quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

URGENTE !!! SUMIU EM CAXAMBU !!!


Ela foi vista pela última vez, ontem, 12 de janeiro, no Condomínio Vale das Colinas.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

UM DIA EM OURO PRETO

Por Ana Laura Diniz
colaborou Esther Lucio Bittencourt

Museus, casas coloniais, igrejas, ladeiras, becos e a necessidade de muita força nas canelas. As lembranças de criança que eu tinha de Ouro Preto parecem imutáveis. As pernas ainda doem ao subir repetidas vezes as ruas. Os museus estão nos mesmos lugares embora pareçam ter cedido espaço aos muitos bares e restaurantes que se acumulam. Os hotéis e as pousadas se enroscam no emaranhado de casas. Algumas tombadas pela ação do tempo, dos morros, mais precisamente pelo número de caminhões que cortavam a cidade e faziam a terra literalmente tremer. 

Dos quartos do segundo andar da Pousada Casa Grande, onde nos hospedamos, por exemplo, as paredes ainda tremem quando os ônibus passam pela rua. Ouro Preto ganhou casas tão tortinhas quanto a famosa Torre de Pisa. Itália que se cuide. Também porque os italianos são presença marcante na cidade. E ingleses, franceses, americanos e alemães. "As pessoas lá de fora valorizam mais aqui do que o próprio brasileiro", diz o ouropretano Marcos Silva, vendedor de pedra sabão. 

Verdade ou não, os brasileiros estão também por lá. Os que moram na cidade, reclamam do alto custo de vida. O que é cobrado para o turista se cobra também do morador que recebe, quando muito, um salário comercial por volta de R$ 600,00. 

Com tantas casas aglutinadas, becos e caminhos sinuosos, é difícil narrar a vida moderna de Ouro Preto. A cidade é toda interrompida. A história de séculos está atravessada no comércio que tem nas vendas de artesanato o seu principal atrativo. Mas é justamente ali, naquele pedaço de terra, que está boa parte do patrimônio cultural da humanidade e o mais importante conjunto arquitetônico barroco do País. 

A cidade nasceu sob o nome de Vila Rica por meio da expedição comandada pelo bandeirante Antônio Dias e após 30 anos já tinha 40 mil pessoas trabalhando na exploração desordenada do ouro. Passou-se a chamar Ouro Preto após a Independência do Brasil e foi capital de Minas Gerais até os idos de 1897.

Abaixo, um ensaio fotográfico feito pela jornalista Esther Lucio Bittencourt e essa que aqui vos narra a saga da cidade do ouro, de calçadas desiguais e solas de sapatos de todo o mundo.









E A CARAVANA DO PÊÉFE CONTINUA!

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

AS PERNAS NEGRAS RÁPIDAS COMO O AVIÃO

Por Esther Lucio Bittencourt


Luzes da cidade...

Detalhe das pernas...
As pernas negras correm velozes na noite de luzes baças. A caminhonete as perseguem. "Acelera, acelera", fala alguém dentro do carro. O rapaz já sumiu da visão. E a motorista acelera como pode. Evita chocar-se com outros veículos e o povo que se espalha pela rua de calçadas estreitas.



É um pivete, um ladrão barato, um assassino perigoso? E as pernas negras confundem-se com o escuro das ruas. O carro mal consegue acompanhar o ritmo de sua corrida. E o motorista se pergunta de quem são estas pernas que correm mais do que as rodas da caminhonete. Seriam as do Super-Homem, do Homem Borracha ou as do Homem-Aranha? Nada disto ele é, sabe o motorista, nem pivete, sequer bandido. Apenas o guia turístico da cidade colonial de Ouro Preto, em Minas Gerais, que o leva aos vários hotéis para que resolva onde se hospedar.

Dez turistas valem uma cesta básica ou 5% de tudo o que for comprado em qualquer loja conveniada com os guias. E assim, vivem vários jovens em Ouro Preto, Minas Gerais, como Everton Rogério da Silva Souza de 18 anos. Ambição? Ser guia turístico em Ouro Preto quando crescer.

A cada fim de semana movimentado, com muitos turistas, Everton pode conseguir 15 tickets. Com 10 deles ele apanha sua cesta básica. Além das gorjetas que ganha.


E foi assim, que numa noite quente de luzes baças a turista seguia com seu carro por ruas estreitas, ladeadas de prédios coloniais, as negras pernas do menino que corria mais do que o carro, além do vento, para saciar a fome da família e ainda conseguir uns trocados para roupas e lazer porque ninguém é de ferro.

MENINO COMO HOMEM FEITO


Ele conversa com os recepcionistas dos hotéis de homem para homem e com um deles ainda marca um encontro depois do expediente para ver as mulheres bonitas que estão na cidade. Quem sabe, com sorte, uma delas pode ser deles?


Everton Rogério da Silva Souza: o "pé de vento".
Tem quatro irmãos o Everton, e sua mãe, que não trabalha mais, mas já foi empregada doméstica e tem 38 anos. Moram todos na saída de Ouro Preto, quando os caminhos apontam para Belo Horizonte.


