Por Fal Azevedo
Ah, não, nada contra uma reunião de amigos, de ambos os sexos, de preferência num bar (as pessoas sensatas 'recebem' apenas em bares hoje em dia, já reparei nisso... a única imbecil que limpa chão com lisoform antes das visitas chegarem, e que fica, depois que todos foram embora, lavando taças até de manhã sou eu... e o pior é que eu adoooro. Eu sou uma pessoa com problemas), para comemorar a data que se aproxima, para dar risadas, para alguma dança, alguma pizza, alguma vodka e algumas reminiscências, brindando a nova fase da vida de, pelo menos, dois deles. Não é a esse tipo de despedida de solteiro a qual me refiro.

O que me dá a tal da "vergonha pelos outros", se não por mim mesma, são essas despedidas de solteiro onde senhouras que, se nascidas noutros tempos, nem tão longínquos assim, já teriam, elas mesmas, filhas casadoiras, pintam a cara de outra senhoura da idade delas, com imagens de caralhos y otras cositas más, fazendo jogos de adivinhação onde uma mulher de meia idade (sim, queridinhas, 37 é meia idade, ninguém vive até os 120. Bom, quase ninguém, em todo caso) tem que pagar prendas que vão de andar pelas ruas com um modess pintado de batom amarrado na testa, até colocar camisinha com a boca numa banana.
O que eu quero dizer é: essa gente não teve adolescência? Não que eu fizesse essas coisas quando adolescente, eu fui criada pra ter um razoável senso crítico, mas jesus, se alguém vai fazer que seja aos 17, jamais aos quase-quarenta!
Enfim, entreguei meu maravilhoso jogo de panos de prato - praticamente um enxoval, a moça terá os mais belos panos de prato até a década de 20 do presente século - dei um olá geral e vimembora, que se não dei gritinhos e nem fiquei fazendo barulhos de gozo pelo Kadu Miloterno (não, eu não sou velha, eu era precoce, só isso), nas janelas da minha juventude não farei isso pelo Rodrigo Santoro, nas janelas da não-juventude alheia.