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sábado, 14 de maio de 2011

84, CHARING CROSS. DOS PERCALÇOS DE VIAGEM...

Por Alline Storni
  
Alline e Norah: bocejo de princesinha
Sabe quando você planeja uma viagem durante muito tempo e no final não sai nada como planejado? Você encaixa todos os horários e dias, reserva hotel, transfer, city tour com base às horas que você irá ficar em cada cidade... daí teu vôo é cancelado. Você é obrigado a ficar horas no aeroporto esperando o próximo. Perde o transfer, perde o city tour, tua mala some, o hotel está com overbooking quando você chega exausto... mas no caminho você conhece pessoas interessantes, tem novas ideias para a tua viagem e procura pensar positivo, no maior estilo “Pollyana de ser” como eu gosto de dizer.

O parto de Norah foi assim. Eu queria muito o parto natural, mas não era uma fixação. Mas eu me preparei, fiz curso de preparação ao parto, li mil livros sobre o tema, aprendi a respirar em 2121474856 maneiras diferentes, tudinho... Li também sobre cesariana, como era, a recuperação e tal. Fiquei feliz de saber que eu estaria acordada e veria logo Norah quando tirassem ela da minha barriga em caso de cesárea. Enfim, tudo planejado.

Comecei a ter contrações dia 17 de abril. Norah nasceu só dia 21. Foram 4 dias de contrações fortes, mas eu não tinha dilatação. Então eu chegava no hospital e eles me mandavam de volta. Porque aqui em Milão - e me disseram que em toda a Europa – o protocolo é esperar o máximo que puder para que o parto seja natural. Norah era prevista pra chegar dia 16, então ela já estava “atrasada”, digamos assim. Mas eles podem nascer até 10 dias depois da data prevista, e o tal protocolo só permite a indução do parto após estes 10 dias. E eu até concordo com o incentivo da prática do parto natural e que eles esperem estes 10 dias, mas poxa, desde que a mãe não tenha contrações fortes e não durma, não coma, e esteja sofrendo por dias a fio...

Resultado que no dia 20 de abril a noite eu fui pro hospital disposta a gritar e chorar até que eles fizessem alguma coisa, porque eu realmente não estava mais aguentando. Quando cheguei eu já tinha alguma dilatação, ainda pouca, mas minha pressão arterial tinha subido muito. Internaram-me por conta da pressão. Deram-me remédios que fizeram que a pressão abaixasse um pouco. No dia 21 de manhã bem cedo eu comecei a ter contração uma depois da outra, e a dilatação já tinha aumentado. Mandaram-me para “sala parto” e quando cheguei lá viram que Norah estava querendo sair de cara, ao invés de sair com o cucuruco da cabeça, que é como os bebês têm que sair. Daí para frente foi tudo tão rápido, tão fora do planejado, tão assustador para mim...

Tiveram que fazer uma cesárea de emergência, uma correria, mil médicos e enfermeiras, uma correria sem fim. A anestesista entra na sala e diz que tinha alguma coisa no meu exame que indicava um problema de coagulação... Então a anestesia teria que ser geral. Mais uma das coisas não planejadas e sequer pensadas. Naquele momento eu já até achei bom, porque eu estava tão assustada, com contrações tão fortes, que a simples ideia de dormir e não ouvir nem ver mais nada, de não sentir mais dor, me parecia a melhor coisa.

Norah, com Alline e Alberto
Fizeram a cesárea, a pressão enlouqueceu e subiu, e eu tive que ficar no hospital por muitos dias por conta disso. Eu não lembro de muita coisa, mas uma das coisas que eu me recordo foi quando a enfermeira me acordou da anestesia, eu mal conseguia falar e a primeira coisa que eu perguntei foi: “La bimba? Tutto bene con la mia bimba?” 

A enfermeira disse que estava tudo ótimo com a pequena e que Norah já estava nos braços do pai. Os meus dois amores entraram logo em seguida e todo o susto, a dor, o nervoso, tudo valeu a pena quando eu vi os dois juntos.