Estuda na Escola Padre Carmelo Augusto Teixeira na oitava série. O pai morreu cedo e ele e um irmão de 17 anos mantém a família. 


"O que você quer ser quando crescer Everton?" Ele pensa e responde: "Já sou crescido, mas quero ser guia turístico aqui em Ouro Preto." 

"Não pensa em visitar outras cidades?" Silencia e pensa: "ah! Se pudesse, dona", responde. E se perde em seus sonhos.

Não esqueça: quando for a Ouro Preto, em Minas Gerais, procure o Everton na praça central da cidade. Todos os conhecem e não há melhor guia turístico na região.

OUROS E DIAMANTES DA ESTRADA REAL

Por Ana Laura Diniz




A Estrada Real, criada pela Coroa portuguesa no século XVII com a única intenção de fiscalizar a circulação das riquezas e mercadorias que transitavam entre Minas Gerais - ouro e diamante - e o litoral do Rio de Janeiro - capital da colônia por onde saíam os navios para Portugal, guardam ainda nos dias de hoje alguns antigos registros e postos fiscais de controle. 

Os prédios dos registros, como é fácil imaginar, eram instalados em locais estratégicos como em desfiladeiros, passagens entre serras e margens de cursos de água. No seu interior estavam os empregados: um administrador, um contador, um fiel e cerca de quatro soldados. Um portão com cadeado fechava a estrada.

Reestruturada e abraçada por uma série infindável de comerciantes que abriram negócios em todo percurso, a Estrada Real é convite para todo cidadão, principalmente aquele precavido monetariamente. É porque os preços, tanto de hotéis quanto de restaurantes e/ou de mercadorias são "tabelados" em todo trecho. Em outras palavras, pesquisa de melhor preço nessa região é sinônimo de perda de tempo. Em Ouro Preto, por exemplo, um hotel decente, mas sem luxos, não fica por menos de R$ 150, a diária.

Vale a pena? E como! Para quem não conhece, a Estrada abrange dezenas de municípios mineiros e está dividida em três principais setores: Caminho Velho (liga Parati a Ouro Preto); Caminho Novo (liga o Rio de Janeiro a Ouro Preto); e Rota dos Diamantes (liga Ouro Preto a Diamantina). Por duas vezes, em menos de dois meses, o Primeira Fonte fez seu próprio traçado e o cumpriu da seguinte forma: na ida, saiu de Caxambu e seguiu para as cidades de São João Del Rey, Tiradentes, Entre Rios de Minas, São Brás do Suaçuí, Ouro Branco, Ouro Preto, Mariana, Catas Altas, Caraça, Santa Bárbara, até terminar em Barão de Cocais. Na volta, houve apenas o acréscimo de Congonhas, a cidade dos 12 profetas.

Muito fotojornalismo, muitas reportagens e milhões de conversas descompromissadas. Em cada cidade, um "legítimo café mineiro", um "legítimo pão de queijo", uma "legítima empada" ou um "legítimo rocambole" à venda. Os mineiros da Estrada Real parecem gostar mais da palavra "legítima" que a já consagrada expressão "uai". 

Turistas, grupos de estudantes, professores, pesquisadores, gente de toda praça, de todo canto do mundo. Olhos curiosos unidos a um prazer comum: o do conhecimento e do desbravamento.

Das pedras deslizantes das ladeiras de Ouro Preto, que por duas vezes fizeram o carro escorregar sem conseguir vencer a pirambeira, à poeira que transformou a cidade de Congonhas prazerosa apenas no Centro Histórico, justamente onde estão "reunidos" os 12 profetas. Da magnitude da poesia e da casa da poeta norte-americana Elisabeth Bishop em Ouro Preto à escultura emocionante e expressiva de Aleijadinho nas cidades de Santa Bárbara, Ouro Preto e Congonhas. De artesanatos em Tiradentes à exploração de minério de ferro da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) na região de Barão de Cocais, em São Gonçalo do Rio Abaixo: lá está a mina de Brucutu, que segundo a empresa, chegou à totalidade de produção da capacidade instalada de 30 milhões de toneladas de ferro por ano, em 2008. A mina de Brucutu faz parte do Complexo Minas Centrais, que conta ainda com as minas de Gongo Soco, Água Limpa e Andrade.

Como se vê, o Primeira Fonte caminhou muito longe para chegar até aqui, e sem respeitar a linha da estrada, ora indo, ora vindo, continuará a revelar cada parte dessa aventura regada a um céu avermelhado, mais parecido a um vinho do Porto, em um pôr-do-sol jamais visto em São Brás do Suaçuí.
Ora por texto, ora por imagem, ora tudo ao mesmo tempo. Assim é que seguiremos. Porque entre vindas e idas e idas e vindas é que o Pêéfe lança um convite para algo mais valioso que todos os ouros e diamantes: a vida. Permaneça conosco nessa aventura!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Verdade, colcha de retalhos


