o que a poeta via da sacada, como era a cidade no tempo em que morava lá.

Dona Maria e Esther
Dona Maria me respondeu: "Ela devia ficar olhando aí tudo isto aqui que já existia na época dela, menos as casa lá por alto, àquela parte de lá , do outro lado assim, por volta, que lá não existia ainda, era tudo campo, que ali hoje é um bairro enorme que tem a Coperouro da Alcan. Na época em que a Elizabeth morava aqui não tinha isto, nem aquelas casinhas, que era também campo, igual a parte de lá. Há pouco tempo, assim, que a Prefeitura dá os lotes , aí as pessoas vão lá e falam : fora. E os que estão lá vão embora e eles constroem uma casa e lá em cima a Universidade fez a Escola de Minas. Lá em cima é a Universidade. Os jardins daqui foram feitos pela Linda. Estes cheios de copos-de-leite... Mas dizem que ela gostava de uns golinhos, né? A Elizabeth.

A divisa vai aqui desta árvore aqui . Para lá da árvore é da outra casa. Da árvore vai reto até lá em baixo, depois sobe e vai até perto do hotel Solar das Lajes que era da dona Lili, perto da casa grande que dona Lili comprou. Tem estas janelas que tem uma cor, né ? que cor é esta? Parece esverdeada... esta casa destas janelas era pequena . No que seu Pedro foi querer fazer hotel ele foi espichando para aqui , como fala? Fazendo bangalôs? E a casa de cima está fechada porque está muito estragada, tá quase caindo. Olha só... tá quase caindo.”

E assim dona Maria continua com suas histórias, e as casas, lugares, pessoas desfilam na sua fala como se fossem conhecidos de todos nós. De vez em quando ela dá uma olhada no serviço das filhas, comenta alguma coisa com a neta que está lá para ajudar.... e assim a vida corre na 546 da rua Conselheiro Quintilhiano onde morou a poeta Elizabeth Bishop. Uma casa de janelas que abrem para a calçada, apenas um banheiro e muito espaço para jardim e sonhos, os construtores dos poemas.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

ELIZABETH BISHOP E SUA OBRA




Por Esther Lucio Bittencourt
fotos de Ana Laura Diniz


No momento em que é lançado o filme Flores Raras  , baseado no livro Flores Raras e Banalíssimas , nada mais propício do que republicar uma série de matérias feitas após visita à casa da poeta Elizabeth Bishop em Ouro Preto. 


Elizabeth Bishop nasceu no ano de 1911, em Worcester, Massachusetts. Bem jovem perdeu o pai, que também morreu jovem. Sua mãe foi internada num asilo para doentes mentais e ela foi morar com os avós na Escócia. Formou-se no Colégio Vassar, em 1934.


Sestina

A chuva de setembro cai sobre a casa

Sob a luz mortiça, a grisalha avó

Senta-se na cozinha com a criança

Ao pé do fogão Pequena Maravilha,

Lendo as velhas piadas do almanaque,

Rindo e falando para esconder as lágrimas

Pensa que suas equinociais lágrimas

E a chuva sobre o telhado da casa

Foram preditas ambas pelo almanaque,

Coisas que pode conhecer só uma avó.

Apita a chaleira no fogão-maravilha

Ela corta o pão e diz à criança

.....................................................

Entre 1935 e 1937 ela viaja pela França, Espanha, Norte da África, Irlanda e Itália. Mora por quarto anos em Key West, Flórida. Lá, prepara seu primeiro livro, “North and South”, publicado em 1946.


