quinta-feira, 15 de novembro de 2012

ANTI-UTOPIA E O PESADELO VIRTUAL NO CINEMA: A ARTE IMITA A VIDA OU A VIDA IMITA A ARTE?


Na semana do dia 29, 30, 31 e 01 de novembro de 2012, ocorreu na cidade de Itajubá/MG, nas dependências da Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI), o III Simpósio de Desenvolvimento, Tecnologias e Sociedade. Entre inúmeros debates e discussões, o Prof. Diego Kenji Marihama apresentou um artigo sobre a ANTI-UTOPIA E O PESADELO VIRTUAL NO CINEMA: a arte imita a vida ou a vida imita a arte?

Por Diego Kenji Marihama

O objeto deste artigo é a anti-utopia do imaginário no cinema, embora acreditemos que tanto a literatura, quanto a arte, possuam estas características anti-utópicas trazidas aqui, ou seja, a sociedade mostra-se corruptível; caem as máscaras das normas que determinam os princípios criados para bem comum e aparece sua face distópica de flexibilidade oportunista que atende a interesses escusos e particulares. Acreditamos que as Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC’s) deveriam trazer mais tempo livres ao trabalhador, entretanto é usada como ferramenta de submissão e já não suportam um embuste tradicional equivocado que se caracteriza pela informação desvinculada da realidade.

Este trabalho se justifica por trazer estas contradições mostrando que o indivíduo, a comunidade, a sociedade e a humanidade sob o olhar da ciência e da tecnologia são fios que se enredam, se entrelaçam, se interpenetram, e se retro-alimentam na complexidade de um novelo onde cada parte contém o todo e é por ele contida sem perder sua autonomia e a fraude entre a teoria e a prática do uso das técnicas vem sendo denunciada nestas manifestações cinematográficas.

O objetivo aqui é discutir a concepção de tecnologia, no imaginário anti-utópico cinematográfico, e seu impacto na sociedade, buscando analisar as imagens como meio de expressão e veículo formador do imaginário social.

A metodologia utilizada foi à pesquisa bibliográfica em livros, filmes, revistas e na web, onde pesquisamos os imaginários tomando como exemplos o livro “Admirável Mundo Novo” escrito por Aldous Huxley publicado em 1932 e também os filmes “Tempos Modernos” de 1936, “1984” publicado em 1949 “Matrix” de 1999, embora existam muitos outros, para mais do que perceber a distinção entre real e imaginário, perceber a confusão entre estas duas dimensões.

Os Resultados e Conclusões são que estes filmes e livros são trabalhos que representam um marco da Psicopatologia do Trabalho.

A dignidade da pessoa humana clama por justiça, aonde quer que ela esteja, e seja ela quem for. Transigir com o desrespeito à supremacia da sensibilidade do ser humano, negando-lhe esta qualidade é, acima de tudo abrir mão de qualquer sentimento moral, negando ao homem o direito de existir. A superação da indiferença e uma postura responsavelmente empática são fundamentais para a superação da frieza da materialidade imposta pelo mundo individual e materialista.

Natureza, trabalho e conhecimento são conceitos centrais para, a partir das possibilidades que a realidade atual nos apresenta, pensar uma utopia que supere as conquistas da modernidade e incorpore o domínio coletivo e consciente das ciências, das técnicas, das escolhas de produção, de distribuição e de consumo de bens materiais e não materiais, elementos que não podemos desprezar pois corremos o risco da violência psicológica no trabalho e do processo de banalização da injustiça social.

Portanto, este artigo reveste-se de uma importância significativa à medida que trouxe o cinema denunciando de maneira sintética, o sofrimento no trabalho; um tema tão presente e próximo da realidade de todos os trabalhadores.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

84, CHARING CROSS

Por Esther Lucio Bittencourt

Há cerca de três ou quatro anos Regina Branco e eu resolvemos ir dirigindo até Foz do Iguaçu, onde mora minha sobrinha Jackeline e, de lá visitaríamos alguns países da América do Sul.

Passeio obrigatório: as cataratas que me pareceram bem mais lindas, quando se olha da Argentina do as vistas do lado Brasileiro.
Mas, em vez de botar a carroça na frente dos bois contarei como se deu a viagem.

Saímos de Caxambu bem cedo com intenção de pernoitar em Tatuí ,São Paulo, e, de quebra, visitaríamos a escola de música de lá, com fama internacional. Mas, para chegarmos em Tatuí resolvemos fazer um lanche em Sorocaba onde nos perdemos durante preciosas horas.

Dormimos em Tatuí, finalmente, sob a vigia de enorme lua cheia que se mostrava em detalhes no céu. Dia seguinte estávamos no Paraná. Garanto que nunca vi tanta plantação de cana de açúcar onde antes era plantado o sorgo, o trigo e demais culturas de regiões mais frias.

Lembra o filme Sinais, não é mesmo?


No Paraná pegamos uma estrada em obras com desvio para sabe-se lá onde. Desviamos no desvio. Estrada comprida de dar só sem um vivente no caminho umas casas de colonos aqui outras bem, mas bem mais a frente. Nenhuma casa grande. E íamos cantando dirigindo a Berlingo, um carro muito gostoso da Citroen.

Subitamente, Regina repara que a lua cheia, enorme, não aparecia mais no céu.

- Vai ver, na próxima curva ela aparece. Comentei.
E nada da lua.