Zizek, Slavoj.Bem-vindo ao deserto do real: cinco ensaios sobre o 11 de setembro e datas relacionadas. Trad. Paulo Cezar Castanheira. São Paulo: Boitempo Editorial, 2003.
A posição dominante de Slavoj Zizek poderia ser definida pela frase da primeira orelha do volume: “...quando as escolhas são muito claras a ideologia se encontra em seu estado mais puro e as verdadeiras alternativas se tornam obscuras.” O deserto do real é uma expressão referida ao conceito lacaniano de Real, segundo o próprio Lacan muito ligada a outras duas instâncias, o Imaginário e o Simbólico: “Digo sempre a verdade. Não toda... pois, dizê-la toda, não se consegue... Dizê-la toda é impossível, materialmente... faltam as palavras. É justamente por esse impossível... que a verdade toca o Real.” J. Lacan (1973b). Uma variante desse conceito pode ser encontrada em Robert Musil: “A verdade ... só tem um traje e um caminho, e está sempre em desvantagem.”
Ainda sobre o conceito lacaniano, um comentário de J. Forbes pode ser útil: “O Real pode ser percebido como algo duro, impossível de ser captado por qualquer instrumento da realidade ou da virtualidade – palavra ou imagem – o que faz com que todos estejamos um pouco fora do caminho. Há uma pedra que nos desvia. A ninguém é dado o direito à certeza de sua percepção. Se delirar, etimologicamente, quer dizer, ‘sair do caminho’, todos deliramos.” “Somente o discurso com ausência de sentido, desencaixado, poderá abrir uma via de acesso para o Real. O Real que é totalmente fora do compreender e do saber.” (Maria Teresa Tavares de Miranda) *
A partir do 11 de setembro de 2001, Zizek desenvolve cinco ensaios sobre fatos e datas decisivas da história mais recente. O que chama a atenção, nesse livro de rara coerência e rigor em sua linguagem e nos conceitos que exibe, além da boa tradução de Paulo Cezar Castanheira, é a precisão cirúrgica com que o autor consegue posicionar seus pontos de vista. Um texto riquíssimo, apoiado nas teorias sociológico-políticas mais inovadoras de filósofos de nosso tempo, que nos levam bem mais longe que as análises da mídia, quase sempre comprometidas com facções e ideologias dominantes. Mas Zizek não se exime da crítica, mesmo no caso de pensadores que lhe servem de apoio. O que primeiro nos chama a atenção, além da lucidez das referências e da agudeza da visão de mundo de Zizek, é a agilidade com que ele passa de um a outro ponto de vista e a imparcialidade quase inacreditável com que os expõe.
Um bom prefácio e uma introdução ilustrativa nos preparam para os textos principais, que realizam na medida do possível as expectativas propostas. Logo no primeiro ensaio, “Paixões do Real, paixões do semblante”, diz o autor: “O momento último e definidor do século XX foi a experiência direta do Real como oposição à realidade social diária – o Real em sua violência como o preço a ser pago pela retirada das camadas enganadoras da realidade.” Por essa via se “explica” o que nos parecem as atrocidadres, os absurdos e os destemperos sempre presentes à história, tal como a conhecemos, com foco em nosso dia-a-dia. É a paixão pelo Real e seus efeitos, de que fala Alain Badiou, como traço característico do século XX.
Tal perspectiva leva a uma atitude bastante lógica e inusitada, ao menos segundo a maioria dos pontos de vista conhecidos: à p.66, Zizek propõe que, no caso do ataque às torres gêmeas do World Trade Center, não se aceite a oposição entre as duas partes envolvidas, que levaria como sempre a uma tomada de posição sectária, mas que se adotem simultaneamente as duas posições, porque “cada uma é tendenciosa e falsa”. A questão, diz ele ainda, é que “os dois lados não são realmente opostos, eles pertencem ao mesmo campo”, e que “a opção entre Bush e Bin Laden não é a nossa escolha: os dois são ‘Eles’ contra Nós.”
A questão principal, como desde o começo do livro se coloca, é que nossa busca da felicidade – hoje em dia considerada obrigatória por todos os autores de autoajuda e conselheiros de ocasião – é falseada por fatores externos, que nos desviam do desejo, considerado por Lacan o único fundamento válido para esse fim, que no entanto não coincide com os princípios que nos são impostos nem se submete a eles. Essa questão abrange uma variedade inusitada de temas de nosso tempo, e por conta dela quase todos os acontecimentos e personagens dão o que falar, desde governantes antagonistas até ficções, como os filmes sobre o velho Oeste americano. Ou como Shrek, considerado um personagem falsamente subversivo, que está longe de ser o “lugar de resistência” que se propõe, mas conta de novo “a mesma velha história”. Todos eles, personagens verdadeiros ou de histórias de ficção, chegam a nosso conhecimento permeados de ideologias dominantes em conflito.
Outro conceito muito utilizado há algum tempo, também esse derivado da teoria psicanalítica, o grande Outro, de que se valeriam os interessados em angariar adesão a suas ideias e objetivos (muitas vezes nada éticos), é hoje quase sempre coberto pelo “Outro da Lei”, “ficção legal de legitimidade”, com o objetivo de anular “esta última reserva dos legalistas nazistas” pela “regulação pós-política da vida do Homo sacer, ... que apesar de um ser humano vivo, não é parte da comunidade política”, de acordo com o  conceito de Giorgio Agamben.
Por outro lado, o conceito de terror, muito útil ao discurso ideológico, foi “gradualmente elevado ao equivalente universal oculto de todos os males sociais” – outro modo recorrente de falsear a realidade e fazer cócegas no Real.

