Por Ana Laura Diniz

Os outros dias do ano, de quem são? Não são igualmente nossos? Aí tem sempre alguma conhecida que diz "ah, mas é tão lindo... você não percebe? nós somos tãããão importantes que temos um dia só nosso".
O catso.
Quero eu rosas nesse dia? Quero rosas o dia que for, se for pra recebê-las. Quero mais é igualdade em todos os níveis: na vida afetiva e profissional. Quero ver meu salário equiparado aos homens que ocupam a mesma função; o respeito que deveria ser natural, e não esse maldito coronelismo ainda forjado de que se você tem um homem ao lado, aí sim, se tem valor, se tem voz. Quero ser atendida ao chegar a um local, sem passar pela descompostura de esperar um homem - que chegou depois - ser atendido antes de mim, pelo único motivo de ser homem (e taí uma coisa que não perdoo mesmo e sempre pergunto se o dinheiro dele vale mais que o meu)... e tantas coisas mais que a gente sabe que acontece.
Se um homem comete barbeiragem no trânsito, é um lapso. Se mulher, é "dona maria" pra baixo. Um porre.
Ai, nem é isso, é muito mais que isso. Essa data me dá arrepios, e não de prazer. Me irrita. Profundamente. E realmente, perco-me em palavras – mas não em sensações - pra dizer que tudo isso é uma coisa ridícula sem ter mais fim.
Irritaaaaanteeeee.
É claro que não sou grossa com quem, querendo ser gentil, me cumprimenta... como hoje, que me deram "parabéns" e eu, sorrindo, perguntei: "por que?" E não foi por nada, não. É que simplesmente não registro essa data, ela não existe em meu calendário.
Mas quem sabe um dia... essa data possa não mais existir... e aí, sim, possamos realmente sentir que os dias são outros... e melhores.