Sua obra: 



POESIA


North and South (1946)

Poems: North and South—A Cold Spring (1955)

Poems (1956)
Questions of Travel (1965)
The Ballad of the Burglar of Babylon (1968)
The Complete Poems (1969)
Poem (1973)
Geography III (1977)
The Complete Poems 1927-1979 (1983)
Edgar Allan Poe & The Juke-Box: Uncollected Poems, Drafts, and Fragments (2006)

PROSA

Brazil (1962)
The Collected Prose (1984)
One Art: Letters (1993)

ANTOLOGIA

The Diary of Helena Morley (1977)


LEIA OS LIVROS


       ·         "The Art of Elizabeth Bishop", editado pela Universidade Federal de Minas Gerais, por Sandra Regina Goulart de Almeida, Gláucia Renate Gonçalves e Eliana Lourenço de Lima Reis;
       ·         "Uma Arte", as cartas da poeta;
       ·         "Esforços do Afeto";
       ·         "O Iceberg Imaginário";
    ·    "Poemas do Brasil", todos estes editados pela Companhia das Letras.


Morreu em Cambridge, Massachussetts, em 1979. Mas antes viveu 15 anos no Brasil. Entre um apartamento no Leme, uma casa em Teresópolis, a Samambaia e Ouro Preto, seu derradeiro amor. Sua casa foi comprada por Linda Nemer de sua herdeira Helen Methfessel.



SALA ELIZABETH BISHOP


A Sala Elizabeth Bishop, na Biblioteca Demonstrativa de Brasília (BDB), é fruto de uma parceria da Biblioteca e a Embaixada dos Estados Unidos. Lá tem um rico acervo em língua inglesa, composto de obras de referência, ficção e não ficção norte-americana, de administração e negócios, livros infantis e juvenis, publicações governamentais e material atualizado para professores e alunos de inglês. São oferecidos programas culturais e de aconselhamento de estudos nos EUA, acesso supervisionado sobre o país, por meio de vídeos, CDs e CD-Roms e palestrantes em assuntos de interesse comuns a brasileiros e americanos.

Além disso, traduções em português de autores de literatura norte-americana estão disponíveis no acervo geral da BDB.

A homenageada, Elizabeth Bishop, foi responsável pela tradução para o inglês de Carlos Drummond de Andrade e João Cabral de Mello Neto. Trabalhou no Setor de Poesia da Biblioteca do Congresso (Library of Congress) e se consagrou com uma poética que se tornou obrigatória em qualquer antologia de poesia norte-americana.

Para a maioria dos críticos e seus admiradores, o legado principal de Elizabeth Bishop é exatamente sua obra poética de extremo bom gosto e refinamento, resultado de longo e preciso trabalho de lapidação das palavras. Embora morando em Petrópolis, foi agraciada, em 1956, com o Prêmio Pulitzer de poesia, um dos prêmios literários de maior prestigio nos Estados Unidos, por Poems: North & South - A Cold Spring, junção de poemas já editados com a produção de uma década de Brasil. Após sua morte, em 1979, mais e mais leitores vêm descobrindo seu texto enxuto e denso, de grande prazer de leitura.

A CASA, em Ouro Preto

Pisar o mesmo chão de tábuas corridas, hoje desgastadas pelo tempo, que Elizabeth cansou de palmilhar. Olhar as paredes da casa de pau-a-pique e sentir nelas ainda a vibração de alma da poeta que de tão delicada “pedia licença para respirar”, como nos conta Linda Nemer que com ela conviveu durante alguns anos.

“Perdi duas cidades, eram deliciosas. E, 
Pior, alguns reinos que tive, dois rios, um 
Continente. Sinto sua falta, nenhum desastre.
- Mesmo perder-te a ti (a voz que ria, um ente
Amado), mentir não posso. É evidente:
A arte de perder muito não tarda a aprender,
Embora a perda - escreva tudo!- lembre desastre.
 (do mesmo poema: "Uma Arte")

A vida, é evidente, nos contamina com as perdas e Elizabeth sentiu isto desde jovem. Quando conseguiu alguma coisa de seu foi a poucos anos de sua morte. Mas assim como soube ganhar, soube perder, com garbo, sem mágoas ou, como diz seu poema, “disaster”.