*Texto e citações por Maria Teresa Tavares de Miranda, in
http://www.psicanaliselacaniana.com/estudos/muxarabi-teresa-miranda.html

domingo, 9 de janeiro de 2011

A FORTE ESTRELA DE ALBERTA HUNTER

Por Ana Laura Diniz


A vida dilacera na alma que grita o que poucos têm a capacidade de ouvir e d’entender. É na veia que pulsa o pulso, na aliteração precária ou na explanação brilhante que a voz rascante de Alberta Hunter transforma qualquer ambiente em algo sempre melhor. 

Pouco conhecida no Brasil, a jazzista nasceu no dia primeiro de abril de 
1895, e aos 12 anos fugiu de Memphis, sua cidade natal, a caminho de Chicago para se tornar uma cantora de blues.

Passou por inúmeras dificuldades, inclusive pelo simples fato de ser negra. Mas realizou o seu sonho ao se consagrar como uma das mais populares cantoras afro-americanas dos anos 20. Começou profissionalmente em 1911 numa boate chamada "Dago Frank's", um bordel frequentado por criminosos e cafetões. Permaneceu por lá até 1919, quando o estabelecimento foi fechado após um assassinato. Então, mudou-se para uma boate menor e, meses depois conseguiu juntar dinheiro para trazer a mãe para morar com ela.

Acabou por casar, mas o matrimônio durou pouquíssimo tempo, já que nunca se consumiu de fato a união. Sua desculpa era a de que não teria relações sexuais na mesma casa em que a mãe morava, mas a verdade é que ela era homossexual. Seu marido então partiu para o Sul e, para sua felicidade, nunca mais se encontraram.

Alberta então conheceu Lottie Taylor, sobrinha do famoso cantor afro-americano Bert William. As duas começaram a namorar e ficaram juntas por muitos anos apesar de sua agenda cada vez mais lotada.

Hunter começou a cantar em uma boate chamada "Elite Cafe 1" (3030 South State Street), onde o pianista Tony Jackson, de New Orleans, já se apresentava. Diferente dela, Jackson era homossexual assumido, mas foi Alberta a responsável em popularizá-lo ao interpretar a sua música mais famosa, "Pretty Baby", escrita para o seu namorado.

Em 1915, Hunter conseguiu uma apresentação no "Panama Cafe", um lugar chique e frequentado somente por brancos. Neste momento, ela começou a se tornar uma estrela em Chicago apesar de uma nova reviravolta: o "Panama" também foi fechado depois de um assassinato no bar. Alberta seguiu então para o "De Luxe Cafe" (3503 South State Street), e depois para o "Dreamland Cafe" (3520 South State Street), onde a banda King Oliver's Creole Jazz Band costumava tocar.

Durante suas apresentações no "Dreamland", Alberta ficou muito amiga do pianista Lil Hardin, que também era de Memphis. Depois disso, ela se tornou uma estrela e foi considerada como a "queridinha do Dreamland".

Mas nem por isso ela se dava direito ao descanso. Tão logo terminava seu show na casa, pegava um trem para uma outra boate e cantava mais e mais e mais... até que uma certa noite, o pianista da banda de Alberta foi assassinado com um tiro enquanto eles estavam no palco. Claramente, os gângsters naquela época estavam em alta em Chicago.

Alberta mudou-se para Nova Iorque, em 1921, lançou sua carreira com a gravadora "Black Swan" junto a "Orquestra Fletcher Henderson's". Um ano depois foi para a "Paramount", onde Fletcher Henderson ainda a acompanhava com o piano. Ela fez belíssimas composições como "Down Hearted Blues", gravada pela primeira vez por Bessie Smith, em 1923.

Neste mesmo ano, Alberta se tornou a primeira cantora afro-americana a ter pessoas brancas na banda "Original Memphis Five", que a acompanhou em músicas como "Tain't Nobody's Biz-ness If I Do", "If You Want To Keep Your Daddy Home" e "Bleding Hearted Blues".

Em 1924, cantou nas sessões de música chamada Red Onion Jazz Babies, administrada por Clarance Williams, onde traziam Louis Armstrong e Sidney Bechet juntos pela primeira vez.

Enquanto estava em Nova Iorque, Alberta participou de muitos shows afro-americanos. Chegou a substituir Bessie Smith no show "How Come?" em 1923, e isso a fez crescer como estrela na "América".