Então, Regina falou: Esther é possível que os eixos da terra tenham se aprumado e o mundo acabou. Só restamos nós nesta imensidão.
Pagamos os celulares e ligamos para meio mundo. Claro que não havia sinal, portanto não completávamos as ligações.
Minha bexiga estava lotada. Resolvi então, já que o mundo havia acabado, esvaziá-la ali mesmo, na beira da estrada, sem, no entanto, tirar os olhos do céu.
Precisávamos de um sinal definitivo de que a terra havia mudado seus polos. E nada deste sinal

Voltamos para o carro e seguimos estrada afora cientes de que éramos só nós sobre o planeta.

Repentinamente surge na estrada uma aglomeração de ferro velho, pousada, restaurante e algumas casas relutantes em mostrar suas luzes. Fomos para o restaurante pousada e, para nossa surpresa havia pessoas vivas que nos informaram estar acontecendo um eclipse. Menos mal.

Conseguimos apartamentinhos descentes e a sopa dos deuses regada com azeite e acompanhada pelo pão mais saboroso que já provei.

Na manhã seguinte chegamos a Foz do Iguaçu.

O dia mal amanheceu, no outro dia, e já estávamos na Argentina. Um café da manhã divino com croissants perfeitos, sucos consistentes e um leite de cabras que pastavam no céu. Fomos em busca de cashimires.
Nos perdemos no comércio onde com o Real fazíamos a festa com o peso tão em baixa. Enfim, fomos almoçar. Em Buenos Aires não é assim, mas nas cidades fronteiriças é habito. Os restaurante estão fechados no almoço para a siesta de seu pessoal . Conseguimos um supermercado que servia comida e como a fome era grande deixamos de reparar a higiene local. As toneladas de água das cachoeiras lavam todo o desagradável da  vida. E alí estão as quedas d'água em sua imponência.

Esperem aí: pensam que a história terminou? Nada disto. Amanhã tem mais.

EU E A MINHA FALTA DE JEITO





Dorothy Coutinho


Como usar uma agenda


Fecho uma página da minha agenda anual, contabilizando mais um ano de vida. Espero continuar demarcando o território de minha liberdade e o dos meus deveres – que é onde ela começa a perder pé. Até aqui minha fantasia continua sem pedir licença para se desenrolar: vejo uma infinidade de mesas, escrivaninhas, muitos papéis e pessoas, cada uma com sua agenda, e nela a floresta dos compromissos, mal sobrando alguma trilha estreita para andar e respirar.

Pessoalmente não vivo sem uma agenda – folhas soltas de blocos, folhas inteiras de cadernos, pequenos pedaços de papel reaproveitados, colados pela casa inteira, na geladeira, no computador, no espelho do armário do banheiro, e a agenda formal que levo comigo dentro da bolsa. Nas páginas desta nova agenda quero continuar a abrir em suas folhas as entrelinhas, inventar brechas para contemplar a árvore em flor, o tempo ideal para ouvir o canto do sabiá, atarantado neste clima estranho, parar para ouvir a risada da criança no andar de cima, o tempo para a caminhada pelas calçadas da cidade, os minutos necessários para olhar as nuvens e poder interpretar suas formas de camelo, coelho ou anjo, e muito tempo para ouvir música, ver televisão, ler, ler, ler.

O ócio é outra possibilidade infinita a ser explorada. Não se trata da inércia, do desânimo, do vazio melancólico. Nada de pantufas – mesmo aquelas com cara e orelhas de cachorro – uma graça!!

Sei da existência de agendas quase vazias - pessoas a procura de algo para quebrar o sem-sentido da vida: nem uma visita, uma data de aniversário, nenhum afeto nomeado, dias que no papel parecem um deserto sem contornos. Nem uma miragem ao longe?  

Uma agenda pode trazer tormento e prisão. Mas pode ser liberdade se a gente inventar brechas. Falo de viver. Parar, olhar, escutar. Se tudo fosse como parecia nas minhas fantasias de menina, eu provavelmente passaria boa parte do meu tempo olhando pela janela, não para ver as árvores ou as nuvens, mas bocejando na prisão da excessiva coerência. A vida há de rolar por cima da gente, reduzindo à poeirinha inútil quem se esquecer de às vezes parar pra pensar sem se desmontar. Basta olhar belas ou áridas paisagens – sempre dá para plantar um capim – ou coloridas para a nossa alma brincar de esconde-esconde entre as folhas. Tente pegar as delícias da vida. Prazer não é ruim.
Mas se nada disso for possível, porque esse não é o seu jeito, receba este texto como uma afetuosa falta minha - de jeito.




terça-feira, 13 de novembro de 2012

SALADA DE AIPO COM YOGURTE DA LILA

Esther Lucio Bittencourt


AIPO OU SALSAO
Aipo ou Salsão


Enquanto o PF aguarda o retorno de Stela Cavalcanti e retoma sua normalidade, ouso falar aqui uma salada de aipo que faço e que todos gostam.

O talo firme mas tenro do aipo picado bem fininho acompanhado de outras rodelinhas de aspargo, mas não o da lata. Coloco dill, maçã em cubinhos delicados, nozes sutis, alguma passa de uva branca e pepino e gengibre e mais o que der na telha. Menos cebola. Cebola não porque com ela todos os demais sabores se perdem.

Sabem aquele alho micro, em minúsculos pedaços torrados? Vale colocar um pouco.

Por fim, a glória total: rega-se com prazer e abundância com o Yougurte que a Lila faz. Mas só serve este, com acidez zero.

Deixe descansar uma noite na geladeira e sirva gelada. Foto do prato não tenho... vale a imaginação e a certeza de que o sabor é maravilhoso.