[continua no próximo domingo]

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

ELIZABETH BISHOP, POETA EM OURO PRETO

Por Esther Lucio Bittencourt
colaboração de Ana Laura Diniz

Perca algo a cada dia. Aceita o susto
De perder chaves, e a hora passada embalde.
A arte de perder não tarda aprender.
(Do poema “Uma Arte”, de Elizabeth Bishop)

Começo esta matéria assim: quebrando cânones do jornalismo e a escreverei na primeira pessoa.

Foi em Ouro Preto, Minas Gerais, que subi 700 metros de ladeiras, por conta de um desejo de Ana Laura Diniz, de andar. Iríamos procurar encontrar a casa da poeta Elizabeth Bishop. Andamos mais, muito mais. Graças ao "vamos Esther, não podemos estar mais tão longe", a teimosia venceu o forte sol, o cansaço, e promoveu a recompensa, inigualável. Sentei na mesma cadeira de balanço que Elizabeth Bishop sentara. Percorri seu quarto e vi a cama em desalinho, usada pelos proprietários atuais. Ana Laura num silêncio especial, fotografava. Conversei com as empregadas antigas. Nenhuma delas conviveu com a poeta que morou cerca de 15 anos no Brasil e hoje é considerada uma das maiores dos Estados Unidos e, certamente, do mundo.

Mas vamos aos comentários e ensaios fotográficos de Ana Laura Diniz. As conversas seguem depois.


Vista pela rua, uma casa como tantas outras de Ouro Preto...
... mas quando se passa pela porta de estilo colonial...
... os detalhes, como esses das fechaduras, chamam a atenção!
Na placa, o texto na íntegra: "Nesta casa viveu, nas décadas de 1960-1970, a poeta Elisabeth Bishop (1911-1979), nome expressivo da poesia norte-americana contemporânea. Traduziu e publicou obras da literatura brasileira, além de marcar sua produção literária com uma visão sensível e original do País". Museu Aberto - Cidade Viva.


terça-feira, 31 de janeiro de 2012

GEOPARQUE DE CAXAMBU TERÁ PARCERIA DA CODEMIG

Esther Lucio Bittencourt







Reunião de sexta feira,sexta feira, 27 de janeiro, ás 11h00min entre o Prefeito de Caxambu, Luiz Carlos Pinto, o Secretário do Meio Ambiente, Gilberto Rossi, E Adriana Franca com Dr.Marcelo Nassif (diretor de operações) e Martinho Rezende (gerente de minas) da CODEMIG.


Em matéria publicada aqui no PF, dia 26 de janeiro deste ano, foi informado que o prefeito de Caxambu, Luiz Carlos Pinto, assinou o decreto de número 1768, de 18 de janeiro de 2012 que dispõe sobre a criação do Geoparque Cidade das Águas de Caxambu. No domingo,29 de janeiro, publicamos na íntegra o projeto do Geoparque de Caxambu. Mas isto basta para que o Geoparque exista e tenha sentido como tal? Qual a função de um Geoparque? São perguntas que o Secretário do Meio Ambiente da Prefeitura de Caxambu, Gilberto Rossi responde:



PF- Como se inicia a implantação de um geoparque? O que vem primeiro? Será preciso a publicação de um livro?


Gilberto Rossi- O Geoparque já está implantado. O decreto assinado pelo Prefeito já fez isso. Agora, os estudos demostraram o nossos valores ambientais, historicos, culturais e artísticos. A parceria com a  UFLA -Universidade Federal de lavras- trará a comprovação cientifica das propriedades crenoterapicas de nossas águas, será realizados a publicação de um livro que irá ser distribuidos nas escolas para estudos e, ápos isso, o Geoparque terá o reconhecimento da UNESCO. Daí o processo segue para os que virão, dar continuidade nas áreas que se interessarem.


PF-Quanto de verba será necessário para implantar o geoparque? A prefeitura poderá arcar com isto?


