sexta-feira, 30 de setembro de 2011

A "PEGADA" DE LENINE

Por Ana Laura Diniz


Não sei do que gosto mais: se é da "pegada", se é da voz ou se é da própria figura: Lenine é genial.

Uma vez, indo à casa da Zélia Duncan, descobri que eram vizinhos. Ah, e eu que já gostava da Urca, passei a amá-la mais e mais. 

Show mesmo, só fui em um dele, em São Paulo. Acompanhada de uma amiga querida, Marina Caruso. Não lembro o local, mas da noite, claro! Principalmente da força, do olhar, da interpretação exata... Sim, sou apaixonada pela arte dele. 

Recifense, cantor, compositor, arranjador, músico brasileiro. Osvaldo Lenine Macedo Pimentel gostava era de rock na década de 70. A vida é que foi aos poucos lhe mostrando os rumos da MPB - e, principalmente, de Milton Nascimento e Gilberto Gil.

Não demorou muito, pegou estrada e se mudou para o Rio de Janeiro. Em 1981, participou do festival MPB da TV Globo, com a composição "Prova de Fogo", e depois lançou com seu amigo e conterrâneo Lula Queiroga - outro grande artista que, por destino - quem sabe? - não teve ainda a projeção nacional que merece - o LP "Baque Solto" (que raríssimo, não tenho; pois nunca encontrei por menos de R$ 200,00 para comprar). Mas os trabalhos na época não "decolavam". 

Participou da banda Xarada, de rock, e apesar de emplacar a música "Mal Necessário" no filme Rock Estrela, de 1985, a coisa parou por aí. Sumiu da mídia, mas não da arte. Retornou oito anos depois com o disco "Olho de Peixe", tendo o percussionista Marcos Suzano como parceiro no trabalho. A sua estrela então brilhou mais alto, e teve músicas gravadas por Fernanda Abreu, a exemplo da dançante "Jack Soul Brasileiro",  Badi Assad, Margareth Menezes, Sergio Mendes e Elba Ramalho. 

Chegou aos anos 90 como uma das grandes promessas musicais. E Lenine não falhou. Em 1997, lançou seu primeiro disco solo - "O dia em que faremos contato.". Nele, músicas como "Hoje eu quero sair só", "A balada do cachorro louco (fere rente)", "Aboio avoado", "Olhos Negros" e "Que baque é esse?" ganharam o Brasil nas rádios, e abalaram estruturas em seus shows.

Dois anos depois, "Na Pressão" chegou respeitando o título da obra, e dentre várias faixas de sucesso, "Paciência" bateu todos os recordes, mostrando um Lenine cada vez mais versátil e profundo - sendo aclamado também na Europa.

E assim segue até hoje. De lá pra cá, lançou "Falange Canibal", "In Cité" (gravou na Cité de La Musique em Paris; o seu primeiro cd/dvd ao vivo). 

Aprecio a sua obra, mas nutro especial emoção por seus dois primeiros álbuns solos, "O dia em que faremos contato" e "Na Pressão". E, por isso, deixo uma pequena mostra desses trabalhos, a fim de ressaltar o trabalho desse grande artista que é o Lenine. Som na caixa, e aguente o baque!





No acústico, a versão mais "light" de "Na Pressão". Vale conferir o cd!