Em todo este tempo no hospital eu conheci pessoas queridas, as enfermeiras foram super fofas, me deram todo o apoio necessário, tanto física quanto psicologicamente. As enfermeiras do berçário que cuidaram de Norah enquanto lá eu estive eram super carinhosas e me ensinaram como cuidar da Pipoca.

Então a melhor viagem da minha vida foi totalmente diferente do planejado! Mas ainda assim, ao olhar pra Pipoquinha eu vejo que valeu a pena!

domingo, 8 de maio de 2011

SENHORA DO TEMPO. DIA DAS MÃES

Por Esther Lucio Bittencourt

Para Alline Storni

AUGURI! 

Hoje, falamos sobre o dia das mães. Que, afinal, é todos os dias, mas diz o marketing que é de bom tom lembrar dela no dia em que o comércio fatura com vendas. Para quem? Presente para as mães! 



E me pergunto: desde quando o Primeira Fonte obedece a quejandos e tais? Mas, desta vez, exceções sempre existem, vamos participar do lugar comum porque os depoimentos são bonitos, são lindos de doer. E por causa de Alline. Alline Storni que teve Norah em Milão. Nasceu por estas semanas.


Por isto, este dia vai para Alline com votos de que Norah ame o sol do Brasil.
Mas, olhem só mães... em nós, vocês existem todos os dias do ano. Mas hoje vamos comer macarronada e frango, o ajantarado das tradicionais famílias burguesas de domingo, para estar mais de acordo com o senso comum.

Dia das Mães: dona Helena

Por Telinha Cavalcanti

Um dia, em fevereiro de 1970, Dona Helena arrumou as malas da famíla - todos iam viajar, passar umas semanas numa casinha de veraneio na praia de Tamandaré, em Pernambuco. Os planos pros próximos dias incluíam muito descanso, muito peixe e muito banho de mar.

Só que aí Dona Helena percebeu uma coisa: iiiih... Segundo seu calendário, ao chegarem na praia, ela não iria poder tomar banho de mar por uma semana, pelo menos.

De qualquer jeito, a idéia da praia a deixava feliz. Ela, o marido e as meninas haviam morado lá durante alguns anos, antes de se mudarem pro sertão. Ia ser muito bom rever os amigos, deitar na rede, sentir a brisa morninha do fim da tarde.

Chegando em Tamandaré, ela pôde tomar banho de mar durante toda a estadia. Nada impediu que ela vestisse seu maiô e acompanhasse as filhas e o marido nas manhãs de sol quente, nas tardinhas de pescaria com vara de bambu e molinete, o samburá cheio de iscas.

Voltando para sua casinha, lá no sertão, dona Helena voltou a fazer as contas. Com os olhos brilhando, esperou o marido chegar do trabalho. Sentou-se com ele à mesa e contou a novidade. Os dois começaram a fazer planos.

Em outubro daquele ano, eu nasci.

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Reconciliação

Por Vera Guimarães

Eu tinha quase oito anos e bastante confusão no coraçãozinho de menina. O pai, carinhoso e amável, mas desprovido das armas para os embates da vida, acabou cedendo a chefia da família para a mãe, valente e decidida, que abriu uma pensão para sustentar a família numerosa.

Eu não sabia direito a quem amar, se à provedora inflexível, se ao pai que tentava passar despercebido, mas sempre presente nas queixas da mãe.

E acabei achando que à mãe só devia respeito e gratidão, que ali não havia espaço para amenidades, para os supérfluos e os gestos de carinho.

Foi, pois, motivo de surpresa e encantamento o par de brinquinhos que minha mãe me deu naquele aniversário. Eles eram miúdos, feitos de ouro polido e martelado, em forma de caixinha redonda, com uma pequena pedra vermelha.

Eu não me cansava de olhar para eles. E entendi que, por trás e apesar das contas no armazém e da lida no tanque e no fogão de lenha, ainda havia espaço no coração de Mamãe para a poesia de uns brinquinhos comprados a prestação.