Vale lembrar que apesar de todo brilhantismo, na dificuldade de obter grandes contratos em várias gravadoras, Alberta Hunter fez uso de muitos pseudônimos durante os anos 20. Na gravadora Biltmore, ela era Alberta Prime. Ela também usou o nome May Alix, mas tinha uma May Alix verdadeira que gravou com a Orquestra Kimmie Noone's Apex e com a banda "Louis Armstronf and his Hot Five". Na Gennett, ela assinava Josephine Beatty (o nome de sua meia-irmã já falecida); e na Okeh, Vicor e Columbia, usava seu próprio nome.

Com o sucesso garantido, Alberta se mudou para a Europa em 1927. Mas antes, gravou algumas sessões com Fats Waller no órgão. No final daquele ano, se apresentou na Inglaterra e pelo continente com Paul Robeson. A essa altura, ela era um sucesso em Paris, e continuou a cantar pela Europa nos anos 30, como também na Rússia e no Oriente Médio.

Nada escapava de Alberta. Durante a II Guerra Mundial, Alberta fez parte do USO e cantava para as tropas na Ásia, nas ilhas no Pacífico do Sul e na Europa. Depois da Guerra, voltou para a América para cuidar de sua mãe já doente.

Aos 59 anos, tomou a decisão que poria fim a toda sua caminhada: inscreveu-se num curso de enfermagem e, nos correntes 20 anos, trabalhou no Hospital de Nova York, mesmo após a morte da mãe, em 1959
. Mas no começo dos anos 60 ela gravou alguns discos, e, surpreendentemente, subiu ao palco mais uma vez em 1977, aos 82 anos, e continuou a cantar até o ano de sua morte, 1984, aos 89 anos.

Todas as canções são imperdíveis. De toda discografia, sugiro o excelente álbum AMTRAK BLUES, de 1978. Feche os olhos, relaxe e me diga.

É dito que os talentos de Alberta nunca foram capturados tão bem nos discos, e que ela cantava muito melhor ao vivo. Mas se ao escutá-la a emoção aflora, é quase inimaginável sentir que força seria a dela em cima do palco. Tudo ali já soa completo.


Acima, aos 83 anos, em uma das tantas apresentações.
Ela canta "Nobody knows you when you're down and out"
escrita originalmente por Jimmie Cox para Bessie Smith.

FOLIA DE REIS EM CAXAMBU, SUL DE MINAS GERAIS

Por Esther Lucio Bittencourt



A Folia de Reis do seu Anésio sai pela 39ª vez da Igreja do Caxambu Velho acompanhando a Virgem Maria, São José e os três Reis Magos, Melchior, Baltasar e Gaspar, que ficarão expostos durante a noite no presépio vivo. É um auto de Natal que se comemora em seis de janeiro, dia da chegada dos Reis Magos ao local onde nasceu o Menino Jesus, mas que este ano caiu durante a semana. Portanto, a festa ficou para hoje, domingo, dia 9 de janeiro para que o povo possa participar.

Desde a madrugada de 25 de dezembro as companhias de Folia de Reis de Caxambu estão pelas ruas. Os que tem camisa amarela são do Caxambu Velho, de seu Anésio; de camisa azul, são do bairro do Bosque. Na igreja do Caxambu Velho os Reis Magos, Virgem Maria e São José vestem suas roupas enquanto, do lado de fora, o burrico que os levará ao presépio espera paciente.


O Grupo de Folia de Reis porta o estandarte, decorado com figuras alusivas ao nascimento do menino Jesus e é seguido pelo Bastião, geralmente vestido de palhaço que alegra com piruetas a população.


  Apresentação de foliões no calçadão de Caxambu


Eles vem de longe, ou seja, caminham de um determinado ponto até a Igreja onde cantam. 



É um festejo de origem portuguesa do século XVII e foi introduzida no Brasil no século XVIII onde ganhou caráter religioso. São usados para acompanhar os cantos o violão, a sanfona, o reco-reco, o chocalho, 0 pandeiro, o triângulo e o cavaquinho.

Durante a caminhada da Bandeira, que é como descrevem o estandarte que carregam, eles cantam. 

Não se consegue entender o que falam entre o ruído do povo, do parque de diversões montado por algum político, visando as próximas eleições e dispersando o caráter de cultura popular que deve ser conservado, pois faz parte de nossa identidade cultural.

Este é uma das trovas que são cantadas pelos foliões:

Deus o sarve a luz do dia
Deus o sarve a claridade
Deus o sarve as três pessoa
Da Santíssima Trindade

Imagens da festa:



















terça-feira, 4 de janeiro de 2011

QUITANDA DA VIDA IX

Por Telinha Cavalcanti

Bolo de Chocolate

Porque, né? A gente merece. A receita de dona Mamãe, pode ser feito de mil maneiras.

Sem chocolate e com uma goiabada cremosa por cima é de comer, comer, comer, comer, comer... igual a peixinho de aquário, até explodir :)

Se você substituir uma parte do leite por suco, pode ser feito de laranja ou limão, com raspinhas... hmmm!