Gilberto Rossi- Esther, na realidade esta foi a procura. O executivo nao tem verba para tal trabalho. Como a Codemig é proprietaria de duas áreas que compõem o Geoparque: area da represa do Jacaré e Área do Parque, e quando recebermos o titulo da UNESCO ou seja o reconhecimento de Patrimonio Mundial Hidromineral Carbogasoso ela também será beneficiada, o assunto foi conversado com ela que topou no ato bancar com os custos do Projeto.


PF- Então a Codemig arcará com as despesas do Geoparque? Ela Topou?


Gilberto Rossi- A Codemig  topou arcar com o Projeto do Geoparque.


PF- Quanto de verba será necessário para implantar o geoparque?


Gilberto Rossi -Foi realizada uma pesquisa de preço para solicitar a parceria com a CODEMIG, o valor da proposta foi de R$ 482.000,00 para ser licitado por ela para os levantamentos e estudos, o mesmo valor foi aprovado pelo IPHAN- Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em consulta por telefone.

Quem detém o valor comercial da Agua Caxambu á a Codemig que terá, portanto, a única água mineral do mundo envasada dentro de um Geoparque. Motivos eles tem muito para serem nossos parceiros e é isso que queremos para melhorar nossos valores, assim como eles.



PF- O que é Geoparque e seu significado?


Gilberto Rossi- O Geoparque é uma classificação, então aquela área (como está no projeto) é definida como tal e mais do que nunca teremos de fazer cumprir as leis já existentes sobre o meio ambiente. É uma área de patrimônio geológico com desenvolvimento sustentável econômico, o que ajudará o desenvolvimento da comunidade local.


Por exemplo, para o geoparque prevemos o treinamento de guias turísticos, dentre outras atividades.


Com a vinda do consórcio das universidades mineira para caxambu iremos receber 3 mil alunos, 1200 de profissionais no campus, serão então 4200 pessoas , fora as que trabalharão de forma indireta. Com toda esta perspectiva de crescimento é preciso proteger a Bacia Bengo, o Caminho das  Águas de Caxambu para que não aconteça na área de recarga de nossas águas o que aconteceu na invasão do morro Caxambu que foi iniciada há 30 ou 40 anos e que há 10, 15 anos tomou maior proporção. Precisamos estancar isto. E medidas já foram e continuam sendo tomadas.

Classifiquei quatro áreas no projeto, as matas do município , que é a do Jacaré, a represa do Jacaré onde fica a cabeceira de nossas águas, depois as áreas de moradia legal; a área do Centro de Convenções que começa onde um dia foi feito um desmatamento para que fosse construído um centro de treinamento, o Geoparque preservará esta área, mais o Parque das Águas e a área do morro. Então são três áreas públicas e uma privada, com vários proprietários. A represa do Jacaré e o Parque das Águas pertence a Codemig, o Centro de Convenções e o morro à Prefeitura . São áreas de domínio de governo.


É bom frisar que para os que tem área particular nada seria alterado a não ser a delimitação e classificação. Por exemplo, a pessoa poder dizer que sua área está dentro do Geoparque. A delimitação já é imposta por leis ambientais. O Geoparque não fere as leias federais, estaduais ou municipais.
O IPHAN necessitou do decreto que foi assinado dia 18 deste mês que determina a criação do Geoparque . Enviei o projeto para o IPHAN e fui comunicado que ele foi muito bem aceito . É o único que defende as águas carbogasosas .

"A Secretaria de Meio Ambiente já delimitou geodésicamente os pontos que existem hoje com a cerca existente . A meta próxima agora é fazer um aceiro contra o fogo para proteger a cerca, a mata do parque e que funcione também como delimitação da área que já foi ocupada. Este projeto está passando pelo CODEMA para que possa ser realizado. É urgente, para que não ocorram mais queimadas, como esta no Morro de Caxambu"- Gilberto Rossi

"É preciso proteger o caminho das águas de caxambu para que não aconteça na área de recarga de nossas águas o que aconteceu na invasão do morro Caxambu que foi iniciada há 30 ou 40 anos e que há 10, 15 anos ganhou maiores proporções. Precisamos estancar isto."-Gilberto Rossi

Não ha outro Geoparque com o conceito hidromineral carbogasoso, este será o primeiro no Brasil e no mundo. Há no Brasil o Geoparque da região do Araripe, no Ceará. A concepção do GEOPARQUE ARARIPE segue as recomendações do GEOPARK PROGRAM UNESCO e está apoiado na legislação ambiental e cultural de preservação de sítios e paisagens. E o do quadrilátero ferrífero em constituição.