Agora um apelo: Volta, Telinha.

SENHOR! CLARICE NA CABECEIRA

Esther Lucio Bittencourt



A revista Bravo deste mês publica matéria sobre Clarice Lispector e cartas pornográficas que James Joyce escrevia com constância para sua mulher.


O nome da matéria sobre Clarice é "Jornalista de Carteirinha" porque, afinal, ela foi jornalista e trabalhou também no DIP de Getúlio Vargas. O departamento de Imprensa e Propaganda que tinha por objetivo disseminar as ideias do Estado Novo. Isto, por volta de 1941.



Suas crônicas, entrevistas, reportagens sobre moda e matérias, reunidas em coletânea. "Clarice na Cabeceira-Jornalismo", editado pela Rocco já está à venda. São pesquisas feitas por diversos profissionais que resgatam ditos e escritos de Clarice Lispector, excluindo os que circulam pela internet, nos quais, certamente, nunca se deve confiar.


Em 2006, a escritora e jornalista Cora Rónai lançou o livro "Caiu na Rede" onde expõe, como diria Eduardo Galeano, as veias abertas da rede: textos apócrifos que circulam pela www. É uma coletânea de escritos apócrifos sobre amor, fama e poder, alguns deles assinados por Clarice Lispector.

Quem conhece a escrita da autora percebe imediatamente que o texto não é dela, mas quem não pecou enviando aos amigos, como prendas, textos assinados por ela e vários autores famosos que eles nunca escreveram ou escreveriam?

Pois é. Tenho uma revista Senhor de 1963, que não foi para a fogueira que fiz de meus escritos quando saí da prisão política, pois sabia que minha vida estacionara ali, desde que até o direito de fazer um curso sobre comunicação no exterior me foi negado, em que na seção O Jacaré, editada pelo  cartunista Jaguar, com suas páginas amarelas. Mesmo que a revista hoje esteja amarelada pelo tempo, dá para reconhecer a cor amarela das páginas-  há um Children´s Corner,  página da Clarice Lispector em O Jacaré da Senhor.

E atrás dela quem escreve: eu. Que prazer isto me causa até hoje. Foi quando Jaguar me lançou como cartunista com "A História Trágica de Lili, ou O pai sem paciência ou a máquina de fazer ruídos".

No seu Children´s Corner, Clarice comenta o seguinte sobre o livro publicado à época pelo jogador de futebol Edson Arantes do Nascimento, O Pelé: " - No livro de Pelé as coisas vão acontecendo, e depois acontecendo, e depois acontecendo. É diferente do seu, porque você fica só inventando. O seu é mais difícil de fazer, mas o dele é melhor. " ( Atenção: nesta época a palavra dele era acentuada assim: dêle, com acento circunflexo. Depois , muita reforma ortográfica passou sob a ponte e os acentos perderam seu lugar para o vento).

E então, Clarice trabalhou com o Alberto Dines no Jornal do Brasil. Eu trabalhei no Jornal do Brasil sob a chefia do mesmo Dines que dizia: a boa reportagem não é sobre quem o cachorro mordeu, mas sobre por quem o cachorro foi mordido; e o lide, obrigatoriamente deveria ser escrito em três linhas de 72 toques cada uma e o sub lide deveria ter no máximo quatro.

A revista Senhor acabou de desmanchar suas páginas que se desfolharam em minhas mãos. Amanhã preciso providenciar que seja colada por um encadernador. Terá algum em Caxambu? Rimou!

Como perceberam não tenho o poder de crítica da Deda Amorim, divago e acabei de lembrar que não falei sobre Joyce e suas cartas pornográficas. Fica para a próxima, tá? Já passa da meia noite.


 

domingo, 11 de novembro de 2012

PRAIA DO FLAMENGO, 304




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Palacete da Praia do Flamengo 340. Foto sem data.


O Palacete da Praia do Flamengo 340 foi construído em 1920 e é fruto de uma história de amor.

Apaixonado pela mulher, Demócrito Lartigau Seabra, filho de importante família de comerciantes da época, quis dar de presente à sua esposa, Maria José, a mais bela casa do Rio de Janeiro.
Contratou, para desenvolver o projeto, um arquiteto francês e, da mesma forma, mandou vir da Europa todas as peças de acabamento, como “parquets”, vitrôs, portais etc. e as de decoração, como tapetes, quadros, prataria etc.

Depois da morte de Maria José, em 1989, com 95 anos – o marido já havia morrido em 1932 – só o filho mais velho, Carlos Alberto, ficou morando no palacete.

Com a sua morte, em 2001, o palacete foi vendido para uma firma que queria demoli-lo para construir no local um prédio.

Não conseguiu, no entanto, realizar seu intento, porque a casa havia sido tombada, em 1997, pelo Departamento Geral do Patrimônio Cultural da Secretaria Municipal de Cultura.

O educador e antiquário Carlos Alberto Serpa de Oliveira se interessou pelo palacete, comprando-o, em 2002, para nele instalar uma casa de cultura, dando-lhe o nome de sua mãe, Julieta de Serpa. Fonte:mundolivrefm


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http://www.julietadeserpa.com.br/index.php



segunda-feira, 5 de novembro de 2012

ENCONTRE UM NEUROEDUCADOR






NEUROEDUCADORES


 Encontre o neuroeducador mais próximo de você:

Aí, você clica no mapa de Minas Gerais e, o único neuroeducardor que existe no Estado sugere Caxambu, no sul do Estado, estância de àguas minerais. Seu nome é Ana Laura Diniz.