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Alline Storni, que escreve 84, Charing Cross, estava hoje na varanda de sua casa, em Milão, como descreveu no Facebook:
"Na varanda, pegando um solzinho com a minha branquela! Sul balcone, prendendo il sole con la mia bianca! Feliz dia das mães. Auguri!"

sábado, 26 de março de 2011

84, CHARING CROSS. CARTA PARA NORAH

UM POVO QUE NÃO SABE FAZER FESTA…

Por Alline Storni
Passagem de ano em Milão
Foto: milanoweb.com

Pipoca!

Talvez você nem seja tão festeira quanto a tua mãe aqui… Mas eu te aviso porque quem avisa amigo é, como diria a tua bisa Jeruza.

Festa de verdade você só verá no Brasil! O que temos aqui em Milão são celebrações, digamos assim. É que aqui, Pipoquinha, o povo só pensa em comer. Então tudo é organizado/pensado com a finalidade de comer.

Veja bem, eu também gosto de comer. E as comidas aqui são realmente deliciosas. Mas poxa, um pouco de música e dança, um pouco de diversão não vai fazer mal a ninguém, não é mesmo?

A minha festa preferida é Ano Novo. Eu adoro Ano Novo. Mas aqui é uma tristeza de dar dó. Tua mãe aqui sofre… Teu pai não entende, porque para ele a festa deles aqui é bem legal.

Queima de fogos em Copacabana
Foto: Google Images
Te explico: lá no Rio de Janeiro, onde eu nasci e cresci, o Ano Novo é no verão. E a tradição é todo mundo vestido de branco… e tem uma super festa na praia de Copacabana! Esta festa na praia é linda, linda, linda. Milhões de pessoas reunidas com um só propósito: desejar felicidade para o ano que se inicia. Alguns levam champagne, uvas, pulam onda, cada um tem o seu ritual. Tem música, tem dança, tem alegria. Uma festa e tanto!

Oferendas para Iemanjá
Foto: rio-curioso.blogspot.com
Aqui em Milão é inverno. Eu sei, fica dificil fazer festa no inverno… mas pelo menos nas festas que eu participei aqui era assim: casa de um amigo, milhões de coisas para comer, meia-noite: feliz ano novo!, olhar os fogos da varanda e acabou-se! Tua mãe sofre, Pipoca. E acho que se você conhecer o Ano Novo de Copacabana vai sofrer também!

E carnaval? Não vou nem te contar agora como é… só vendo, Pipoquinha, só vendo. Teu pai tem medo que depois que você conhecer estas festas no Rio você queira ir todo ano!

Eu vou logo avisando… Se você for eu vou junto!

Carnaval 2001 / Mangueira / Rio de Janeiro
Foto: Carlos Moraes / Agência O Dia

sábado, 12 de março de 2011

84, CHARING CROSS. AMAZÔNIA REVISITADA

carta para Norah

Por Alline Storni

imagem: wikipédia
Filhota pipoca, não sei se você já sabe mas antes de eu vir morar aqui na Itália eu morava na Amazônia... Foram três anos por aquelas bandas, trabalhando na floresta com os bichos. Foi uma época muito boa e não fosse meu amor pelo teu pai eu estaria lá até hoje!

Lá na Amazônia existem muitas lendas. Eu não sei se aqui na Itália existem lendas também. Sei que eles contam histórias para as crianças, como acredito ocorra em qualquer lugar do mundo. Mas lendas, hummm, não sei. Vou perguntar ao teu pai.

Uma das lendas que eu e a tua avó emprestada Esther mais gostamos é a lenda do Curupira.

O Curupira é um menino (ou um anão, depende de quem conta a história) que vive na floresta. Ele tem os pés ao contrário. Desta forma ele faz com que os caçadores se percam ao seguir suas pegadas... os caçadores pensam que estão saindo da floresta e na verdade estão entrando mata adentro cada vez mais! E desta forma se perdem.

Mas não fique com medo não, Pipoca, que o Curupira não é mau. Ele só está tentando proteger as florestas.