Há também a proposta de criação de um “Geopark” na Serra da Bodoquena e Pantanal, por iniciativa do IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, com uma área de aproximadamente 32 km2.



PF- Como surgiu a proposta de criação do Geoparque?

Gilberto Rossi- Mostrando a cidade e Parque das Águas a Equipe do IPHAN,  DR. Carlos Fernando Delfim -  do IPHAN e conselheiros da ANA- Agencia Nacional das Águas,  passei o conhecimento que adquiri durante a Restauração do Balneário de Caxambu e demonstrei o potencial turístico, arquitetônico cultural e cromoterápico da nossa cidade,  que deveria ser resgatado, estudado, preservado e aplicado.


Poucos estudos foram realizados até agora, existem relatos históricos, livros que documentam os acontecimentos, depoimentos de populares que se disseram curados de algum mal pelo efeito das águas, estudos realizados pelos grandes médicos da crenologia da época, que relatam as propriedades físicas e químicas de nossas águas. 


A conclusão da nossa conversa foi que através de um Geoparque conseguiríamos realizar e preencher todas as nossas necessidades, pois assim será  realizados todos os estudos necessários com as nossas águas, comprovada a atuação na cronologia e, conforme explicou um dos professores da UFLA, poderemos até descobrir fatos novos . 


Então,o Dr. Carlos Fernando Delphim - Técnico em Patrimônio Natural do IPHAN, sugeriu que o projeto de um Geopark poderia ser executado para criar uma identidade forte para o nosso município.O que foi feito através do decreto, do projeto e estamos viabilizando."



Vitraux do Balneário recentemente recuperado
Visão parcial da lateral do Balneário
Interior do Balneário do Parque das Águas de Caxambu

SOBRE GEOPARQUES NO BRASIL

Geoparques no Brasil

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

A "PEGADA" DE LENINE

Por Ana Laura Diniz


Não sei do que gosto mais: se é da "pegada", se é da voz ou se é da própria figura: Lenine é genial.

Uma vez, indo à casa da Zélia Duncan, descobri que eram vizinhos. Ah, e eu que já gostava da Urca, passei a amá-la mais e mais. 

Show mesmo, só fui em um dele, em São Paulo. Acompanhada de uma amiga querida, Marina Caruso. Não lembro o local, mas da noite, claro! Principalmente da força, do olhar, da interpretação exata... Sim, sou apaixonada pela arte dele. 

Recifense, cantor, compositor, arranjador, músico brasileiro. Osvaldo Lenine Macedo Pimentel gostava era de rock na década de 70. A vida é que foi aos poucos lhe mostrando os rumos da MPB - e, principalmente, de Milton Nascimento e Gilberto Gil.

Não demorou muito, pegou estrada e se mudou para o Rio de Janeiro. Em 1981, participou do festival MPB da TV Globo, com a composição "Prova de Fogo", e depois lançou com seu amigo e conterrâneo Lula Queiroga - outro grande artista que, por destino - quem sabe? - não teve ainda a projeção nacional que merece - o LP "Baque Solto" (que raríssimo, não tenho; pois nunca encontrei por menos de R$ 200,00 para comprar). Mas os trabalhos na época não "decolavam". 

Participou da banda Xarada, de rock, e apesar de emplacar a música "Mal Necessário" no filme Rock Estrela, de 1985, a coisa parou por aí. Sumiu da mídia, mas não da arte. Retornou oito anos depois com o disco "Olho de Peixe", tendo o percussionista Marcos Suzano como parceiro no trabalho. A sua estrela então brilhou mais alto, e teve músicas gravadas por Fernanda Abreu, a exemplo da dançante "Jack Soul Brasileiro",  Badi Assad, Margareth Menezes, Sergio Mendes e Elba Ramalho. 