Há neuroeducadores em São Paulo, Santa Catarina, Rio de Janeiro e Minas gerais. Apenas nestes quatro estados deste brasilzão de se perder de vista.
Mas o que é a neuroeducação ?   Neuroeducação é um
campo interdisciplinar que combina a neurociência, psicologia e educação para criar melhores métodos de ensino e currículos - neuroeducação.

As pesquisas e iniciativas de neuroeducação têm crescido muito no mundo, nos últimos anos, e tenta usar descobertas sobre aprendizagem, memória, linguagem e outras áreas da neurociência cognitiva para informar os educadores sobre as melhores estratégias de ensino e aprendizagem. Cada vez mais, os professores querem e precisam saber sobre como os seus alunos aprendem e memorizam as informações ensinadas. Os neurocientistas, por outro lado, querem saber como essas indagações dos professores podem sugerir novas pesquisas em neurociência .

Outra linha de abordagem em neuroeducação é compreender quais e como os distúrbios e doenças nervosas e mentais podem afetar o aprendizado dos alunos. e como os professores podem colaborar com outros profissionais para ajudar a identificar problemas em sala de aula, de modo a enfrentá-los com novos métodos de educação especial para a inclusão social dos seus alunos afetados.
Assim, a neuroeducação engloba o estudo de doenças comuns ou raras, tais como:  Dislexia, Discalculia, Gagueira, Desordem de atenção e hiperatividade, Disfunção cerebral mínima, Retardamento mental, Disfunções no desenvolvimento, Dificuldades de aprendizagem, Deficiências da visão e audição, Lesão cerebral, Dispraxia, Doenças mentais como depressão, ansiedade, etc., Doenças sistêmicas com comprometimento cognitivo, como anemia, mixedema, desnutrição e outros.

A neuroeducação é um campo muito recente sob esse nome, mas o conceito e as publicações iniciais que tentaram construir uma ponte entre a neurociência e a educação foram feitas por Herbert Henry Donaldson (1857-1938), um neurologista, que escreveu um livro em 1895 intitulado The Growth of the Brain: A Study of the Nervous System in Relation to Education' (O Crescimento da Cérebro: Um Estudo do Sistema Nervoso em Relação à educação, e Reuben Post Halleck (1859-1936), um educador, que escreveu em 1896 um livro intitulado 'The Education of the Central Nervous System: A Study of Foundations, Especially of Sensory and Motor Training' (A Educação do Sistema Nervoso Central: Um Estudo de Fundações, em Especial do Treinamento Sensorial e Motor.

Brevemente entrevistas com neuroeducadores. 

 

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

ROBERT PLANT ENCONTRA CLARICE LISPECTOR



Claudia Lopes Bório *



Era um sábado quente em Curitiba. Corri, com meu vestidinho jeans, bolsa atravessada, levando uma pashmina vermelha. Aqui a gente nunca sai sem agasalho, mesmo que faça 30 graus durante o dia: o clima muda muito rápido. Fui ao Guairinha, tradicional teatro (uma versão menor do Guairão, nosso monumental teatro central, fica aos fundos, na lateral deste). Encontrei lá meu amigo teatrólogo e excelente ator, Álvaro Bittencourt, e minha filha, que vinha do lado oposto da cidade. 

No palco, uma cortina branca de fitas, uma iluminação muito linda, intensa, como se fosse o sol. Três móveis típicos da década de 60 e um cinzeiro. Abre-se a cortina aos fundos, é ela, de vestido vermelho, cigarro aceso na mão: Clarice! Era Beth Goulart, impecável. Sua semelhança com a escritora, impressionante. Perfeita! 

Clarice conta que escreve, porque necessita. Nada a faz escrever, mas escreve desde menina, talvez por vocação, talvez porque é a coisa que faz com mais facilidade, talvez por solidão. Ela troca de vestido: é a Hora da Estrela! Conta como queria alcançar uma estrela no céu, ser mais. Troca novamente, veste uma manta por cima; tantas personagens se sucedem. De repente, um ruído forte, uma vibração começa no teatro, enquanto ela encena seu monólogo concentrada. 

Minha filha me olha, consternada, e eu me lembro: no Guairão está acontecendo o show de Robert Plant! 

Meu Deus, percebo, estamos assistindo o show de Robert Plant pelos fundos. 

Enquanto isso, Clarice –Goulart conta como andava por Copacabana, num dia tão lindo, olhando as lojas, e sentiu um bem estar tão grande, mas tão grande, que se achou mãe: mãe do próprio Deus Criador. E foi andando assim, com a capa aberta às costas, pelo vento, em amplos passos, com elegantes saltos altos.  

Ah, eu me lembrava da primeira vez que vi um filme do Led Zeppelin em que Robert Plant cantava, abraçado ao guitarrista, com a camisa aberta, a calça baixíssima na cintura, os cabelos longos e encaracolados, e a voz extremamente peculiar, aguda. Era belo. Apaixonei-me. 

O disco deles que mais me marcou foi Physical Graffiti, em que uma capa muito bem feita retratava um velho edifício onde as janelinhas mostravam os integrantes da banda, as letras do nome e várias imagens meio sem conexão umas com as outras. Era maravilhoso. Ao visitar uma prima roqueira, eu me deitava no chão, fazendo tocar aquele disco bem alto, com as caixas de som ao meu redor, uma de cada lado, inundada de música. “Lie, lie, lie, in the light....” 