E a foto é do meu bolo, na minha mesa, com flores que Amado Marido me deu. E fui eu que fiz o mosaico, viu? Ai, que orgulho :)



BOLO DE CHOCOLATE
Ingredientes:
1 embalagem de manteiga com sal (200 g)
4 xícaras de açúcar
4 xícaras de farinha de trigo
4 ovos
2 xícaras de leite
Nescau até a cor ficar boa
2 colheres de chá de fermento
1 colher de chá de sal
1 colher de chá de essência de baunilha

1) Bater a manteiga em temperatura ambiente com o açúcar até ficar cremoso
2) Colocar os ovos um a um (quebre os ovos em uma xícara e veja se estão bons. nunca misture os ovos direto na massa, um ovo podre e acabou-se o bolo e sua vontade de viver)
3) Juntar a farinha de trigo peneirada e o leite, alternadamente. Não coloque o leite todo, deixe um pouco pro final
4) Colocar o nescau até a cor ficar boa. E lembre: ao assar, o bolo escurece
5) Adicionar o fermento e o sal. Veja a textura da massa: pode ser que não precise de mais leite.
Como saber? A massa é, hm, consistente, mas não é pesada, mas também não é aguada. Só fazendo, errando e acertando para saber o ponto.

Untar e enfarinhar uma fôrma com furo no meio. Fôma de pudim é pequena, esse bolo é das antigas, eu comprei uma para bolo suíço e deu certinho. leve ao forno médio-alto e comece a espiar depois de meia hora.
Amiga minha já fez o bolo no liquidificador e deu certo. Eu nunca fiz, mas, é a tal história: tenta e me conta, tá bem?

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Clarice Lispector – uma visão de mundo


O traço que marca o texto de Clarice Lispector, relativamente aos de outros escritores contemporâneos, é o desassombro, que pode ser entendido como poesia em estado bruto ou como inconvencionalismo total. Pessoalmente, prefiro a primeira hipótese.
Primeiro porque, entre todas as definições conhecidas de poesia, prefiro aquela que não poupa os sentimentos ditos nobres ou delicados, muito mais indicados para uso interno – em relações interpessoais, amorosas ou familiares – do que para a literatura ou a criação artística em geral. Segundo porque sua franqueza crua e direta, capaz de abalar convenções e convicções intocáveis, condiz com a poesia, que é também um inconvencionalismo total.
No caso do conto em questão, a poesia e a personalidade literária da autora ficam tão claras que tornam o texto quase paradigmático do uso das palavras e da visão de mundo em Clarice. O único modo realmente poético de falar dessa mulher que mais parece um macaco é expor o efeito que sua figura e sua mera existência causam nas pessoas ditas civilizadas, e esse efeito pode ser um susto, uma estranheza expressa sob a forma de enternecimento/piedade, ludicidade, fuga ou até repulsa. O fato de a mulher ser uma miniatura perfeita e ainda por cima estar grávida, além de ser surpreendente, abre um espaço para a ternura e ao mesmo tempo incomoda as pessoas, reforçando o sentimento de estranheza e um obscuro temor: quem a vê, pressente alguma ligação com ela, compartilha um pouco de sua natureza curiosa e repulsiva, que denuncia muito abertamente o lado grotesco de cada um, que o narcisismo repudia e se nega a reconhecer.
As reações que o conto descreve ilustram bem o resultado desses sentimentos.
O explorador, habituado às extravagências da natureza, sublima a figurinha que se coça em sua presença “onde uma pessoa não se coça” e desvia os olhos “como se estivesse recebendo o mais alto prêmio de castidade”.
Há a “perversa ternura” da senhora que nunca se deveria deixar que chegasse perto de Pequena Flor, como o explorador nomeou a mulher-miniatura. Porque, como diz Clarice, “Quem sabe a que escuridão de amor pode chegar o carinho.” As palavras, que parecem expressar enternecimento, na prática, podem falar de outra coisa. Como explicar por exemplo os maus tratos e maldades praticadas contra seres tão enternecedores como crianças ou animais indefesos? Como interpretar a facilidade com que sentimentos amorosos se metamorfoseiam em crueldade e violência?
Reduzir a mulherzinha a boneca é outro jeito de tomar o mal-estar nas rédeas, assim como fizeram as meninas do internato, que esconderam o cadáver de uma colega para brincar com ela, exercendo seu instinto maternal mais feroz – e negando a morte. Uma outra velha senhora sentencia que “Deus sabe o que faz”, o que poderia ser traduzido por “podemos ficar tranquilos, a culpa de sua existência não nos cabe e não temos nada com isso”.
Nesse texto, que fala de amor e ódio como águas do mesmo rio, Clarice consegue extrair das palavras todos os matizes, o lado obscuro e o mais glorioso da vida, tantas vezes misturados de tal modo que não chegamos a entendê-los à luz da razão – essa senhora pretensiosa, mas inepta para ir além da mera teoria.