Chegou aos anos 90 como uma das grandes promessas musicais. E Lenine não falhou. Em 1997, lançou seu primeiro disco solo - "O dia em que faremos contato.". Nele, músicas como "Hoje eu quero sair só", "A balada do cachorro louco (fere rente)", "Aboio avoado", "Olhos Negros" e "Que baque é esse?" ganharam o Brasil nas rádios, e abalaram estruturas em seus shows.

Dois anos depois, "Na Pressão" chegou respeitando o título da obra, e dentre várias faixas de sucesso, "Paciência" bateu todos os recordes, mostrando um Lenine cada vez mais versátil e profundo - sendo aclamado também na Europa.

E assim segue até hoje. De lá pra cá, lançou "Falange Canibal", "In Cité" (gravou na Cité de La Musique em Paris; o seu primeiro cd/dvd ao vivo). 

Aprecio a sua obra, mas nutro especial emoção por seus dois primeiros álbuns solos, "O dia em que faremos contato" e "Na Pressão". E, por isso, deixo uma pequena mostra desses trabalhos, a fim de ressaltar o trabalho desse grande artista que é o Lenine. Som na caixa, e aguente o baque!





No acústico, a versão mais "light" de "Na Pressão". Vale conferir o cd!



sábado, 26 de março de 2011

84, CHARING CROSS. CARTA PARA NORAH

UM POVO QUE NÃO SABE FAZER FESTA…

Por Alline Storni
Passagem de ano em Milão
Foto: milanoweb.com

Pipoca!

Talvez você nem seja tão festeira quanto a tua mãe aqui… Mas eu te aviso porque quem avisa amigo é, como diria a tua bisa Jeruza.

Festa de verdade você só verá no Brasil! O que temos aqui em Milão são celebrações, digamos assim. É que aqui, Pipoquinha, o povo só pensa em comer. Então tudo é organizado/pensado com a finalidade de comer.

Veja bem, eu também gosto de comer. E as comidas aqui são realmente deliciosas. Mas poxa, um pouco de música e dança, um pouco de diversão não vai fazer mal a ninguém, não é mesmo?

A minha festa preferida é Ano Novo. Eu adoro Ano Novo. Mas aqui é uma tristeza de dar dó. Tua mãe aqui sofre… Teu pai não entende, porque para ele a festa deles aqui é bem legal.

Queima de fogos em Copacabana
Foto: Google Images
Te explico: lá no Rio de Janeiro, onde eu nasci e cresci, o Ano Novo é no verão. E a tradição é todo mundo vestido de branco… e tem uma super festa na praia de Copacabana! Esta festa na praia é linda, linda, linda. Milhões de pessoas reunidas com um só propósito: desejar felicidade para o ano que se inicia. Alguns levam champagne, uvas, pulam onda, cada um tem o seu ritual. Tem música, tem dança, tem alegria. Uma festa e tanto!

Oferendas para Iemanjá
Foto: rio-curioso.blogspot.com
Aqui em Milão é inverno. Eu sei, fica dificil fazer festa no inverno… mas pelo menos nas festas que eu participei aqui era assim: casa de um amigo, milhões de coisas para comer, meia-noite: feliz ano novo!, olhar os fogos da varanda e acabou-se! Tua mãe sofre, Pipoca. E acho que se você conhecer o Ano Novo de Copacabana vai sofrer também!

E carnaval? Não vou nem te contar agora como é… só vendo, Pipoquinha, só vendo. Teu pai tem medo que depois que você conhecer estas festas no Rio você queira ir todo ano!

Eu vou logo avisando… Se você for eu vou junto!

Carnaval 2001 / Mangueira / Rio de Janeiro
Foto: Carlos Moraes / Agência O Dia