Foi quando Clarice quase pisou numa ratazana. Em um segundo deixou de ser mãe de Deus! Foi tomada por um nojo horrível! O rato era ruivo, ainda por cima! Ela tinha pavor de ratos, ainda mais um morto, era como se quisesse se obrigar a tocá-lo, mas sabia que o nojo era indizível, vendo ali aquele animal deitado, com os pelos avermelhados. 

E o que será que ele tocava então, talvez alguma das músicas daquele show em que havia a banda egípcia. Eu tentava adivinhar as melodias pelo som difuso que passava através do teatro e pensava em percorrer as coxias, fugir dos seguranças, entrar no show dele por trás. Esqueci por alguns momentos de Clarice. Mas eu queria ver Clarice também, eu queria ouvir Clarice! Então, prestava atenção em Clarice, que descera do ônibus à noite, no Jardim Botânico, perdendo-se entre folhas e cachoeiras. Mas o Robert Plant era o homem que disse que uma mulher estava comprando uma escada para o paraíso, achando que tudo o que reluz é ouro! O homem que invocava o ritual shamânico, pedindo que os quatro ventos o guiassem, e chamava Deus de “o grande rearranjador”. Como era lindo isso! Enquanto Clarice se perdia entre folhas, cascas, e águas. 

Eu sabia que Robert Plant era simpático, após ler uma reportagem da BBC em que o jornalista contava que foi até ele, visitá-lo no campo inglês, e ele veio pessoalmente, de Land Rover, pegá-lo na estação de trem. Achei o máximo: imaginei-me jornalista, entrevistando o homem dos cachos loiros e daquela voz sensacional, que ele nunca poupou, tanto que chegou a perdê-la e ter que fazer uma cirurgia. 

Mas Clarice, oh, Clarice foi aquela que nasceu para salvar a sua mãe, doente, mas não salvou: aquela filha de um judeu contador de histórias, no melhor estilo ídiche, que respondia as perguntas do entrevistador da maneira mais sincera e desconcertante possível. E ela não deixava de dizer que não tinha sotaque, mas sim a língua “presa”: que poderia ser operada, mas seria muito doloroso, e por isso ela não operava. 

Robert Plant deixou o Led Zepellin e foi o fim dessa banda. Todos diziam que o cantor loiro estaria acabado sem o fabuloso som da guitarra de seu eterno parceiro, Jimmy Page. No entanto, ele saiu, fundou uma outra banda e criou um dos sucessos românticos mais melosos do universo, daqueles de pingar mel – Sea of Love – que muita gente não sabe que é cantada por esse roqueiro durão de ar selvagem, que ganhou mais uma pequena fortuna com essa música. E ele prosseguiu em diversos discos, alguns bons, outros nem tanto, mas nos últimos anos tem sido bastante feliz.

  

 E assim Clarice nos contou de sua vida um tanto solitária, fazendo uma última oração para que quando chegasse a sua hora final não lhe faltasse, ao menos, uma mão humana. Minha filha e eu nos entreolhamos mais uma vez, emocionadas, um pouco eufóricas, com vontade chorar, sem fôlego: faltara-nos dinheiro para ir ao show de Plant, caríssimo. Mas sentíamos como se tivéssemos estado presentes, pelo menos um pouco presentes, na vibração, no ritmo profundo, que fizera tremer o velho teatro. 

Farwell, Robert Plant. Até um dia. 


*Claudia Lopes Borio é roqueira, decididamente, E escritora em Curitiba.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

A IMPOTÊNCIA E A COVARDIA EM SÓ OLHAR OS GUARANI, KAINGANG E KAIPÓS



 Os da tribo Kayapó - que habitam a região amazônica de Mato 
Grosso-começaram a ser evacuados na marra  para construção da hidrelétrica de Belo Monte. 
Os kaingang seguirão.
Depois os Kaiowá,  E você e eu. 
Por nossa omissão, Em nome do progresso nós,, confortavelmente protestamos de nossas cadeiras reclináveis através das redes de comunicação da internete; protestamos e vamos depois comer a comida quente, gastar com gadgets etc...e dormimos em paz. 
Até que sejamos os próximos a ir para o olho da rua, viver à margem da civilização e acreditando que, por adotar o nome dos guarani-kayowá nos tornamos um deles. 
Fiz isto e não consigo sentir o momento deles.Apenas um vago soluço de medo temendo pelos meus direitos.

Um breve mal estar, assim como a chuva traz o cheiro da terra molhada, que nós é agradável, mas  já foi embora. Desejava meu sangue mais jovem para da revolta fazer o ato . Mas será que o faria: iria comungar com eles este momento de impotência em que resta apenas, como solução, o suicídio coletivo?

 
Não somos um povo, ou bando. Um bando defende os seus. Um povo luta pelos seus direitos. Somos sombras  do nosso individulismo coletivo, e sombra porque nem sabemos mais quem sou eu quem é você como cantava um antigo samba canção. Viu, tudo vira canto. Triste , magoado, mas sem ação.