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Clarice e Fernando

Estive relendo a correspondência entre Clarice e Fernando Sabino, que convém manter viva porque é uma espanada em regra na mesmice e uma oração eficaz contra o estuporamento que ora nos assola (quem conheceu Stanilaw imagina o que ele seria capaz de escrever nestes tempos rebarbativos).
Extraí o seguinte pensamento (quiçá frágil) dessa leitura beatífica: é preciso não compreender um pouco. É coisa de Clarice, mas também traduz ecos de Fernando. Essa ânsia de tudo entender, que nos torna tão donos de uma verdade de ocasião, pode ser fatal para algumas instâncias humanas, como o momento iminente, o fenômeno que se depara a nossos olhos, o assim chamado real no momento mesmo de sua experimentação. Aqueles que compulsivamente ostentam a envergadura de seu saber sempre pisam as florinhas que crescem ao rés-do-chão e perdem grandes oportunidades de ser simplesmente felizes.
Não resolve nada ser onisciente, afirmação esta que não tem nada a ver com defesa da alienação, do alheiamento em relação à realidade. Trata-se de sempre buscar a justa medida entre um reconhecimento dos próprios limites e o olhar lúcido. É a tradução mental para desarmamento, que funciona também nesse nível. Quem não consegue ser mentalmente desarmado – leia-se aberto, empático, alerta contra preconceitos – não acreditará que a paz é possível, não dispensará uma arma de verdade.
Livres da arrogância de imaginar que tudo sabiam, nossos correspondentes dão testemunho de que o sofrimento e as incertezas não impedem que se encontre um tempo de paz interior para exercitar a reflexão e a sensibilidade capaz de fazer florescer uma amizade fraterna, uma das coisas simples e deliciosas que a vida pode oferecer.

sábado, 1 de janeiro de 2011

DILMA CONVOCA A OUSAR, SONHAR E CRIAR NO GRANDE SERTÃO E VEREDAS QUE É O BRASIL

Por Esther Lucio Bittencourt

Na República como no Império: Dilma passa em revista
a tropa dos Dragões da Independência 
Quando John Lennon, na música God, disse que o sonho acabou, numa frase em que se referia aos Beatles, o mundo decretou, in totum, a morte do sonho.
Hoje, dia 1 de janeiro de 2011, a presidente do Brasil, Dilma Roussef, que viveu intensamente os anos de sonho e de chumbo, apoiada em Guimarães Rosa, decretou em seu discurso de posse que é preciso sonhar, ousar e criar. Concluiu com a frase de Guimarães Rosa, em seu “Grande Sertão e Veredas”: "O correr da vida embarulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem".

Ainda usando palavras de Rosa, ela informa que o "o que tem de ser, tem muita força".


Em seu discurso de posse ela conclamou o povo brasileiro a convocar o sonho, a ousadia e a criatividade para construir um Brasil mais justo. Está na contramão da proposta de Lennon ao avisar que o sonho acabou. Ela propõe exatamente o contrário: o retorno à coragem de sonhar.

Falou sobre a maciez da seda da faixa presidencial que cingirá, pela primeira vez, os ombros de uma mulher e informa que: “Não faremos a menor concessão ao protecionismo dos países ricos que sufoca qualquer possibilidade de superação da pobreza de tantas nações pela via do esforço de produção.”

Cingirá.... uma palavra macia a acompanhar uma mulher que é considerada firme, energica, dura. Mas o aço é duro e dúctil. Com sua dureza pode investir contra inimigos, com sua ductibilidade pode ganhar formas diversas.

Esta seda macia da faixa presidencial foi retirada dos ombros do ex-presidente Lula por sua mulher, Marisa. Parece que faltou ousadia ao torneiro mecânico que inventou, redescobriu, ousou o Brasil, saiu do poder com 86% de aprovação popular e fez de Dilma Rousseff  sua sucessora, de realizar o gesto. A faixa foi colocada na nova presidente com muita rapidez; a saída do parlatorio foi abrupta: havia risco de choro convulsivo.

A mulher presidente que solicita receber a centelha de energia que carrega todas as mulheres disse ainda que: “No Ensino Médio, além do aumento do investimento público vamos estender a vitoriosa experiência do PROUNI para o Ensino Médio Profissionalizante, acelerando a oferta de milhares de vagas para que nossos jovens recebam uma formação educacional e profissional de qualidade.


Mas só existirá ensino de qualidade se o professor e a professora forem tratados como as verdadeiras autoridades da educação, com formação continuada, remuneração adequada e sólido compromisso com a educação das crianças e jovens.


Somente com avanço na qualidade de ensino poderemos formar jovens preparados, de fato, para nos conduzir à sociedade da tecnologia e do conhecimento.


Pela primeira vez o Brasil se vê diante da oportunidade real de se tornar, de ser, uma nação desenvolvida. Uma nação com a marca inerente da cultura e do estilo brasileiros - o amor, a generosidade, a criatividade e a tolerância.


Uma nação em que a preservação das reservas naturais e das suas imensas florestas, associada à rica biodiversidade e a matriz energética mais limpa do mundo, permitem um projeto inédito de país desenvolvido com forte componente ambiental.


O mundo vive num ritmo cada vez mais acelerado de revolução tecnológica. Ela se processa tanto na decifração de códigos desvendadores da vida quanto na explosão da comunicação e da informática.