Lá onde eu trabalhava, na Reserva Mamirauá, os moradores do local acreditavam na existência do Curupira. E muitos me disseram que já tinham capturado um curupira...quando eu perguntava pra onde eles tinham levado o curupira sempre me respondiam da mesma maneira “ pra muito longe daqui!”

Mas me juravam de pés juntos que o Curupira existia sim.

Lá no Mamirauá eles tinham um jeito de evitar que o Curupira fizesse com que eles se perdessem nas florestas. Eles tinham um “pega curupira” que eles mesmos construíam. Era tipo um quebra cabeça de madeira, um pedacinho de madeira “agarrado” no outro. Como o curupira não destrói nada que venha da floresta, nem mesmo um pedacinho de madeira, ele ficava ali tentando desatar o quebra cabeça sem quebrar a madeira, e desta forma os caçadores podiam entrar e sair da floresta tranquilos, enquanto o curupira estava ocupado.

Diziam que o Curupira fumava também, e eu vi alguns cigarros no meio das trilhas da floresta enquanto estive por lá... mas acho estranho que o Curupira fume, afinal, desta forma ele poderia incendiar a floresta, não é mesmo?

Tem ainda muitas outras lendas daquele pedaço de mundo tão diferente daqui. Eu vou te contando aos poucos. E um dia te levo pra conhecer a Amazônia, Pipoca, não te preocupe. E quem sabe nós não encontramos com o Curupira? 

sábado, 22 de janeiro de 2011

84, CHARING CROSS. PRIMEIRA PARADA: DUOMO DE MILÃO

Por Alline Storni
Fotos de Ana Laura Diniz


A catedral é imensa, com 157 m de comprimento e 109 m de largura.
O interior tem cinco naves com uma altura que chega
aos 45 metros, divididas por 40 pilares
Dizem que Milão não tem muita coisa para ver além das boutiques chiquérrimas! Comparado a Roma e Florença é até verdade… mas com um pouco de boa vontade você também poderá ver coisas bacanas e bonitas por aqui.

Primeira parada, lógico, DUOMO. O metrô para lá. Linha amarela e linha vermelha, fermata (que quer dizer parada, ponto) DUOMO. Daí você sai da estação do metrô e dá de cara com aquilo tudo… olhe tudo com calma. Olhe as portas, pelo amor de Dadá, olhe bem aquelas portas. E entre. É grátis (eu já tive que pagar para entrar em igreja). Tem os vitrais, e se você for absolutamente sortudo e tiver sol por aqui, você vai ver que lindo que é lá dentro…



Galleria Vittorio Emanuele: do chão ao teto,
requinte, glamour e arte
Dê a volta e pague 7 euros para subir. Deixa de ser mão de vaca, é só uma vez na vida! Suba, e aprecie sem moderação o teto do Duomo. Todas aquelas esculturas lapidadas no mármore, a cidade vista lá de cima. Vale a pena.

E já que você está ali no centro mesmo, entre na Galleria Vittorio Emanuele. Olhe para o teto e para o chão. As lojas todas, os restaurantes (se você não quer gastar muita grana com comida, não coma ali!). Atravesse a Galleria e chegue até o Teatro alla Scala…






O Teatro alla Scala é uma das mais famosas
casas de ópera do mundo. Foi construído por
determinação da imperatriz Maria Teresa
da Áustria, para substituir o Teatro Regio
Ducale, destruído por um incêndio em 1776,
devendo seu nome à igreja de Santa Maria
alla Scala, que antes se erguia no local.
No site do teatro você pode reservar uma visita guiada. Vale a pena, porque só entrar por entrar é legal mas nem tanto. Com um guia que te explique tudinho, a visita se torna uma aula de História da Arte.



Este é o inicio do tour em Milão. Mas você quer mesmo saber como é viver aqui, né? Isso é assunto para um outro post. Ou para muitos posts… aguarde e confie!

Links úteis



Duomo de Milão: www.duomomilano.it