Eles dizem e fazem. Vão se matar e o sangue deles pingará em nossos pratos de comida, na água do nosso banho, e no café com leite da manhã.
Mas tudo passará e nos acostumaremos com mais um genocídio neste mundo em que tudo é banal, menos a banalidade. 
elb

Carta dos Guarani-Kaiowá de Passo Piraju frente à ordem de despejo da Justiça Federal

Carta de seiscentos (600) comunidade Guarani-Kaiowá de Passo Piraju –Dourados-MS para o Governo e Justiça do Brasil
gkPor meio desta carta, vimos descrever e apresentar a nossa história e situação atual em tekoha Passo Piraju-Dourados-MS.   Nós 600 comunidades Guarani-Kaiowá estamos assentando na margem do rio Dourados-MS, há mais de 12 anos, aguardando a regularização da parte de nosso território tradicional Passo Piraju. Nos últimos dois anos no interior de tekoha Passo Piraju foi construída uma escola padrão (FNDE) com 3 salas pela prefeitura municipal de Dourados-MS onde estudam 150 alunos (as).
Fundação Nacional de Saúde construiu um Posto de Saúde, além dessas estruturas construídas em nossa pequena tekoha Passo Piraju ganhou também encanamento de água potável (caixa d’água) e instalação de rede da energia elétrica do Programa Luz para Todos. Nós comunidades cultivamos o solo, produzimos a alimentação aqui mesmo, plantamos mandioca, milho, batata-doce, banana, mamão, feijão e criamos de animais domésticos, como galinhas e patos.
Aqui agora não passamos fome mais. As nossas crianças e adolescentes são bem alimentadas e felizes, não estão pensando em prática de suicídio. Assim, há uma década, nesses doze (12) hectares estamos tentando sobreviver de formas saudáveis e felizes, resgatando o nosso modo de ser e viver Guarani-Kaiowá, toda a noite participando de nosso ritual religioso jeroky e guachire.
Porém, infelizmente, no dia 08 de outubro de 2012, de manhã recebemos uma triste notícia de extermínio/genocídio, violência e constrangedora, gerando profunda tristeza, perplexa, medo nas vidas de todos nós. Essa notícia é a ordem de nossa expulsão/despejo expressada pela Justiça Federal do Tribunal Regional da 3ª Região (TRF-3) São Paulo-SP. Recebemos esta informação de que nós comunidades, logo seremos atacada, exterminada e expulsa da margem do rio pela própria Justiça Federal.
Assim, fica evidente para nós, que a própria ação da Justiça Federal gera e resgata o processo de extermínio de povo Guarani e Kaiowá, ativando as violências contra as nossas vidas, ignorando os nossos direitos de sobreviver na margem de um rio e próximo de nosso território tradicional Passo Piraju. Assim, entendemos claramente que a decisão da Justiça Federal é para exterminar coletivamente nós povo Guarani e Kaiowá.
Diante dessa notícia de extermínio, todos nós começamos entrar em estado de desespero profundo e sem esperança de vida melhor. Os jovens e adolescentes começam pensar em morte e suicídio, não sabemos mais como garantir e anunciar o futuro melhor para nossas crianças. Realmente, queremos deixar evidente ao Governo e Justiça Federal que por fim, todos nós já perdemos a esperança de sobreviver dignamente e sem violência em nosso pequeno território antiga.
Não esperávamos de ser exterminado pela própria Justiça Federal. Estamos tentando sobreviver dia-a-dia nesse contexto de violências, exigindo e aguardando a justiça, mas infelizmente, de fato, a própria decisão da Justiça Federal vai exterminar nossas vidas. Frente a violência e extermínio anunciado pela Justiça à quem vamos denunciar as violências praticadas contra nossas vidas??  Para qual Justiça do Brasil??
Se a própria Justiça Federal está exterminando nos e alimentando violências contra nós. Diante da decisão Justiça, nós avaliamos e concluímos que vamos morrer todos pela própria ação da Justiça, não temos e nem teremos perspectiva de vida digna e justa tanto aqui na margem do rio quanto longe daqui. Moramos na margem deste rio Dourados-MS há mais de doze (12) ano.
De fato, sabemos muito bem que fora daqui, longe daqui, na margem da estrada iremos retornar a sobreviver na miséria e passar fome novamente, não queremos rever a miséria e fome de nossas crianças na margem da estrada, jogados como lixo como era antes, por essa razão, decidimos a resistir e morrer todos juntos aqui na margem do rio Dourados-MS. Se a justiça brasileira não quiser mais nos ver com vida por aqui pode mandar matar todos nós aqui no Passo Piraju.
Decidimos que na beira da estrada não vamos retornar, preferimos morrer que retornar à margem da rodovia, por isso, a Justiça não precisa mandar retirar e despejar nós daqui só manda matar todos nós. Esse é nosso pedido definitivo. Aguardamos esta decisão da Justiça. Queremos ser morto e enterrado junto aos nossos antepassados aqui mesmo onde estamos hoje.
Assim, é para decretar a nossa morte coletiva Guarani e Kaiowá de Passo Piraju e para enterrar-nos todos aqui, somente assim, não reivindicaremos os nossos direitos de sobreviver. Esta é a nossa última decisão conjunta diante da decisão da Justiça Federal do Tribunal Regional da 3ª Região (TRF-3) São Paulo-SP.
Atenciosamente,
Tekoha Passo Piraju-Dourados-MS, 16 de outubro de 2012
Assinamos nós 600 comunidade Guarani-Kaiowá de Passo Piraju-MS




terça-feira, 23 de outubro de 2012

QUITANDA DA VIDA

Telinha Cavalcanti

Bolo é sempre bom. E este é um clássico dos anos 70: bolo gelado de coco, também conhecido como bolo Toalha Felpuda.

Ingredientes

    Para o bolo

4 ovos (claras e gemas separadas)
2 xícaras (chá) de leite
1 xícara (chá) de água
3 xícaras (chá) de farinha de trigo peneirada após medir
1 colher (sopa) de fermento em pó
100 g de coco ralado
manteiga quanto baste para untar a fôrma

  
Para a calda

1 lata de leite condensado
1 vidro de leite de coco
3 xícaras (chá) de leite
Coco ralado para cobrir o bolo

Modo de Preparo

Bata as claras em neve.
Junte as gemas, bata mais um pouco e adicione o açúcar, ainda batendo.
Coloque o leite, o coco, a farinha e o fermento, batendo sempre.
Leve para assar em fôrma untada em forno pré-aquecido em temperatura média, por 30 minutos ou até a massa ficar firme e dourada.