Temos avançado na pesquisa e na tecnologia, mas precisamos avançar muito mais. Meu governo apoiará fortemente o desenvolvimento científico e tecnológico para o domínio do conhecimento e a inovação como instrumento da produtividade.


Mas o caminho para uma nação desenvolvida não está somente no campo econômico. Ele pressupõe o avanço social e a valorização da diversidade cultural. A cultura é a alma de um povo, essência de sua identidade.


Vamos investir em cultura, ampliando a produção e o consumo em todas as regiões de nossos bens culturais e expandindo a exportação da nossa música, cinema e literatura, signos vivos de nossa presença no mundo.


Em suma: temos que combater a miséria, que é a forma mais trágica de atraso, e, ao mesmo tempo, avançar investindo fortemente nas áreas mais sofisticadas da invenção tecnológica, da criação intelectual e da produção artística e cultural.”


A presidente Dilma Roussef que tropicou por três vezes no português, cansou, chorou e sabe que terá grandes sertões, veredas, estradas vicinais, mataburros, porteiras, riachos, e pouco oásis a percorrer na sua costura política e econômica para cumprir suas promessas deixa-nos o eco se suas palavras claras, quase escandidas do primeiro discurso presidencial.


Nós, povo, dizemos apenas uma palavra: amém. E vamos ousar, criar, inventar e sonhar: meu sonho é de que poderemos ser um país mais justo e honesto. Sonho firme. Pois meu sonho será realidade.




2011: PARA O BEM OU PARA O MAL, NO BRASIL E EM CAXAMBU

Por Esther Lucio Bittencourt

Há ocasiões em que não se consegue racionalmente explicar os fatos que nos inquietam.

Por exemplo, como uma pessoa divorciada, do sexo feminino, em pleno mundo ainda patriarcal e feudal, consegue chegar a presidência de um país, como o Brasil, pertencente ao Terceiro Mundo com alguns segmentos de sua sociedade e ingressando no mundo desenvolvido e, ainda por cima, substituir um torneiro mecânico?


Deve-se isto ao carisma do Presidente Lula, que sai após dois mandatos, com um percentual de 86% de aprovação de sua gestão ou a ascendência da classe C, promovida por este mesmo governo onde os preceitos morais e os preconceitos são rarefeitos, pois eles transitam na realidade das grandes cidades e do interior deste grande País, onde pais copulam com filhas, mulheres conseguem ter filhos de vários homens, ou seja,os preceitos religiosos e tradicionais que conformaram e deformaram as famílias burguesas, não fazem parte da cultura C ?

Sem preconceito, quero deixar bem claro, pois não há conceito ou pré que superem a realidade. O mundo está assim e ponto. O mundo foi reprimido por realezas, guerras, religiões, inquisições, mas hoje, apesar da carga cultural feudal e patriarcal há a cisão, o caminhar destes preceitos sobre areia movediça, o que significa que estes poderes estão soçobrando.

Nestes momentos procura-se explicações místicas, cabalistas, numerológicas para o que não entendemos. O ser é humano...

Atentei para isto quando vi MMXI, símbolo entre o G e o E, o número 2011 em romanos que o google inseriu na sua apresentação de hoje. Onze é um número interessante para os qual há várias interpretações.

Ao pesquisar no google li que 11 é “o número das revelações. O plano de conhecimentos mais elevados. O ideal. A junção de Deus = 1, com o mundo =10: é o sinal do início do conhecimento de Deus, isto é, da admissão à vida superior dos céus. Símbolo da transição, excesso e perigo. Número da fragmentação, sendo por isso também considerado diabólico.”

Tem muito mais: como o número 11 ser um excesso e estar fora do plano divino que termina no número dez.

Deixando de lado o que não entendo, com a certeza de que o 11 fará parte de nossas vidas durante 365 anos, ouço os comentaristas da TV enfatizar que a Presidente Dilma é um ponto obscuro, pois ninguém a conhece, mas deve fazer um governo inexpressivo, ou seja, empurrar a presidência com a barriga. Machismo? Sei lá!

No entanto, busco explicar para mim o porque de nada seguir em frente em Caxambu, cidade do Sul de Minas que escolhi para morar desde que o microcosmo, que é o interior de um país, reproduz o macrocosmo, as grandes cidades.

Durante dois anos a população sonhou com a perspectiva de vir para a cidade um campus avançado da Universidade Federal de Lavras. O assunto melou.

Havia expectativa em torno do Balneário do Parque das Águas, que tem 12 fontes de água mineral com características distintas, inaugurado no ano passado. Muitos acreditaram que poderia ser a salvação da economia da cidade cuja população vai embora em busca de oportunidades, como acontece com as cidades que ficam fantasmas.

O Balneário ainda não vingou.

Não tenho nenhum número para explicar a cidade em que escolhi morar mas, se um torneiro mecânico e uma mulher, ainda por cima divorciada podem ocupar a presidência do Brasil, só nos restar cultivar a esperança de que, um dia, Caxambu, pode vingar. Estamos num ano que termina em onze. Quem sabe para Caxambu seja este um ano de transição?

... a equipe do Primeira Fonte deseja...