Para fazer a calda, misture os ingredientes líquidos, depois banhe o bolo ainda morno com a calda, polvilhe com o coco ralado e deixe esfriar.Leve à geladeira por 3 horas (passando a noite ainda é melhor). Corte em quadrados, embrulhe no papel alumínio e mantenha na geladeira até a hora de servir.

Imagem: Coisas de Caroll

domingo, 21 de outubro de 2012

84, CHARING CROSS - O 12 DE OUTUBRO

Elaine Pereira




Apesar de ter resultado oportuno, foi uma coincidência ter começado a ler “Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil” no dia 12 de outubro, em que todo mundo comemora o dia das crianças em desenfreado consumo e se esquece de Colombo.

Ocorre que o primeiro capítulo do livro trata justamente dos índios, e por outra coincidência, apareceu na timeline de um amigo de facebook um excerto de Los Hijos de los Dias, de Eduardo Galeano, escritor uruguaio, “En 1492, los nativos descubrieron que eran indios, descubrieron que vivian en América, descubrieron que estaban desnudos, descubieron que existia el pecado, descubrieron que debian obediencia a un rey y a una reina de otro mundo y a un dios de otro cielo, y que ese dios habia inventado la culpa y lo vestido, y habia mandado que fuera quemado vivo quien adorara al Sol y a la Luna y a la tierra y a la lluvia que la moja.” Achei muito bonita a abordagem, e depois ao cair das fichas com a outra leitura tudo ficou ambíguo.

Afinal de contas os índios não foram tão vítimas assim, como Leandro Narlock argumenta convincentemente no “Guia...”. E faz sentido. Os índios eram bastante afeitos a guerrear, e aproveitaram a oportunidade que o colonizador representava de alianças interessantes contra os inimigos, em um jogo onde não houve vítimas e opressores, mas sim interesses mútuos daqueles que enxergaram no colonizador um aliado. Em menor número, espanhóis e portugueses, por mais “civilizados” que fossem, com armas, presentes e tudo o que mais se diz deles, não teriam sido capazes de dominar os índios sem sua participação conivente.

Os tupinambás, que comiam gente, não deviam ser tão inocentes assim. Nem a nação tupi, que depois de algum tempo de presença européia saiu dos domínios amazônicos e se espalhou até o sudeste deixando rastros de que? Inocência? Escravidão imposta pelo colonizador? Piedade cristã pregada pelos jesuítas? Não creio. As conquistas, sejam quais forem, derramam sangue.

E então nesse dia que serve de marco do início da expansão que ajudou a definir o que somos hoje, extrapolo para tudo que tomamos como certo, tanto quanto o colonizador vilão e o índio inocente, e não posso deixar de rir internamente ao pensar nas teorias de conspiração onde as grandes empresas vilãs subjugam povos inteiros, e sem graça nenhuma, grandes massacres inegáveis que acabam, por ter mais atenção da mídia, parecendo serem os mais terríveis, quando tantos os superam em crueldade e quantidade, mas não em interesse público. E nossas infindáveis histórias de corrupção, onde mudam os personagens, os partidos, a cara-de-pau, mas continua sempre o mesmo resultado, fala-se, arrota-se patriotismo, viram heróis os que se limitam à mais pura obrigação de serem honestos, e nada acontece. Só esperamos pelo próximo escândalo. E quando ele coincide com o final da novela ou algum importante campeonato de futebol, a concorrência é desleal.

Falando em heróis, e os bandeirantes? Os mais puros paulistas desbravadores tinham em suas fileiras índios e mestiços, perdidos na História, não reconhecidos, ou renegando suas origens por interesses mais vaidosos. Enfim, somos todos humanos, índios, heróis, políticos, artistas de novela, nós ingênuos sentados nos bancos escolares ouvindo versões de histórias que não presenciamos. Mas acima de tudo, ainda continuamos na anestesia, com tanto para pensar, e nossas crianças querem é saber a que horas vão ganhar o presente.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

QUITANDA DA VIDA

Telinha Cavalcanti

Gente, essa receita é novidade para mim. é uma maravilha de dois-em-um, a união de dois amores, uma coisa boa mais uma coisa boa que gera uma coisa uau: bolo-pudim. Com certeza, quem inventou isso tem parte com o demo :D


Bolo-Pudim

Ingredientes


Calda:
1 xícara de chá de açúcar
1/2 xícara de chá de água fervendo

Bolo:

1 xícara de chá de manteiga
1 xícara de chá de açúcar
3 ovos
2 xícaras de chá de farinha de trigo peneirada
1 colher de sobremesa de fermento em pó
1/2 xícara de chá de leite
1 pitada de sal

Pudim:
1 lata de leite moça
2 xícaras e meia de leite
3 colheres de sopa de chocolate em pó (eu prefiro nescau, você pode usar o dos frades)
4 ovos

Como fazer

1) Calda:
Leve o açúcar ao fogo médio em uma panelinha. Derreta até caramelizar. Adicione a água fervente aos poucos e deixe dissolver bem o açúcar. Regue uma forma de furo no meio com esta calda, cobrindo bem o fundo e as laterais.

2) Bolo
Primeiro, pré-aqueça o forno a 200 graus.
Depois, bata a manteiga, o açúcar e os ovos na batedeira. Adicione, alternadamente, a farinha de trigo, o fermento, o leite e o sal. Despeje a massa na fôrma caramelizada. Reserve.

3) Pudim
Bata todos os ingredientes no liquidificador. Despeje delicadamente sobre a massa do bolo e leve ao forno em banho-maria, até o ponto de enfiar um palito de dente e ele sair limpo. Deixe esfriar por algumas horas, desenforme e leve à geladeira até o momento de servir.

Como o pudim tem consistência diferente do bolo, as duas massas se separarão naturalmente e o resultado ficará perfeito.

Imagem: Click Grátis Receitas

Obs: na imagem, o bolo é de chocolate e o pudim é de leite moça - e na minha receita, o bolo é branco e o pudim é de chocolate. Mas a ordem dos tratores não alterna o viaduto, né? :D

terça-feira, 25 de setembro de 2012

QUITANDA DA VIDA

Telinha Cavalcanti


Oh, esta receita é tão vintage.
Vintage é o velho que não é velho, é clássico. Que saiu de moda, mas é bom. E isso serve para quase tudo, mas quando é comida, tem uma vantagem: leva a gente mais depressa prá algum lugar gostoso lá no passado.


Suflê de camarão

Ingredientes

250 g de camarão já refogado com temperos
1 copo de leite de coco
2 colheres de farinha de trigo
1 colher de manteiga
2 colheres de cebola ralada
1 pitada de fermento em pó
5 ovos
3 colheres de queijo ralado
sal a gosto

Como fazer
Leve ao fogo uma panela com manteiga e a cebola; refogue. Misture com a farinha de trigo
e mexa bem; acrescente o leite e mexa para não empelotar. Deixe cozinahr um pouco. Retire do fogo, misture as gemas, 2 colheres de queijo e o camarão refogado. Ponha em forma untada e polvilhe com queijo. Leve ao forno para assar.

Imagem: Receitas da Allana

domingo, 23 de setembro de 2012

SENHORA DO TEMPO - ÁGUA! GELADA, POR FAVOR!

Vera Guimarães

Nestes dias de calor da savana que faz aqui no Planalto Central, o que mais se vê pela casa são copos com água pela metade (porque já ficou quente), outros com gelo derretendo, formas de gelo sendo enchidas continuamente, nossas pobres tentativas de driblar o calor e a seca.
E exatamente enquanto estamos nessa luta, vem a Fal e me pergunta como era na minha infância e adolescência: Tinha geladeira na sua casa? Como era?

Na década 1940 e até metade da década 1950, pelo menos no meu interior de Minas, só tinham geladeira os comerciantes, os industriais, fazendeiros com casa na cidade, os políticos, enfim, a classe acima da classe média.

Conferi essa minha percepção com marido, praticamente da minha idade, mas morador da Capital, e ele me confirmou que lá também era assim. A família dele só comprou a primeira geladeira quando ele tinha seus 13 anos.

Para nós, tanto para ele quanto para mim, gelo e bebida gelada só existiam nos bares, aos quais chegávamos quando conseguíamos alguns trocados. E nem nos importávamos com a paulada na testa produzida pelo súbito gelo do picolé ou sorvete no organismo.

Nas casas bebia-se água em temperatura ambiente, agradavelmente fresca quando armazenada em grandes vasilhas de cerâmica ou nos enormes FILTROS FIEL, conjunto formado por tripé de metal, uma talha de cerâmica e um recipiente provido de filtro e coberto por cilindro de alumínio, enfeitado por fora com pintura de ramo de flores.

Mas a gente queria era água gelada. A família de meu marido a conseguia com vizinhos, que colocavam vasilha com gelo no muro que separava (ou unia?) as duas casas amigas. No interior, eu e outras parceiras do vôlei, em intervalos necessários ou inventados, a obtínhamos na maravilhosa casa de uma delas, próxima à Praça de Esportes onde treinávamos. Nessa hora eu aproveitava para espiar a casa rica, de cozinha de mármore, empregadas uniformizadas, pisos reluzentes, finezas desconhecidas até então.

Recorro às minhas irmãs para saber mais. Sim, em Sete Lagoas havia uma fábrica de gelo, junto à fábrica de manteiga. Naquele ambiente úmido e gelado trabalhava-se de tamancos de madeira. Por ocasião de festas, comprava-se uma barra de gelo, que era quebrada e colocada em um latão, dispondo-se as garrafas no meio dessas pedras, cobrindo-se tudo com serragem para conservar a temperatura.

Em 1956 chegou a oportunidade da família comprar sua geladeira.

Uma de minhas irmãs era contadora na concessionária de veículos GM, que passou a comercializar também geladeiras Frigidaire, uma divisão da multinacional. Essa irmã me conta que, curiosamente, a geladeira chegou, foi retirada da embalagem, mas não foi posta para funcionar, ou, se foi, nada era colocado dentro dela. Não havia a cultura de armazenar alimentos no frio: comprava-se e se consumia tudo no mesmo dia. Havia feira perto, o leiteiro passava todas as manhãs, a carne era conservada de formas tradicionais, as sobremesas eram compotas de frutas. E lá ficou a geladeira, meio sem uso.

Até que um dia chegou amigo da família, abriu a porta da geladeira e colocou lá dentro o jornal do dia: “Pelo menos, notíca fresca a gente vai ter!”

Imagens 
Filtro: Gaveta do Ivo
Geladeira: Quebarato